quinta-feira, 28 de agosto de 2014

ONDE ANDA O SOSSEGO?

Um senhor chamado Masaru Ibuka, se estivesse vivo, estaria se contorcendo de raiva. A criação do walkman se deveu a este senhor, que um dia acreditou que poderia oferecer às pessoas um som individualizado. Inovação em uma época na qual só existiam rádios com caixa de som.

Como diversas coisas que existem ou acontecem, atualmente, questiono-me se não estaríamos, na verdade, regredindo em alguns conceitos. Como é o caso dos smartphones. Não existe mais opção pelo silêncio em espaços públicos. Basta você achar que o silencia está chegando que... pronto, lá vem alguém “portando” algo que toque músicas, como um rádio particular. Mas, se é interesse particular, por que não coloca um fone de ouvido? Assim, aproveitar-se-ia daquela inovação criada por Ibuka.  Mas não, é “stile” andar escutando sua música nas alturas. Isso virou normal!
Aqueles “paredões” cada vez mais se tornam elemento obrigatório de qualquer festa popular. O cara “abre a mala do carro e solta o som”, como disse um desses cantores-filósofos de banda de forró [de plástico]. Aí, meu amigo, todo o bairro tem de escutar a música que o bendito dono do carro está ouvindo.
E sabe o que é pior? Seja dentro do ônibus, com 2 ou três smartphones tocando músicas diferentes ou nas salas de espera de consultórios ou nas disputas de carro mais “tocado”, as músicas que tocam são terríííííííveis. É sempre algo como “Arrocha”, “funk” sem letra, Forró da pior qualidade e variações do mesmo tema sem sair do tom... desafinado, por sinal.

Como seria bom se regredíssemos às inovações de outrora e todos que querem curtir sua música, colocassem seus headphones e permitissem que todos pudessem aproveitar as horas de sua vida da forma que quisessem. Sem ser obrigados a ouvir aquilo que outrem ouve.  

domingo, 17 de agosto de 2014

ISSO É TRADICIONAL?

Ontem estava passando perto do UNIPE - uma faculdade particular aqui de João Pessoa - e estava escrito em um outdoor: "VESTIBULAR TRADICIONAL - ligue e agende sua prova". Aí percebi que, realmente, estou ficando velho e cada vez mais compreendendo menos as lógicas que se criam no mundo.
Na minha época de vestibular, as provas eram em um ou dois dias, todo mundo junto. Era um evento! Marcar pelo telefone? Nem sonhando! Além de estudar para passar, você tinha que planejar, escolher o curso adequado às suas possibilidades. Não dava pra colocar como opção o curso de Direito, se você não tinha estudado muito mesmo durante o ano.
Hoje em dia, o curso de Direito do próprio UNIPE oferece 800 vagas por ano. OI-TO-CEN-TAS vagas, isso mesmo!!! O MEC cobra tanto dos cursos oferecidos pelas Instituições de Ensino Superior federais e estaduais e abre a porteira para as privadas. Ainda corre-se o risco do curso ser fechado ou deixar de receber suas cotas - no caso das Federais - caso a avaliação seja muito baixa em duas avaliações seguidas. Já pelo lado das Privadas, o papo é outro. Elas criam as dívidas, não pagam e ainda recebem ajudinhas generosas, como o perdão de cerça de 12 bilhões de reais no ano de 2012.
O ProUni não é um programa pensado, planejado para inserção de mais pessoas no sistema educacional no 3º grau. Está sendo utilizado como moeda de troca. Nós [Governo] abonamos suas dívidas e vocês ficam "obrigados" a oferecer bolsas ProUni. Assim fica fácil.
O que estamos presenciando nesses últimos anos é uma inversão: os ricos estão indo para as Universidades Públicas e os pobres, para as privadas. E, se continuarmos nessa toada, a coisa tende a se agravar ainda mais. Pouco investimento no ensino público, Universidades mal administradas e sendo, literalmente, roubadas por seus gestores, investimento em faculdades particulares. Tudo isso levará, dentro em pouco, a um dualidade, com pessoas mal capacitadas entrando a fórceps no sistema público de ensino superior, por meio de cotas de todas as variações. E os mais capacitados, os melhores irão para as faculdades. Afinal, só vão pagar a metade e apenas depois que terminar o curso.
Pra mim, tradicional passa longe do que temos hoje. Que saudade do tempo de Vestibular!!!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

VIAJAR É UMA VIAGEM!

