sexta-feira, 8 de agosto de 2014

VIAJAR É UMA VIAGEM!

“O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim, a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”
Essa frase é de Cora Coralina, escritora Goiana, que nasceu na cidade de Goiás. Isso mesmo, uma cidade que se chama Goiás ou, como preferem os goianos, Goiás Velho. Essa foi uma das descobertas que fiz nessa minha última viagem. Já que a idéia é semear, semeei mais amizades. Entre elas, algumas pessoas de Goiás, a cidade.
Toda viagem é uma colheita, realmente. Isso é, se você se dispõe a colher. Por menor que seja a distância, todos somos modificados quando saímos de nosso conforto, de nossa fortaleza e entramos em terrenos novos, novas tradições, novas culturas, mesmo que sejam antigos culturas. Como é o caso de Paraty, cidade do Rio de Janeiro que conheci. Guarda uma história grande, como as pedras que forram o chão do seu centro histórico. Não tão bonita, afinal, muito da escravidão brasileira por alí passou. Mas os resquícios de uma época romântica podem ser sentidos em sua arquitetura, sua culinária, enfim, nos casarões que abrigam, além de nostalgia, uma contemporaneidade. O atual fica por conta da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

E aí entra parte do meu desafio nessa empreitada turística. Ter uma formação em ciências exatas e me aventurar no campo da literatura. Mas... pense numa aventura massa! Algumas coisas, confesso, eram de difícil compreensão. Mas algumas mesas redondas foram bem interessantes. Acho que a gente precisa, ás vezes, abrir nossas percepções e tentar absorver conhecimentos de outras “praias” para aumentar nosso repertório mental. Vi palestras interessantes de Cacá Diegues, um dos maiores cineastas brasileiros e de Fernanda Montenegro . E fiquei impressionado como há tanta coisa a ser aproveitada em livros que não são, a princípio de minha área de conhecimento. Fora, a surpresa de ver paraibanos presentes na Feira. 

Sejam amigas, sejam desconhecidos, quase vizinhos – agora conhecidos – ou mesmo expositores ambulantes. Quanta alegria me deu ver que nossa cultura também encanta uma multidão de pessoas que curtem literatura. E mais, como é bom ver crianças procurando livros para ler e presenciar diálogos como o de um menino de cerca de 10 anos com sua mãe, dentro da biblioteca-loja da FLIP:
“Mãe, mas esses dois do Millôr [Fernandes] eu já li. Tem outro dele?”

É... às vezes ainda dá pra acreditar que uma nova geração venha a se tornar a GERAÇÃO BRASIL de verdade e não seja manipulado por essa geração brasil de mentirinha ou que tenha que conviver com esses Boogies oogie's da vida.
As conversas, os lugares, as dificuldades, as surpresas, tudo faz parte de uma memória que jamais se apagará. Isso, por si só, já vale a viagem. Conviver, em um Hostel com argentinos, franceses, americanos, paulistas, goianos, alagoanos preenche sua vida de experiências que, com certeza, lhe servirão mais à frente. Digo, já valeria a viagem, porque ainda não acabou. Pra um grande fã de Samba, poder conhecer uma verdadeira roda no Rio de Janeiro é algo inexplicável e inapagável da memória. Mesmo que seja a minha, completamente reduzida e de curta duração
Mas ainda ficam as fotos, os contatos, as possibilidades de ajudar outros viajantes quando estiverem em nossa região e de ser ajudado quando for os visitar. Esse ciclo de colaboração é impagável. É a demonstração de que a humanidade sempre guardará a nobreza da simplicidade.


E como disse Érico Veríssimo “Existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar”. Seja fugindo ou buscando... VIAJE!

Nenhum comentário:

Postar um comentário