quinta-feira, 27 de setembro de 2012

IDENTIDADE RUBRO-NEGRA

Todos nós temos uma Identidade, não apenas no papel, o RG, mas aquele conjunto de características que nos faz conhecidos entre todos e que permite que sejamos únicos dentre grupos por vezes muito homogêneos.
Ontem, quarta-feira (26/09), vi, após muito tempo, uma das maiores identidades ressurgir. Estava perdida, talvez se escondendo em más administrações ou na omissão dos que a carregam. A verdade é que a Identidade Rubro-negra do Flamengo havia tirado férias e estendido seu retorno à normalidade. Mas, como qualquer identidade, não some, desaparece ou se estingue. E ontem foi uma prova disso. Prova incontestável!
A raça que se caracteriza como combustível, sangue motivador de todos que defendem o manto sagrado - bastilha impugnável, como define Nelson Rodrigues - esteve presente durante a necessária vitória contra o Atlético Mineiro, segundo melhor time do Brasileirão até aqui. A Raça que está na história do time, em nome de torcida e em seus gritos, no Hino, enfim, a velha caraterística da Identidade do Mais Querido fez-se atual, mostrando que o DNA é atemporal.
Como é bom ver que outro traço de nossa Identidade ainda é capaz de manifestar-se. A Torcida, a Magnética de Jorge Ben, como que em um evento paranormal, transforma-se em um jogador. É um mistério inexplicável, mas bastante visível. Foram 40 mil FLAnáticos que viraram UM. Talvez seja a unidade que vale mais, que mais agrega valor ao que soma. Aplausos, gritos de incentivo, sofrimento, porque isso também é Flamengo, sentimentos que há muito não se viam, em quantidades tão expressivas. E aqui, novamente, temos que agradecer a Ronaldinho Gaúcho. Essa ira com o R49 fez o Engenhão se enchera de apitos e vaias a cada vez que ele tocava na bola. Resultado, um patético jogador que se escondeu na ponta esquerda e preferiu assistir, porque foi lindo demais, o show que a Torcida deu ontem. Aquela que tem, por mérito e reconhecimento, o número 12 imortalizado - nenhum jogador poderá mais utilizar tal número - reencontrou o RG perdido.
Raça, Torcida e Vitórias! Isso caracteriza o Maior time do Brasil. Ontem foram 40 mil, mas somos 40 milhões que cobram do time: "Que a vitória não venha, mas que nunca falte Raça". A vitória nem foi tão sofrida assim, como por vezes somos acostumados a ver, mas foi para muito mais do que uma vitória, muito mais do que 3 pontos. Tiramos ontem, por assim dizer, nossa segunda via da Identidade Rubro-negra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A ESPERANÇA NÃO É A ÚLTIMA... NEM MORRE

Há muito tempo que em nossos noticiários as boas notícias, as construtivas, instrutivas vem dando espaço para notícias de violência, corrupção, abusos trabalhistas, desrespeito à vida. É comum, hoje em dia, mostrar cenas de pessoas mortas em pleno horário matutino ou vespertino. Mais recentemente, as notícias sobre guerras civis e "santas" - nenhuma guerra pode ser santa - já não causam comoção ou surpresa. Aqueles que querem passar por cima dos outros a todo custo com imedidas consequências se proliferam. A busca mercenária pelo lucro expropriante, face mais nefasta de uma máquina nomeada Capitalismo, sufoca qualquer lampejo de igualdade social. Cada vez mais, Chico Science, mesmo morto define o mundo atual, quando diz ou dizia "...e a situação sempre mais ou menos; uns com mais e outros com menos".
Mas minha reflexão é justamente para o outro lado, para o lado da esperança, pois se ela ainda não morreu, quero procurá-la a todo custo, um custo que não me torna opressor. O custo da motivação e da certeza que essa esperança move outras máquina, que não a do mal que se alastra pela sociedade em várias frentes. E essa esperança passou em minha frente com muita clareza, nesse final de semana.
Trabalhei em um Encontro de Jovens. Talvez alguns não saibam o que é ou significa. Talvez até imaginem, mas só vivendo para comprovar que a esperança ainda não morreu. A esperança de ver pessoas que se amam sem intenções marginais. Um amor sem interesses ou metas quantificáveis. Amor, simples, como o que Deus teve por todos nós, quando enviou seu filho para viver e morrer entre nós.
É, realmente, de uma alegria imensa ver que os bons gestos ainda existem, boas amizades ainda podem ser construídas, momentos de calma, de meditação pessoal, de interiorização são possíveis e nos ajudam. É confortante ver que nem todo tipo de alegria está relacionada à grandes cifras, nem a bens materiais cobiçados e valiosos monetariamente. Saber que 400 pessoas podem trabalhar para outras 120, por três dias, sem receber nada em troca, pinga nesse cenário cinzento e tenebroso, algumas gotas de brilho no processo de diminuição dos contrastes sociais, trabalhistas, raciais, financeiros e ideológicos que vivemos. Mas não é justo dizer que trabalham de graça, que não recebem nada. Esses 400 recebem ao final do domingo, um quantia gigantesca de esperança. A mesmo que eu continuo tendo, de que podemos viver melhor se pensarmos e trabalharmos para que TODOS vivam melhor.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Quanto menos titulação, menor segurança?

