sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ELA CHEGOU E JÁ FEZ MORADA

Por vezes, fico me questionando se não seria bom para João Pessoa investimentos intensivos no turismo. Como temos tanta paisagem natural, tanta cultura, culinária própria e não evoluímos exponencialmente no número de visitantes? Tudo bem que percebemos, a cada verão, um aumento na população transitória de nossa cidade, mas nada comparada aos vizinhos Recife e Natal.
Na mesma hora, um pensamento cauteloso me surge: Não devemos incentivar esse Turismo! Estamos bem assim, vivemos bem aqui. A abertura do mercado turístico tem suas vantagens, mas traz a reboque, uma série de mazelas. Prostituição e aumento dos preços dos serviços, que o diga Natal. Aglomerações excessivas de pessoas, como no centro de Recife. Violência, como se observa em... João Pessoa! É, ela veio chegando e fez morada definitiva em nossa pacata Cidade de Nossa Senhora das Neves.
O Mapa da Violência 2012 (http://mapadaviolencia.org.br), construído pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos - CEBELA, leva em conta os dados de homicídios e acidentes de trânsito até o ano de 2010. Nele, algumas surpresas chamam a atenção, como a redução brusca de homicídios em cidades historicamente líderes fúnebres de tal estatística. De outro lado, as até então posicionadas no chamado "rabo da gata" pleiteiam as cabeças de uma tabela na qual os últimos são os primeiros, os de melhores índices no que tange à violência.
Positivamente, Recife, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo, tiveram seus índices reduzidos de forma quase inimaginável. Nossa visita Pernambucana, reduziu entre 2000 e 2010 a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes em 68,54%. Vitória, assídua frequentadora das primeiras posições, nos anos anteriores, inclusive em primeiro, hoje ocupa a posição 52. Rio de Janeiro, do tráfico, dos latrocínios, "Rio 40 graus.. purgatório da beleza e do caos", o próprio, reduziu de 2008 a 2010 essa mesma taxa de homicídios em 24,4%. Redução que sobe para 133% se compararmos 2000 e 2010. E São paulo, o que falar? Dizer que sua população aumentou 7,28% na última década com um incremento de quase 1 milhão de moradores serve? Se a população aumenta, os homicídios... diminuem! Nesse mesmo período, a taxa de homicídios para cada 100 mil hab. teve uma redução de 400%. Quatrocentos por cento, para vocês não acharem que digitei errado. Eles saíram da quarta posição para a vigésima sétima.
E onde fica João Pessoa nisso tudo? Com o "honroso" segundo lugar entre as capitais Brasileiras, atrás apenas de Maceió, que sempre foi péssima em qualquer número que reflita as consequências de desigualdades sociais, tal forte no estado de Alagoas. A cada 100 mil pessoenses, 80 foram assassinados em 2010. Há de se relatar que nossa população aumentou de 2000 a 2010, cerca de 17,4%. Nada que justifique um aumento de 52,93% na fatídica taxa Homicídios/100 mil hab. no mesmo péríodo. A título de comparação, em 2000 nós estávamos na 13ª posição. Fizemos o caminho inverso, em posições, da nossa seleção brasileira de futebol, que em outubro de 2007 era a 2ª colocada no ranking da FIFA e agora, outubro de 2012, é a 13ª. Só que lá, isso não afeta nem tira a vida de ninguém, pelo menos diretamente.
Tenho ótimas lembranças ainda de João Pessoa quando era tranquila. Brincávamos na rua até meia-noite, sem maiores preocupações. Andávamos de bicicleta sozinhos. Tráfico era quase um neologismo. Quase se escutava a palavra, já se pensava: "Você não quis dizer tráfego?". Atualmente, as duas estão mais que presentes em nosso dicionário e em negrito.
Não quero sentenciar o Turismo como único réu, mesmo não sendo confesso, de tal cenário. Mas a cadeia do turismo engloba vértices não salutares. Turismo traz gringos, que vem com muito dinheiro, e querem prostituição, drogas etc. Mas fica minha reflexão sobre tais assuntos. E espero que todos possam discutir mais essas questões e buscar, cada vez mais, bases para formar suas idéias e defender suas posições. A minha é: "DEIXA O TURISMO DO JEITO QUE ESTÁ"

