MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EMOCIONAIS
Existe uma frase muito comentada em Curitiba quando se fala em mudanças climáticas: "Aqui, em um mesmo dia, se passa pelas quatro estações". O que denota variações muito rápidas no clima. Posso afirmar que também passei por isso. Só que no campo emocional.
Acho que todos já ouviram falar de Miguel Nicolelis. Inclusive ele tem aparecido com bem mais frequência na mídia devido à sua afirmação de que a abertura oficial da Copa de 2014 será feita por um tetraplégico vestindo um "exoesqueleto". Ele esteve aqui na UFPB ontem, dia 25/03, reabrindo o Fórum Universitário. Um evento que há seis anos estava desativado e agora, na gestão da Reitora Margareth é retomado.
Mas vamos aos fatos... A abertura estava marcada para 19:30h. Eu cheguei às 19 horas, já para não correr o risco de não achar lugar. Afinal, meia hora de antecedência em uma país no qual atrasos fazem parte da programação oficial de qualquer evento, seria uma margem bem adequada. Aí começa minha alegria. Gente, às 19 horas o auditório estava lotaaaaaaado. Além das poltronas fixas, havia diversas cadeiras de plástico espalhadas pelo auditório da Reitoria. Como é bom ver que a Comunidade Universitária começa a se fazer presente nos eventos da UFPB. Isso motiva bastante! A sensação que tive, quando cheguei e vi aquele cenário foi de contentamento. Poxa, faço parte de uma entidade que forma pessoas, molda personalidades, uma entidade de pessoas interessadas em partilhar conhecimentos e aprender um pouco mais, sempre. Claro que isso passa muito rapidamente pela sua cabeça. E comecei a ver que havia vários grupos de alunos, pessoas ainda com mochila nas costas, provavelmente, saindo de suas aulas. Alguns professores conhecidos. Enfim, nada melhor do que a participação de todos os atores que constroem e participam da Universidade no FÓRUM Universitário. E é FÓRUM mesmo, em caixa alta, pois isso é o que me fez sair de um estado de completa satisfação, para uma sensação de que algumas coisas continuam do jeito que sempre foram, um "mais do mesmo" que pra mim foi um "demais do mesmo".
Passada a euforia, opa, ora de tentar achar um lugar para sentar e aguardar a Abertura do Evento e as palavras de Nicolelis. Por sinal, já havia assistido outra palestra dele e gostado muito. Pela forma como se expressa e como fala sobre o aspecto social que nós, como Universidade, temos de ter.
Naquela busca por um única poltrona desocupada, em meio a tanta gente em movimento. É gente se acomodando, gente se levantando, abraça um, abraça outro, barulho. Achar uma vaguinha era quase como estacionar o carro no centro da cidade. Desafio de paciência. Mas, mesmo assim, pensava comigo "se eles chegaram antes, têm mais direto do que eu". E tome procurar!!!
Achei! Olha, vários lugares. Gente, havia várias poltronas vazias. Vazias na frente, porque atrás "RESERVADO". Isso já elevou minha temperatura interna, circulação sanguínea, enfim, já comecei a imaginar o que não queria ouvir. Fui até uma das meninas que faziam parte do cerimonia e questionei "Essa reserva é para quem?", ao que uma menina muito sorridente, respondeu "Para a reitora e os pró-reitores". Puxei na memória e lhe perguntei "todas essas vagas? Mas só temos 7 pró-reitorias". E ela respondeu, ainda sorrindo, mas já meio sem graça "é, mas está reservado". Já está reservado? Aí eu cheguei ao outro extremo que havia lhes falado. Foi como sair, em Curitiba, do Verão para o Inverno, em cerca de 10 minutos.
Por alto, devia haver 1/6 das poltronas reservadas. A capacidade do auditório é de 340 pessoas. Então, cerca de 50 poltronas reservadas. Agora eu retorno ao termo FÓRUM. Buscando em um dicionários encontra-se:
1. Local destinado à discussão pública;
2. Um tema mestre é abordado numa reunião menos formal, onde há livre manifestação de idéias e
interação entre palestrantes e público
3. Reunião ou local de reunião sobre tema específico ou para debate público
Dentre todas as formas de aglomeração para discussão, como seminário, congresso, workshop, encontro, painél, plenária etc., fórum é, sem sombra de dúvidas, a mais democrática, a que deve ser mais igualitária, na qual todos se equiparam, os que sabem muito sobre o tema, os que sabem pouco ou nada. Aí eu pergunto "ser igualitário é reservar 50 poltronas para o alto escalão administrativo da UFPB, quando diversos alunos, professores, funcionários e demais participantes ficam em pé? E pra piorar, tendo estes chegado antes dos pró-reitores.
