segunda-feira, 22 de junho de 2015

A TECNOLOGIA QUE DESUMANIZA

Novidade não é. Acostumando-nos ou não, notícias de estupros e assassinatos - principalmente - são recorrentes em nossos jornais. Neste domingo, mais uma. Um sequestro a duas mulheres e uma criança em João Pessoa. Resultado, uma das mulheres morta, a outra estuprada e bastante ferida. O bebê, encontrado amarrado, também sobreviveu.
Mas meu destaque não é nessa, infeliz, rotina. Quero destacar uma característica que se apossou do ser humano em tempos de facilidade de registro, a desumanidade. Ainda nesse domingo, recebi, em um grupo do Whatsapp, um vídeo sobre o sequestro e estupro. Imaginei que fosse uma reportagem. Ledo engano! Na verdade era uma pessoa - muito provavelmente policial ou socorrista - questionando a mulher que sobreviveu e estava recebendo atendimento, acredito que ainda no local. Na mesma hora parei de ver o vídeo. Mas imagino que a "entrevista" continue. Vejam a que ponto de insanidade chegamos. Diante de todo o ocorrido, da situação da mulher, que devia estar semi-nua, diante de uma atendimento, o cara faz uma filmagem do rosto da mulher. Tanta coisa a ser feita naquele momento e o que o cara decide fazer? Gravar o vídeo, muito provavelmente, para dizer pra todo mundo "aquele vídeo, tu assistiu? Fui eu que gravei!". Do que as pessoas se vangloriam hoje em dia. De ser o mais rápido, de estar no lugar certo, na hora certa, de flagrar qualquer coisa, mesmo que seja um sofrimento humano imensurável. Várias perguntas muito simples me vêm à mente: Perguntar a esse cidadão - se é que se pode chamar assim - se ele aceitaria e gostaria de inverter os papéis. Em uma situação como aquela, se ele gostaria de ser filmado. Outra, o cara fala no vídeo, então, muito facilmente, pode-se saber quem é. Pergunto: a quem estiver subordinado, para quem ele trabalha, algo será feito? Ou se permitirá que um agente público passe a fazer as vezes de urubu, só esperando a carniça para atacar? Tem mais... alguém ainda acredita que as pessoas que fizeram isso (e tantas outras coisas descomunais e infernais) têm correção? Merecem ter o "direito" de ir para a cadeia e se reabilitar? Elas querem? Pena de morte não é o mais adequado?
Eu sinceramente, já perdi a esperança em várias coisas nessa vida. Não sou hipócrita, nem vendo paraíso. Sou factual. Os episódios mostram o final dessa série chamada BRASIL. Prometi que não falaria mais em política. E não vou! Mas em questão de violência e desrespeito, vivemos um caos que não tende a melhorar. A não ser que hajam Revoluções. Sim, mais de uma, em várias esferas. 
Pra começar, poderíamos moralizar o uso de câmeras e celulares. São armas poderosas, quando bem utilizadas. Expor, pelo resto da vida dessa mulher, o sofrimento que ela passou naquele momento, é completa falta de humanidade


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