terça-feira, 9 de outubro de 2012

UM TEXTO DAQUELES

Hoje iria comentar sobre os 20 dias que teremos a mais de sujeira nas ruas com aqueles "santinhos" (caberia muito mais "diabinhos"), de dificuldades ainda maiores no trânsito por causa das "tartarugas-de-som" camufladas de carros-de-som, responsáveis pela poluição sonora estressante em nossa cidade, mais 20 dias de show de horrores, mentirinhas e acusações mútuas na televisão e no radio. Enfim, dessa mesmice que se repete a cada dois anos, mas que nos irrita cada vez mais. Tomara que a irritação seja sinal de conscientização política!
Mas, recebi hoje pela manhã um e-mail com um texto daqueles. Aqueles que trazem muita coisa que gostaríamos de falar ou escrever. Aqueles carregados de sentimento, nos quais você quase consegue ver o autor e suas expressões faciais e corporais no momento da escrita. Aqueles textos que são tão rebuscados e ao mesmo tempo, simples. Textos como esse, devem ser difundidos, amplamente repassados, "curtidos" muito mais do que as fotos que são disponibilizadas em sites de relacionamento.

Em maio, a PresidentE (Com 'E' mesmo, como sempre achei correto) Dilma lançou o Projeto Brasil Carinhoso. Justamente no Dia das Mães. Nada mais marqueteiro do que isso! Em um texto fantástico, a senhora Martha Pannunzio, professora aposentada, faz duras críticas ao Programa e a diversas outras atitudes do governo e, especificamente, de nossa PresidentE. Copiei ipsis literis seu texto abaixo. É bem grande, especialmente para os padrões normais de um blog, mas garanto: vale muito à pena ler!!!


BRASIL  CARINHOSO
Bom dia, dona Dilma!
Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO.

Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor, senhora presidentA!  É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.

Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza, reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para engordar sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano quinquenal engenhoso de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.

É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a plateia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.

Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura,  bastante politizada, marxista, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do quanto pior, melhor. São discricionários, praticantes do bullying mais indecente da História do Brasil.

Em 1988 a Assembleia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a lei*.  Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição, enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei,menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro quente, para não deixar dúvida d e que são mal-nascidos. Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza, publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação. Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual, empresarial, cultural e política do País. A Câmara Federal endoidou?  O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma?  Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!

Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes, é disto que o Brasil precisa. Para ontem.  De ensino técnico, profissionalizante. Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do ensino médio incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal de um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe calcular juros.  Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar o ferro de passar roupa. Não é capaz de fritar um ovo. O estudante e a estudantA  brasileiros só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste. Nossos meninos e jovens leem (quando leem), mas não compreendem o que leram.  Estamos na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque domino o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública mineira, por opção política e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus professores. A educação de Minas é uma vergonha, a senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque confirma o que estou informando.

Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel Brizola. Convide o senador Cristovam Buarque para um café-amigo, mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.

A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente.  Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado, sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis, para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em instalações individuais para um máximo de quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa. De zero a dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula  dá pra chegar num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende do ponto de vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser feita por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha mais, consome mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para as burras dos  governos. Vale à pena investir mais em educação do que em caridade, pelo menos assim penso eu, materialista convicta.

Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela. Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade, apenas para a senhora saber com quem está falando.

Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida é para que não lhe falte discernimento, saúde nem coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada é o seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim, precisado de muito amadurecimento e aprendizado. O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio e a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo.  Sou  fazendeira e ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a sensatez.  Deixe o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília, bem instalados e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o processo eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é os outros. A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidentA do Brasil, e não a presidentA de um partidinho de aluguel, qualquer.       
Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro. Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos, sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo tendencioso, refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.

A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa, BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda institucional feita incessantemente pelo governo petista na última década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada, que entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis, se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e brasileira vão ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à delinquência e às drogas.

Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar da pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes ainda está na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a obrigação de votar e o direito de votar e ser  votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social, alienada  e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão, pronto para depositar um voto na urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar, est a foi a escolha de vocês.

A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista, burro-de-carga  brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais. Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou niente?  Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada de capital.  Democracia é isto, minha cara. Transparência. Não ofende. Não dói.

Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE.  Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim, francês e português. Por favor, corrija esta informação.

Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora nunca saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente para que alguém, ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.

Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda. R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem tem em casa uma criança de zero a seis anos, é uma esmolinha bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma? Carinho de presidentA da república do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma campanha institucional a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já produziu dois filhos. É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula, do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.

Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não. Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos desonestos, chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa ignara. Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos, excluídos? Os miseráveis são.  Mas votam, como qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.

A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social. Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas, a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!

Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia para sustentar a máquina extraviada do governo petista.

Último lembrete: a pobreza é uma consequência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.
Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de protestar, sabe por quê? Porque, de cada delírio seu, quem paga a conta sou eu.

