ANO NOVO – RESULTADO VELHO
Hoje recebi a incumbência paternal de publicar um texto escrito por ele, meu pai.
Como sempre acho interessantes os textos que escreve - incluindo sua biografia chamada "Rastros do meu caminho" - resolvi aceitar a proposição. Segue o texto por ele escrito...
Já faz parte da cultura tupiniquim a noticia “brincalhona”
de que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval.
Toda essa “aberração temporal” deve ser creditada ao
jeitinho brasileiro, cantado e decantado por quem não precisa enfrentar –
diuturnamente – uma jornada de trabalho dura, massacrante e, muitas vezes, no
limite do humanamente tolerável. Esforço esse necessário para garantir a
sobrevivência própria e de seus familiares.
Faço este comentário, para confirmar que fiz parte, nos meus
32 anos de vida ativa, desse grupo de brasileiros para os quais o ano começa,
sim, em primeiro de janeiro – “dia de ano”.
Todavia, para colaborar com a teoria de “o samba do crioulo
doido”, arrisco-me a afirmar que 2014 não começará. E por quê? Ora, é uma
lógica franciscana. Como o Carnaval já enforcou fevereiro e ao findar o reinado
de momo, todo mundo já avista o folguedo
junino, que traz em seu bojo a festa “padrão FIFA” Copa do mundo. E, como somos
o país do futebol, pra que começar algo
agora!
Terminada a copa, avizinha-se outubro, mais ou menos 90 dias
e... surge a eleição. Haveria clima para se iniciar alguma coisa séria? Claro
que não! É hora, sim, de colocar a campanha no “trem bala” e o povão curtir os
showmícios, carreatas e outros que tais, até para seguir ensinamentos da
ex-ministra do turismo, que aconselhou aos estressados: “relaxa e goza”.
Depois de outubro... aí, como ninguém é de ferro, já
estamos em pleno período natalino.
Dessa maneira, seria de bom alvitre apelar para os nossos historiadores contemporâneos que
publiquem o livro: “2014 O ANO QUE NÃO COMEÇOU”.

