segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ANO NOVO – RESULTADO VELHO

Hoje recebi a incumbência paternal de publicar um texto escrito por ele, meu pai. 

Como sempre acho interessantes os textos que escreve - incluindo sua biografia chamada "Rastros do meu caminho" - resolvi aceitar a proposição. Segue o texto por ele escrito...

Já faz parte da cultura tupiniquim a noticia “brincalhona” de que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval.
Toda essa “aberração temporal” deve ser creditada ao jeitinho brasileiro, cantado e decantado por quem não precisa enfrentar – diuturnamente – uma jornada de trabalho dura, massacrante e, muitas vezes, no limite do humanamente tolerável. Esforço esse necessário para garantir a sobrevivência própria e de seus familiares.
Faço este comentário, para confirmar que fiz parte, nos meus 32 anos de vida ativa, desse grupo de brasileiros para os quais o ano começa, sim, em primeiro de janeiro – “dia de ano”.
Todavia, para colaborar com a teoria de “o samba do crioulo doido”, arrisco-me a afirmar que 2014 não começará. E por quê? Ora, é uma lógica franciscana. Como o Carnaval já enforcou fevereiro e ao findar o reinado de momo, todo mundo já avista  o folguedo junino, que traz em seu bojo a festa “padrão FIFA” Copa do mundo. E, como somos o país do futebol,  pra que começar algo agora!
Terminada a copa, avizinha-se outubro, mais ou menos 90 dias e... surge a eleição. Haveria clima para se iniciar alguma coisa séria? Claro que não! É hora, sim, de colocar a campanha no “trem bala” e o povão curtir os showmícios, carreatas e outros que tais, até para seguir ensinamentos da ex-ministra do turismo, que aconselhou aos estressados: “relaxa e goza”.
Depois de outubro... aí, como ninguém é de ferro, já estamos  em pleno  período natalino.

Dessa maneira, seria de bom alvitre apelar para  os nossos historiadores contemporâneos que publiquem o livro: “2014 O ANO QUE NÃO COMEÇOU”.

domingo, 12 de janeiro de 2014

E O TRABALHADOR?

É impressionante como vários conceitos têm surgido, acompanhados por preocupações e conscientizações das mais diversas. E, no meio dessa vanguarda de conceitos, a preocupação com o trabalhador continua arcaica e esquecida.
O MEIO AMBIENTE está em moda. Gestão ambiental, preocupação com resíduos sólidos - com novas leis - reutilização e reaproveitamento são quase que mantras para qualquer empresa ou entidade pública ou privada. A Prefeitura pôs em prática uma ação bastante bem vinda, do ponto de vista ambiental. Instalou em vários pontos de nossas praias, manilhas de concreto (tubos de água e esgoto) que serão utilizados como lixeiros. Muito bom, não é? Reaproveitamento!!!
Aí eu pergunto aos amigos: E como retirar o lixo que está dentro da manilha? Principalmente os que estão mais no fundo? Como o gari fará esse trabalho? Como esse trabalhador trabalhará? Por que ninguém pensa nisso? Achei, sinceramente, uma ação totalmente retrógrada. Várias formas de limpeza de praias bem sucedidas pelo mundo a fora e nada de bom é copiado.
Só mais um exemplo dessa despreocupação com o trabalhador. Quando forem a um Shopping, entrem no banheiro e procurem uma torneira, além daquelas que estão nas pias. E pensem, como o pessoal da limpeza joga água no banheiro? Já respondo: desenroscam o sifão das pias e ligam a torneira. Depois que encheram o balde, colocam o sifão de volta. Isso quando o sifão é acessível. Quando não é, eles têm de pegar água em outro lugar, por vezes, tendo que carregar o balde cheio de água. Problema facilmente resolvido com a instalação de uma torneira no banheiro.
Mas a variável TRABALHO ou MANUTENÇÃO sempre as últimas a serem levadas em conta em um projeto... quando o são!!!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

UM NOVO ANO. SERÁ?