Nesses últimos dias, tem-se visto, em diversos lugares de João Pessoa, pessoas trabalhando na limpeza de ruas, canteiros e sua devida sinalização, como a pintura de meio-fio. Nesse semana pude ver esse tipo de serviço aqui no Geisel, no Bancários e na Av Beira-rio. A princípio, tudo muito bom, bacana, a cidade tratada com respeito e assepsia. No entrento, queria chamar atenção para um fator: as condições de segurança dos trabalhadores.
O que de melhor pude ver foi uma pessoa sinalizando com uma bandeirola vermelha, antes do local de trabalho. Tentando alertar os motoristas quanto ao serviço executado à frente. Nesse mesmo caso, havia alguns cones que serviriam para limitar a área de trabalho e impedir o contato entre os trabalhadores e os motoristas. Nas demais, não havia sequer o sinalizador. Não vou nem entrar na questão de conteúdo do trabalho para o sinalizador, algo absurdo. Um completo desrespeito à capacidade laboral de qualquer um. Limito-me apenas aos aspectos de segurança no trabalho (e já é muita coisa).
Parem para pensar no risco real que eles estão submetidos de serem atropelados. Fornecer Capacete, luva, bota, uniforme não é suficiente. E, dependendo do impacto entre o veículo e o trabalhador, nada disso impedirá o dano. Mas poucos dispõem de EPI's. 
e aí eu pergunto: será que eles devem ter menos direito de trabalhar de forma segura por terem, em geral, pouca escolaridade? Será que a vida deles vale menos que a de qualquer outro trabalhador? Não ter tido oportunidades  de estudo trabalho condena uma pessoa a se sujeitar a qualquer trabalho, em quaisquer condições? É inferior o valor da vida de um trabalhador desses frente a um Doutor de Direito ou de Medicina? (link para reportagem sobre o uso da palavra doutor). 
Onde estão os responsáveis pela garantia e manutenção da segurança, do bem estar e da vida dessas pessoas? Talvez em um lugar seguro, em seus escritórios, longe do risco enfrentado pelos trabalhadores. São omissos aqueles que, em sendo os responsáveis, preferem acreditar que, como sempre, nada vai acontecer. E quando acontecer? Basta voltar no tempo e promover uma sinalização melhor? Sim, basta. Só quero saber como devolver a saúde do acidentado ou a vida de falecido em acidente.
A Segurança é Direito e não premiação por formação, por titulação. E, além disso, o trabalho dessas pessoas é de suma importância para a sociedade, para a vivência diária de todos. O pessoal da limpeza de ruas, os coletores de lixo etc. merecem respeito. Não devendo, em hipótese alguma, trabalhar em condições inseguras.
É fácil acusar outras empresas sem olharmos para nosso próprio trabalho. Mas apresento-lhes essa foto que foi tirada em uma construção no Centro de Tecnologia da UFPB. Trabalhadores realizando trabalho em altura e nada de sistemas anti-quedas. Não há ancoragem, cintos paraquedista. As plataformas são improvisadas... enfim. 

Mas por que protegê-los? São trabalhadores sem instrução! 

Cabeça pequena a dos que pensam assim!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PARAlímpicos... PARA ensinar