Os fantasmas da aristocracia parecem emergir nesses momentos e consumir tudo o que de bom grado e melhor intenção tenha sido construído. Com isso, vai-se criando a cultura da segregação e dos privilégios. Algo que nós, como Universidade Pública deveríamos combater ferrenhamente.
Após isso, "peguei a viola, juntei na sacola" e fui pra casa.. já estava em um inverno de - 15°.
Um espaço para opiniões pessoais sobre assuntos variados relacionados a educação, trabalho, política, reclamações de nossa cidade e país, algumas reflexões e, é claro... Flamengo.
quarta-feira, 27 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
PIADA DE MAL GOSTO EM NÚMEROS
A força que os dados demonstram sempre é um álibi
irrefutável. Quando se quer exprimir discrepâncias, diferenças absurdas e até
mesmo absurdos, recorre-se aos argumentos quantitativos. O que quero demonstrar
não é novidade para ninguém, infelizmente. Somos afluentes dos rios de dinheiro
que nossos parlamentares tomam banho ou, na linguagem mais agro, dos rios que
eles irrigam suas fortunas.
Vamos às cenas de horror...
A cada legislatura,
um senador pode fazer reformas em seu gabinete ou apartamento – diga-se de
passagem, que pertence a União – no valor de quase R$ 61 mil. Com esse valor
daria para construir 16 casa populares e ainda sobrava um trocado pro
refrigerante. E casa que seriam ocupadas por uma família. Muitos desses
senadores não se mudam para Brasília. Continuam, com sua casa em sua cidade de
origem.
Entre contatos de telefonia móvel (isso mesmo, pagamos para
eles ligarem!), interligações telefônicas dos blocos de apartamentos que os
senhores senadores moram – aqueles mesmos que já têm 61 mil para reforma – e telefonia
fixa dos gabinetes, foram gastos irrisórios 11 milhões e 54 mil reais
E gastar 2 milhões 876 mil reais com suprimentos para
impressora. Só impressoras, hein!? E pensar que uma recarga de cartucho de
tinta preta é feito por R$ 25.
Pergunto: qual empresa privada funcionaria com 85% de seu
orçamento dedicado ao pagamento de funcionários e suas despesas??? Pois essa é
a parcela do nosso senado. Eles ainda fizeram uma verdadeira “Mobilização
midiática” para divulgar que haviam cancelado os 14º e 15º salários. E o
salário que ganham para fazer a mudança para Brasília? Esse ninguém quer
cancelar. Aproveitando o nome do blog, vamos a um “mais do mesmo” (Legião
Urbana) ou “variações do mesmo tema sem sair do tom” (Paralamas do Sucesso)...
com horas-extra gasta-se 7 milhões 677 mil reais. Quantos trabalhadores no
Brasil trabalham além da carga estabelecida em contrato, ou seja, fazem
hora-extra, e não recebem por isso?
E a saúde, senador, vai bem? Se não vai, não tem problema,
cada senador tem direito a ser reembolsado de todas as despesas com tratamento
médico, conforme relatou o Jornal Primeira edição. E são TODOS,
senadores e ex-senadores. Os atuais não possuem limite de gastos. Já os
ex-senadores SÓ podem ser reembolsados até R$ 33 mil. Como vai gastar isso tudo
em um ano? Calma, o senado já achou a solução para isso. Além do “beneficiário”,
seu companheiro (a), filhos, enteados e pais podem “mamar” nessa teta gorda.
Assim fica mais fácil gastar 33 mil. E tem mais... eles podem escolher qualquer
médico. Você aí, leitor, no seu plano de saúde, pode escolher qualquer um ou
ele deve estar, no mínimo, credenciado junto ao plano?
Totalizando a “poiva” – como nós nordestinos chamamos alguém
que come e bebe sem pagar nada, somente com o dinheiro dos outros – o senado
federal custou aos cofres públicos, segundo a Revista VEJA de 26/02, cerca de
3.300.000.000,00 de reais. Se perdeu nos zeros? Então, meu amigo, são 3,3
BILHÕES, solamente! Sabe a Paraíba, o Estado? O orçamento do senado é um terço
do orçamento da Paraíba inteira.
Brincadeirinha de mal gosto, não é? Sabe o que é pior? Não é
brincadeira! Agora sim, pode começar a rir!
Assinar:
Comentários (Atom)