ONDE ANDA O SOSSEGO?
Um senhor chamado Masaru Ibuka, se estivesse vivo, estaria
se contorcendo de raiva. A criação do walkman se deveu a este senhor, que um
dia acreditou que poderia oferecer às pessoas um som individualizado. Inovação em
uma época na qual só existiam rádios com caixa de som.
Como diversas coisas que existem ou acontecem, atualmente,
questiono-me se não estaríamos, na verdade, regredindo em alguns conceitos.
Como é o caso dos smartphones. Não existe mais opção pelo silêncio em espaços
públicos. Basta você achar que o silencia está chegando que... pronto, lá vem
alguém “portando” algo que toque músicas, como um rádio particular. Mas, se é
interesse particular, por que não coloca um fone de ouvido? Assim, aproveitar-se-ia
daquela inovação criada por Ibuka. Mas
não, é “stile” andar escutando sua música nas alturas. Isso virou normal!
Aqueles “paredões” cada vez mais se tornam elemento
obrigatório de qualquer festa popular. O cara “abre a mala do carro e solta o som”,
como disse um desses cantores-filósofos de banda de forró [de plástico]. Aí,
meu amigo, todo o bairro tem de escutar a música que o bendito dono do carro
está ouvindo.
E sabe o que é pior? Seja dentro do ônibus, com 2 ou três
smartphones tocando músicas diferentes ou nas salas de espera de consultórios
ou nas disputas de carro mais “tocado”, as músicas que tocam são
terríííííííveis. É sempre algo como “Arrocha”, “funk” sem letra, Forró da pior
qualidade e variações do mesmo tema sem sair do tom... desafinado, por sinal.
Como seria bom se regredíssemos às inovações de outrora e
todos que querem curtir sua música, colocassem seus headphones e permitissem
que todos pudessem aproveitar as horas de sua vida da forma que quisessem. Sem
ser obrigados a ouvir aquilo que outrem ouve.