Estive reparando que tenho me envolvido mais em acompanhar, procurar saber sobre e até mesmo assistir mais aos Jogos Paralímpicos do que assisti ou acompanhei os Olímpicos. Cheguei à conclusão de que o grande motivo é que os Paralímpicos trazem muito mais ensinamentos.
Visualizamos muito claramente que nossas lástimas e reclamações, muitas vezes, são tão insignificantes e sem fundamentos perto das dificuldades que as pessoas que possuem algum tipo de deficiência têm. Não falo aqui apenas dos atletas. Falo muito mais em relação àqueles que não o são.
Os objetivos daqueles que participam de cada um dos Jogos é bem diferente. Isso pode ser percebido nas feições e reações não dos que ganham, dos "melhores" em cada modalidade. A alegria dos paratletas, do primeiro ao último, é de contagiar até mesmo os mais sedentários e avesos ao esporte. São atletas que chegam em terceiro e dão um volta olímpica com a bandeira de seu país, comemorando como se nada mais importasse; estar alí já vale muito.. ou melhor, representa muito. As dificuldades que eles passam no dia-a-dia, de acesso (unânimidade entre todos), de desrespeito, de discrimição, de diferença no tratamento na educação, no trabalho e nas atividades rotineiras, representam barreiras transpostas com muito suor físico, literalmente, mas, acima de tudo, com muita hombridade, muita transpiração espiritual.
Hoje assisti um filme que se chama "Intocáveis". Sensacional! Aconselho a todos. Muito engraçado, sem pieguices, mas muito forte. Em uma cena, um tetraplégico comenta que a coisa que ele menos espera de seu cuidador é compaixão, dó.
É, para mim, o sentimento maior que fica dessa reunião universal de paratletas que possuem deficiências, sim, mas que não suplicam pena ou compaixão. Precisam ser vistos como pessoas com restrições físicas e/ou sensoriais, mas não como incapacitados, nulos ou limitadores daqueles que se consideram "normais". Normais estes que, quando vão para os Jogos Olímpicos, encaram aquilo como uma batalha, onde apenas aos vencedores lhes é dada atenção.
É, bem melhor assistir seres humanos paralímpicos do que soldados olímpicos!

domingo, 2 de setembro de 2012

Mais (sub)emprego na eleição

Sexta-feira passada estive, no finalzinho da tarde, no centro de João Pessoa. E comecei a reparar algumas situações muito peculiares à essa época de falta... falta de respeito com a população, falta de verdade daqueles que são candidatos, falta da devida fiscalização e, consequentemente, da devida punição.
Como somos literalmente, perturbados por esses carros de som que, além do impacto sonoro desagradabilíssimo, teimam em tumultuar mais ainda um trânsito já saturado e recheado de motoristas "folgados" (O grande mal do trânsito em JP, na minha opinião).
Basta andar na rua, em qualquer uma, e vai lembrar de vários candidatos. Basta olhar para o chão. São "santinhos" que teimam em se amontoar e sujar nossa já esquecida limpeza urbana. E olhe que eu teria mais algumas horas de reclamação contra a EMLUR e a Marquise. Em algumas ruas, quando passa um vento um  pouco mais forte, parece velho oeste, aqueles redemoinhos de papel girando, impedindo a visão e fazendo-nos lembrar o quanto nossos candidatos pensam na limpeza da cidade que pleiteam administrar.
Mas o pior não é isso. Aliás, tenho minhas dúvidas do que é pior. Em um dos sinais, havia aquelas bandeiras de campanha. E, na "vigilância" delas, algumas pessoas. Umas conversando entre si. Outras mexendo no celular. A maioria totalmente entediada, com aquele olhar vazio de quem apenas espera terminar seu "turno". Sempre tive curiosidade e dessa vez resolvi perguntar. Cheguei perto de uma senhora, tinha uns 50 anos. Enrolei um pouco, conversei um bucadinho e mandei: "quanto vocês ganham pra ficar aqui?". Ela, sem receio, respondeu: "O ...... (nome do candidato) paga 30 conto por dia. Mas ..... (outro candidato) tá pagando 35 no dia e 30 na noite". Fechei a conversa e sai pensando no emprego daquela senhora. Mas definitivamente, empregar o nome EMPREGO para aquele tipo de serviço é muita ousadia. É um atentado à mínima inteligência. Aquilo é um Trabalho, dos mais condizentes com a origem do termo (Trabalho vem de Tripalium, antigo instrumento de tortura). E, ampliando um pouco mais a análise, consegue-se imaginar a "massa" de pessoas que são SUBempregadas nesse exemplo, dos mais tristes, do que vem a ser um trabalho sem conteúdo. São horas em pé, sem condições mínimas de higiene, de satisfação das necessidades básicas (Fome, sede...), sem direitos garantidos (vulgo Carteira Assinada) e em uma função que não estimula o mínimo desenvolvimento intectual. Não há satisfação! Alguns já podem mandar um: "Pelo menos eles estão recebendo. Se não tivesse isso, estariam passando fome". Assumamos então, que a vida seja feita de, cada vez mais, menos pessoas com oportunidades de uma vida minimamente digna. Falei digna; não rica! As pessoas deveriam ter um emprego, mesmo que não estivesse no hall dos mais bem pagos legalmente (ou roubados, ilegalmente!). E que fosse fixo, certo, e não apenas 3 ou 4 meses. E o resto do ano? "Vigiar bandeira" não engrandece ninguém! Esses mesmos senhores e senhoras que estarão, dentro em pouco, com o poder de modificar a situação desses "vigias", criando leis, pensando e estruturando projetos e cuidando de nossa cidade, só lembrarão dos "vigias" quando precisarem de guardiões desinformados e paupérrimos para aceitar 30 conto por não terem outra opção de sobrevivência.
Lutemos por Emprego digno e não SUBemprego!!!