terça-feira, 29 de julho de 2014

Voltando à ativa...

Queria me permitir discordar do Grande Renato Russo, sem jamais desmerecer ou diminuir a grandeza e atualidade de suas músicas. Mas dizer que "os bons morrem jovens" nem sempre é verdade.
Nesse mês de julho tivemos um contra-exemplo disso. Não se pode dizer que morrer aos 87 anos seja morrer jovem. Assim foi o BOM Ariano Suassuna.

Não apenas bom por ser Paraibano. Mas pelo conjunto da obra, literalmente. Defensor irrestrito da cultura nordestina, apaixonado pela linguagem e pelas histórias do sertanejo, enfim, um homem TOP. Ou melhor, um homem SUPERIOR, já que não gostava de palavras estrangeiras.
Alguém que levava, como poucos, os pensamentos que muitos de nós carregamos e não podemos publicizar ou não temos como. Ariano tinha espaço e sabia utilizá-lo muito bem. Desafiou muitos que não acreditavam que houvesse mínima chance de criar arte erudita a partir de elementos da cultura popular - notadamente, a nordestina. Nasce dessa insistência, o Movimento Armorial.
Tantos passagens célebres pode-se encontrar nas aulas-espetáculo que fez em vida. Fazia questão de não chamar aula-SHOW, dada a aversão ao estrangeirismo. "Por que usar SHOW quando temos uma palavra tão bonita em nossa língua, ESPETÁCULO". Ou a crítica a toda essa cultura vazia, sem conteúdo que cerca a verdadeira cultura brasileira. Como sua análise à banda Calipso.
Citando uma reportagem de um jornal que dizia "A Calipso é a verdade do povo Brasileiro... Chimbinha é um guitarrista genial", ele analisa: "Eu me senti insultado. A verdade do povo brasileiro ser UOU UOU UOU? Se eu uso o adjetivo genial para Chimbinha, o que eu vou dizer de Beethoven?" E poderíamos passar a noite inteira falando de seus casos e contos. Além da inteligência natural que detinha. Mas nada será comparado à parda que tivemos, com a ida de mais um crítico da cultura circense que se instalou há tempos em nosso País. Não digo, circense de bonecos, mambembes, truques e música. Mas a cultura de pão e circo que nos transforma em palhaços sem graça, em um contexto em que os verdadeiros palhaços - bem vestidos e endinheirados - é que dão risadas de nós.
Assim, Renato Russo, ao encontrar Ariano aí por cima, mude a música para "os bons nunca deveriam morrer"