EDUCAÇÃO: MELHORAMOS???
Um grande estudo realizado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e divulgado no mês passado revela que, quantitativamente, o Brasil evoluiu seus indicadores de investimento em educação. O estudo envolve os 34 países que compõem a OCDE mais Brasil, Argentina, Índia, Indonésia, China, Arábia Saudita, África do Sul e Rússia.
O problema está no foco da lupa! Olhar apenas para o Brasil é esquecer-se que o mundo tem vislumbrado a educação como saída para diversos problemas atuais e futuros. Assim como o Brasil o tem, mas apenas na esfera do discurso. A operacionalização das falas está em uma proporção muito menor. Fala-se e pensa-se muito; age-se pouco! Quando comparado com os demais países, nossa avaliação é deplorável, para não dizer ridícula, ou mesmo criminosa.
Os dados apenas analtecem o que se tem de melhor no país quanto à educação: Verbas mal investidas, sem planejamento e com excesso de desvios. Evoluímos, é verdade, no montante investido. O salto no gasto por aluno nos ensinos primário e secundário foi de 149% entre 2005 e 2009. E o que se tem visto nas escolas que demonstre essa evolução? E sabe onde ficamos entre os países avaliados na pesquisa? Em quinto... de trás pra frente. Nosso investimento por aluno é, na média, um quarto da média do investimento dos países da OCDE. Se passarmos para o ensino superior... huuun... nosso investimento por aluno foi reduzido, nesse período de 5 anos, em 2%. Somos o 23º nesse quesito, de um total de 29 países.
Lutamos com o brio de visionários "nostradâmicos" para exigir que o Brasil invista 10% do PIB em educação, prevendo o que é Déjàvu em outros países: a educação é a instância que pode modificar e fortalecer um país. Uma luta movida, principalmente, por estudantes, professores e funcionários das Instituições Federais de Ensino, as Universidades. E sabe quanto dos grandiosos 5,55% do PIB investidos atualmente em educação no Brasil vão para o ensino superior?... 0,8%. Talvez por escrito pareça mais... zero virgula oito por cento. E ainda temos que escutar o Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, falar que o Projeto de Lei que trata da Reestruturação da Carreira Docente, enviado sem acordo com os professores, valoriza a qualificação. Como, Vossa Excelência, cobrar qualificação se o governo não vê qualidade no ensino superior? Só um aparte, ainda patinaremos muito, enquanto tivermos Ministros indicados por interesse político e não por competência técnica para a cadeira. Mas há pesquisa nas Universidades, não é? Há, sim senhor. Bancadas por estratosféricos 0,04% do PIB nacional. Nesse quesito, somos o derradeiro, o "fim de rama", estamos "no rabo da gata". O brasil é o pais que menos investe em Pesquisa e Desenvolvimento.
Enfim, não há nada tão ruim que não possa ser piorado. E o Brasil sabe disso muito bem. E tem trabalhado para piorar cada vez mais nossa educação. Andamos na contramão, mesmo sabendo o sentido ideal. Fazemos questão de fechar os olhos para o descaso com escolas, professores, material didático, laboratórios. Ainda achamos que escola pública é de graça. E por isso, não participamos das discussões sobre projetos pedagógicos, sobre melhorias nas escolas e por aí vai até chegar na inércia que a sociedade Brasileira vendo como normal um professor do ensino fundamental de São Paulo tenha rendimento anual de U$ 10,6 mil. Isso representa 10% do que ganha um professor equivalente na Suíça. Aí você pode questionar: "Mas a Suíça é diferente". Então, vamos esquecer toda esse papo e deixar tudo como está, afinal, somos Brasil e Brasil não muda. Prefiro pensar diferente!!!
Na contra-mão do Brasil - que anda na contramão do desenvolvimento - várias iniciativas, mesmo que tendo um viés corporativo, trabalham o desenvolvimento da educação, na percepção de qualidades e áreas de interesse desde os anos inciais do ensino. Segue o link de uma dessas iniciativas. É desenvolvido por uma Empresa, mas mostra o grande abismo que nos separa dos demais países analisados na pesquisa da OCDE. Um acidente geográfico que se chama Grand Canyon Educação.
http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/1162302-empresas-tentam-convencer-adolescentes-a-estudar-tecnologia.shtml
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