Atenciosamente,
Martha de Freitas Azevedo Pannunzio
Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012  
marthapannunzio@hotmail.com        CPF nº 394172806-78

OBS.:- foi entregue em mãos à PRESIDENTE

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

EDUCAÇÃO: MELHORAMOS???

Um grande estudo realizado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e divulgado no mês passado revela que, quantitativamente, o Brasil evoluiu seus indicadores de investimento em educação. O estudo envolve os 34 países que compõem a OCDE mais Brasil, Argentina, Índia, Indonésia, China, Arábia Saudita, África do Sul e Rússia.
O problema está no foco da lupa! Olhar apenas para o Brasil é esquecer-se que o mundo tem vislumbrado a educação como saída para diversos problemas atuais e futuros. Assim como o Brasil o tem, mas apenas na esfera do discurso. A operacionalização das falas está em uma proporção muito menor. Fala-se e pensa-se muito; age-se pouco! Quando comparado com os demais países, nossa avaliação é deplorável, para não dizer ridícula, ou mesmo criminosa.
Os dados apenas analtecem o que se tem de melhor no país quanto à educação: Verbas mal investidas, sem planejamento e com excesso de desvios. Evoluímos, é verdade, no montante investido. O salto no gasto por aluno nos ensinos primário e secundário foi de 149% entre 2005 e 2009. E o que se tem visto nas escolas que demonstre essa evolução? E sabe onde ficamos entre os países avaliados na pesquisa? Em quinto... de trás pra frente. Nosso investimento por aluno é, na média, um quarto da média do investimento dos países da OCDE. Se passarmos para o ensino superior... huuun... nosso investimento por aluno foi reduzido, nesse período de 5 anos, em 2%. Somos o 23º nesse quesito, de um total de 29 países.
Lutamos com o brio de visionários "nostradâmicos" para exigir que o Brasil invista 10% do PIB em educação, prevendo o que é Déjàvu em outros países: a educação é a instância que pode modificar e fortalecer um país. Uma luta movida, principalmente, por estudantes, professores e funcionários das Instituições Federais de Ensino, as Universidades. E sabe quanto dos grandiosos 5,55% do PIB investidos atualmente em educação no Brasil vão para o ensino superior?... 0,8%. Talvez por escrito pareça mais... zero virgula oito por cento. E ainda temos que escutar o Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, falar que o Projeto de Lei que trata da Reestruturação da Carreira Docente, enviado sem acordo com os professores, valoriza a qualificação. Como, Vossa Excelência, cobrar qualificação se o governo não vê qualidade no ensino superior? Só um aparte, ainda patinaremos muito, enquanto tivermos Ministros indicados por interesse político e não por competência técnica para a cadeira. Mas há pesquisa nas Universidades, não é? Há, sim senhor. Bancadas por estratosféricos 0,04% do PIB nacional. Nesse quesito, somos o derradeiro, o "fim de rama", estamos "no rabo da gata". O brasil é o pais que menos investe em Pesquisa e Desenvolvimento.
Enfim, não há nada tão ruim que não possa ser piorado. E o Brasil sabe disso muito bem. E tem trabalhado para piorar cada vez mais nossa educação. Andamos na contramão, mesmo sabendo o sentido ideal. Fazemos questão de fechar os olhos para o descaso com escolas, professores, material didático, laboratórios. Ainda achamos que escola pública é de graça. E por isso, não participamos das discussões sobre projetos pedagógicos, sobre melhorias nas escolas e por aí vai até chegar na inércia que a sociedade Brasileira vendo como normal um professor do ensino fundamental de São Paulo tenha rendimento anual de U$ 10,6 mil. Isso representa 10% do que ganha um professor equivalente na Suíça. Aí você pode questionar: "Mas a Suíça é diferente". Então, vamos esquecer toda esse papo e deixar tudo como está, afinal, somos Brasil e Brasil não muda. Prefiro pensar diferente!!!
Na contra-mão do Brasil - que anda na contramão do desenvolvimento - várias iniciativas, mesmo que tendo um viés corporativo, trabalham o desenvolvimento da educação, na percepção de qualidades e áreas de interesse desde os anos inciais do ensino. Segue o link de uma dessas iniciativas. É desenvolvido por uma Empresa, mas mostra o grande abismo que nos separa dos demais países analisados na pesquisa da OCDE. Um acidente geográfico que se chama Grand Canyon Educação.
http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/1162302-empresas-tentam-convencer-adolescentes-a-estudar-tecnologia.shtml