DESANIMADOR...
Depois de 3 anos fora, estudando no interior de São Paulo, numa excelente cidade chamada São Carlos, voltei para João Pessoa. Praia faz muita falta. Então, já seria ótimo pra mim. Mas, a cereja do bolo foi voltar à Universidade na qual me formei. Isso ocorreu em fevereiro de 2011. Já se vão 4 anos e 9 meses. Tempo bastante para rever muita gente que conheci alí dentro. Tempo bastante para me adaptar às disciplinas e pensar em, todo semestre, atualizar informações, pensar novas atividades etc. E tempo bastante, também, para ver que muito mudou... pra pior. E muito continua do mesmo jeito, cheio de problemas.
Ontem vivenciei mais um evento desanimador, como várias que já passei, nesse retorno, que desmotivam ao ponto de se pensar: "será que vale à pena continuar sendo professor?" ou "Será que vale à pena continuar nesse pântano que a UFPB?". Há mais de 4 meses luto para conseguir uma manutenção em uma impressora 3D que temos no Laboratório de Produto. A burocracia - sei que você já pensou nela - não é o único problema. Também é! Max Weber deve se tremer todo quando vê o que ele desenvolveu para Burocracia ser tão deturpado. Primeiro que, entra-se no velho problema da UFPB. Só uma pessoa sabe fazer cada coisa. Se ela foi almoçar, se está doente... hun... haja paciência. Que instituição é essa? Pergunto se isso aconteceria em uma empresa privada. Quem trabalha em uma, sabe que polivalência é condição sine qua non para empregabilidade. E aí quando você, enfim, consegue falar com o funcionário que barrou o seu processo com pedidos anormais e até incompreensíveis, você percebe que a única vontade dele é de não colaborar. Demonstrar que ele, senhor do conhecimento administrativo, encontrou várias inconsistências no seu processo de pedido da manutenção. E que, por isso, não fará o processo seguir o caminho normal. Aliás, esse vai-e-vem do processo já impediu de ter a manutenção neste ano. O Ano-fiscal já acabou. OU seja, só ano que vem e se o Governo que governa a "Pátria Educadora" liberar alguma verba para as Universidades Federais. Difícil, hein!? Dá mais ibope alimentar as Faculdades privadas com FIES e fazer a população acreditar que é o melhor caminho. Bom, voltando... Se eu for falar só dos problemas estruturais que o Laboratório tem, vão mais uns 3 posts. De goteira que nunca acaba, torneira nova já com vazamento, No-break que já vem com a bateria descarregada, ar-condicionado para instalar há mais de 6 meses e nenhuma terceirizada instala. Fora já ter passado mais 4 meses esperando a liberação da Universidade para comprar um kit de cartuchos para a impressora. O que me faz contabilizar em torno de 8 meses a impressora parada durante esse ano. Um equipamento que representa a maior revolução em questão de fabricação e confecção de produtos na última década, passou 2/3 do ano sem condições de operação. Como se motivar com esse cenário?
Ainda ontem, tivemos um excelente evento no auditório do Centro de Tecnologia. Aí você pensa: "Tá vendo, alguma coisa boa". Ah, meu amigo, não há nada tão ruim que não possa ser piorado. Primeiro, a Diretoria do Centro abre o auditório e.. "se vira!". Não tem uma pessoa para ajudar com projetor, som, computador. As luzes ficam piscando a todo o momento. Quer dizer, as metade que ainda acende. Não há água. Aliás, água já falta na Universidade há um bom tempo. Botijão de água mineral? Só se você comprar! Se quiser, é do bebedouro. Aquele mesmo, sem manutenção, com crosta verde, água quente... e quando tem. Enfim, recebe-se um conjunto de pessoas qualificadas, que vêm realizar palestras interessantíssimas e essa é a recepção que damos. Banheiro próximo ao auditório, sem papel higiênico, sujo! Isso, inclusive, já fiz levantamento. No CT não há papel em nenhum banheiro, descargas não funcionam, luzes dos banheiros não funcionam, não há divisórias entre os vasos, não há tampas nos vasos... acho melhor parar por aqui. Vou tentar manter o nível de desânimo tangenciando o desespero. Se eu continuar, cruzo essa fronteira.