“O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim, a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”
Essa frase é de Cora Coralina, escritora Goiana, que nasceu na cidade de Goiás. Isso mesmo, uma cidade que se chama Goiás ou, como preferem os goianos, Goiás Velho. Essa foi uma das descobertas que fiz nessa minha última viagem. Já que a idéia é semear, semeei mais amizades. Entre elas, algumas pessoas de Goiás, a cidade.
Toda viagem é uma colheita, realmente. Isso é, se você se dispõe a colher. Por menor que seja a distância, todos somos modificados quando saímos de nosso conforto, de nossa fortaleza e entramos em terrenos novos, novas tradições, novas culturas, mesmo que sejam antigos culturas. Como é o caso de Paraty, cidade do Rio de Janeiro que conheci. Guarda uma história grande, como as pedras que forram o chão do seu centro histórico. Não tão bonita, afinal, muito da escravidão brasileira por alí passou. Mas os resquícios de uma época romântica podem ser sentidos em sua arquitetura, sua culinária, enfim, nos casarões que abrigam, além de nostalgia, uma contemporaneidade. O atual fica por conta da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

E aí entra parte do meu desafio nessa empreitada turística. Ter uma formação em ciências exatas e me aventurar no campo da literatura. Mas... pense numa aventura massa! Algumas coisas, confesso, eram de difícil compreensão. Mas algumas mesas redondas foram bem interessantes. Acho que a gente precisa, ás vezes, abrir nossas percepções e tentar absorver conhecimentos de outras “praias” para aumentar nosso repertório mental. Vi palestras interessantes de Cacá Diegues, um dos maiores cineastas brasileiros e de Fernanda Montenegro . E fiquei impressionado como há tanta coisa a ser aproveitada em livros que não são, a princípio de minha área de conhecimento. Fora, a surpresa de ver paraibanos presentes na Feira. 

Sejam amigas, sejam desconhecidos, quase vizinhos – agora conhecidos – ou mesmo expositores ambulantes. Quanta alegria me deu ver que nossa cultura também encanta uma multidão de pessoas que curtem literatura. E mais, como é bom ver crianças procurando livros para ler e presenciar diálogos como o de um menino de cerca de 10 anos com sua mãe, dentro da biblioteca-loja da FLIP:
“Mãe, mas esses dois do Millôr [Fernandes] eu já li. Tem outro dele?”

É... às vezes ainda dá pra acreditar que uma nova geração venha a se tornar a GERAÇÃO BRASIL de verdade e não seja manipulado por essa geração brasil de mentirinha ou que tenha que conviver com esses Boogies oogie's da vida.
As conversas, os lugares, as dificuldades, as surpresas, tudo faz parte de uma memória que jamais se apagará. Isso, por si só, já vale a viagem. Conviver, em um Hostel com argentinos, franceses, americanos, paulistas, goianos, alagoanos preenche sua vida de experiências que, com certeza, lhe servirão mais à frente. Digo, já valeria a viagem, porque ainda não acabou. Pra um grande fã de Samba, poder conhecer uma verdadeira roda no Rio de Janeiro é algo inexplicável e inapagável da memória. Mesmo que seja a minha, completamente reduzida e de curta duração
Mas ainda ficam as fotos, os contatos, as possibilidades de ajudar outros viajantes quando estiverem em nossa região e de ser ajudado quando for os visitar. Esse ciclo de colaboração é impagável. É a demonstração de que a humanidade sempre guardará a nobreza da simplicidade.


E como disse Érico Veríssimo “Existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar”. Seja fugindo ou buscando... VIAJE!