Mais (sub)emprego na eleição
Sexta-feira passada estive, no finalzinho da tarde, no centro de João Pessoa. E comecei a reparar algumas situações muito peculiares à essa época de falta... falta de respeito com a população, falta de verdade daqueles que são candidatos, falta da devida fiscalização e, consequentemente, da devida punição.
Como somos literalmente, perturbados por esses carros de som que, além do impacto sonoro desagradabilíssimo, teimam em tumultuar mais ainda um trânsito já saturado e recheado de motoristas "folgados" (O grande mal do trânsito em JP, na minha opinião).
Basta andar na rua, em qualquer uma, e vai lembrar de vários candidatos. Basta olhar para o chão. São "santinhos" que teimam em se amontoar e sujar nossa já esquecida limpeza urbana. E olhe que eu teria mais algumas horas de reclamação contra a EMLUR e a Marquise. Em algumas ruas, quando passa um vento um pouco mais forte, parece velho oeste, aqueles redemoinhos de papel girando, impedindo a visão e fazendo-nos lembrar o quanto nossos candidatos pensam na limpeza da cidade que pleiteam administrar.
Mas o pior não é isso. Aliás, tenho minhas dúvidas do que é pior. Em um dos sinais, havia aquelas bandeiras de campanha. E, na "vigilância" delas, algumas pessoas. Umas conversando entre si. Outras mexendo no celular. A maioria totalmente entediada, com aquele olhar vazio de quem apenas espera terminar seu "turno". Sempre tive curiosidade e dessa vez resolvi perguntar. Cheguei perto de uma senhora, tinha uns 50 anos. Enrolei um pouco, conversei um bucadinho e mandei: "quanto vocês ganham pra ficar aqui?". Ela, sem receio, respondeu: "O ...... (nome do candidato) paga 30 conto por dia. Mas ..... (outro candidato) tá pagando 35 no dia e 30 na noite". Fechei a conversa e sai pensando no emprego daquela senhora. Mas definitivamente, empregar o nome EMPREGO para aquele tipo de serviço é muita ousadia. É um atentado à mínima inteligência. Aquilo é um Trabalho, dos mais condizentes com a origem do termo (Trabalho vem de Tripalium, antigo instrumento de tortura). E, ampliando um pouco mais a análise, consegue-se imaginar a "massa" de pessoas que são SUBempregadas nesse exemplo, dos mais tristes, do que vem a ser um trabalho sem conteúdo. São horas em pé, sem condições mínimas de higiene, de satisfação das necessidades básicas (Fome, sede...), sem direitos garantidos (vulgo Carteira Assinada) e em uma função que não estimula o mínimo desenvolvimento intectual. Não há satisfação! Alguns já podem mandar um: "Pelo menos eles estão recebendo. Se não tivesse isso, estariam passando fome". Assumamos então, que a vida seja feita de, cada vez mais, menos pessoas com oportunidades de uma vida minimamente digna. Falei digna; não rica! As pessoas deveriam ter um emprego, mesmo que não estivesse no hall dos mais bem pagos legalmente (ou roubados, ilegalmente!). E que fosse fixo, certo, e não apenas 3 ou 4 meses. E o resto do ano? "Vigiar bandeira" não engrandece ninguém! Esses mesmos senhores e senhoras que estarão, dentro em pouco, com o poder de modificar a situação desses "vigias", criando leis, pensando e estruturando projetos e cuidando de nossa cidade, só lembrarão dos "vigias" quando precisarem de guardiões desinformados e paupérrimos para aceitar 30 conto por não terem outra opção de sobrevivência.
Lutemos por Emprego digno e não SUBemprego!!!
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