Mais um ano que começa... e começa tudo de novo. Gostaria muito de vir aqui, escrever palavras de motivação, de falar de um futuro próximo melhor para todos, enfim, de seguir o tsunami de hipocrisias que surge nessa época.
Mas é, realmente, pra mim, bastante difícil criar cenários positivos, diante de tantos sinais de mesmice. É como jogar tintas claras sobre uma mancha de tinta negra. O ano nem tinha acabado e continuávamos a ver a imensa discrepância que existe em nossa cidade - algo parecido com a grande maioria do restante do país. Enquanto muitos comemoravam o Réveillon, com comidas carísimas, bebidas importadas, roupas luxuosas que, muitas vezes, só são usadas naquela noite, depois vão para o lixo, outros tantos mendigavam comida, qualquer que fosse, pois a fome não escolhe o que a sacia. Outros tantos estavam longe de suas famílias, trabalhando. Isso sempre me chamou muito a atenção. O mesmo acontece no Natal. O filme se repete todo ano, como Loucademia de Polícia na Sessão da Tarde.
E, opa, viramos o ano. Novas esperanças! Bom, se ela é a última que morre, acho que a minha está bem doente há um certo tempo. Não vejo muito perspectiva de que as coisas mudem. Em várias esferas. A educação da população continua quase inexistente. Ainda ontem, vi, enquanto comprava pão, duas pessoas, em carros diferentes, abrirem o vidro do carro e... como há muito se vê... jogarem papel no chão. Como ver esperança de mudança de mentalidade, se todo mundo sabe que é tão simples juntar seu lixo e esperar chegar em casa para colocá-lo em um local adequado?
O trânsito continua o mesmo. Acho que até piorando, pra falar a verdade. Qual a perspectiva de melhorias nos congestionamentos. Vejam a velocidade das ações dos governantes para implementar políticas de incentivo e facilitação de transportes menos poluentes, mais saudáveis, como as bicicletas, por exemplo. Pessoas cada vez mais estressadas, sem senso de coletividade. Para-se onde quiser, simplesmente para atender o celular, sem se preocupar com o restante das pessoas. Estaciona-se onde não é permitido. "Mas é só dois minutinhos". O problema não é tempo; é respeito à coletividade. Se todos respeitássemos as normas, garanto que muita coisa seria melhor no trânsito. Há quanto tempo isso acontace em nossas ruas e avenidas?
2014, meus amigos, se eu falar em POLÍTICA, não cabe a frase "lá vêm eles de novo!"? Por que pensamos assim? Porque estamos fatidicamente acostumados a ver e ouvir promessas que jamais se concretizam. As costureiras estão à todo o vapor confeccionando as peles de cordeiro que os lobos vestirão nesse ano. Governantes esquecem as obrigações e funções para as quais foram eleitos e passam, na maior cara dura, a fazer "campanha". Isso é um absurdo! Mas todo período de eleições isso acontece. Ou estou vendo demais e entendendo de menos? Novamente virão as doações simplórias, 10 mil reais, 200 mil reais em troca de influências, garantias e favorecimentos futuros. A sujeira vai voltar. Aliás, na "entreleição" pode até feder menos, mas a sujeira continua a existir. Não consigo - até me esforço, juro - ver 6, 7 ou 8 políticos que queiram mudar essa sina de roubos, de negligência com saúde, educação, segurança pública, esse não fazer nada e ganhar muito, essa desumanidade que é feita com nós, povo brasileiro. Sinceramente, qual o cenário futuro animador que temos? Algo mudará se Dilma continuar, se Aércio ganhar ou Eduardo Campos? E aqui na PB, ficando Ricardo, voltando Cassio, surgindo Nadia Palitot, alguém espera um bom político, isento de peculato, de prevaricação e todas essas práticas nojentas que vemos há muito tempo?
Sinceramente, depois desse texto (desabafo) acho que minhas esperanças pioraram, foram pra UTI e, dificilmente, ganharão forças novamente.