VIAJAR É UMA VIAGEM!
“O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim, a
caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”
Essa frase é de Cora Coralina, escritora Goiana, que nasceu
na cidade de Goiás. Isso mesmo, uma cidade que se chama Goiás ou, como preferem
os goianos, Goiás Velho. Essa foi uma das descobertas que fiz nessa minha
última viagem. Já que a idéia é semear, semeei mais amizades. Entre elas,
algumas pessoas de Goiás, a cidade.
Toda viagem é uma colheita, realmente. Isso é, se você se
dispõe a colher. Por menor que seja a distância, todos somos modificados quando
saímos de nosso conforto, de nossa fortaleza e entramos em terrenos novos,
novas tradições, novas culturas, mesmo que sejam antigos culturas. Como é o
caso de Paraty, cidade do Rio de Janeiro que conheci. Guarda uma história
grande, como as pedras que forram o chão do seu centro histórico. Não tão bonita,
afinal, muito da escravidão brasileira por alí passou. Mas os resquícios de uma
época romântica podem ser sentidos em sua arquitetura, sua culinária, enfim,
nos casarões que abrigam, além de nostalgia, uma contemporaneidade. O atual
fica por conta da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.
E aí entra parte do meu desafio nessa empreitada turística.
Ter uma formação em ciências exatas e me aventurar no campo da literatura.
Mas... pense numa aventura massa! Algumas coisas, confesso, eram de difícil compreensão.
Mas algumas mesas redondas foram bem interessantes. Acho que a gente precisa,
ás vezes, abrir nossas percepções e tentar absorver conhecimentos de outras
“praias” para aumentar nosso repertório mental. Vi palestras interessantes de
Cacá Diegues, um dos maiores cineastas brasileiros e de Fernanda Montenegro . E
fiquei impressionado como há tanta coisa a ser aproveitada em livros que não
são, a princípio de minha área de conhecimento. Fora, a surpresa de ver
paraibanos presentes na Feira.
Sejam amigas, sejam desconhecidos, quase
vizinhos – agora conhecidos – ou mesmo expositores ambulantes. Quanta alegria
me deu ver que nossa cultura também encanta uma multidão de pessoas que curtem
literatura. E mais, como é bom ver crianças procurando livros para ler e
presenciar diálogos como o de um menino de cerca de 10 anos com sua mãe, dentro
da biblioteca-loja da FLIP:
“Mãe, mas esses dois do Millôr [Fernandes] eu já li. Tem
outro dele?”
É... às vezes ainda dá pra acreditar que uma nova geração
venha a se tornar a GERAÇÃO BRASIL de verdade e não seja manipulado por essa
geração brasil de mentirinha ou que tenha que conviver com esses Boogies oogie's da vida.
As conversas, os lugares, as dificuldades, as surpresas,
tudo faz parte de uma memória que jamais se apagará. Isso, por si só, já vale a
viagem. Conviver, em um Hostel com argentinos, franceses, americanos, paulistas, goianos,
alagoanos preenche sua vida de experiências que, com certeza, lhe servirão mais
à frente. Digo, já valeria a viagem, porque ainda não acabou. Pra um grande fã
de Samba, poder conhecer uma verdadeira roda no Rio de Janeiro é algo
inexplicável e inapagável da memória. Mesmo que seja a minha, completamente
reduzida e de curta duração
Mas ainda ficam as fotos, os contatos, as possibilidades de
ajudar outros viajantes quando estiverem em nossa região e de ser ajudado
quando for os visitar. Esse ciclo de colaboração é impagável. É a demonstração
de que a humanidade sempre guardará a nobreza da simplicidade.
E como disse Érico Veríssimo “Existem dois tipos de
viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar”. Seja fugindo
ou buscando... VIAJE!
Nenhum comentário:
Postar um comentário