CONSCIÊNCIA TRANQUILA É O MELHOR REMÉDIO CONTRA INSÔNIA!
Uma perguntinha básica aos amigos estatísticos e àqueles que gostam de relações e análises de representação: 6,54% é uma amostra representativa de um universo? Sem uma avaliação estatística apurada, pode-se dizer que não é representativa. Ou seja, aquilo que se observa na amostra não representa, com grande chance probabilística, as características do universo estudado.
Pois, hoje, cerca de 6,54% dos professores da Universidade Federal da paraíba decidiram manter a greve e são "representantes" de cerca de 2506. Sem contar que esses dados do relatório de 2014 da UFPB. Hoje em dia existem mais professores. Sabe quantos professores votaram no Campus de Areia? 10. Quer que escreva? dez professores. Em Bananeiras, 20 assinaram a lista, mas só 10 votaram. Como assim? Interessante é observar a foto tirada na assembleia do Campus João Pessoa. Bem fechadinha pra não mostrar o quão vazia estava.
Acho que já passou a hora dessa piadinha acabar. As decisões têm de ser um reflexo do que o universo de professores deseja. Já temos condições e instrumentos para fazer votações online. E não apenas obrigar que aqueles que querem votar tenham que assistir essas assembleias que mais parecem um juri popular, da era medieval. Ninguém persuade ninguém. Cria-se apenas os times, os que querem a greve e os que não querem. E a assembleia se desenrola como uma briga de torcidas. 4 ou 5 professores expõem, realmente, questões relevantes e interessantes. O restante é replicação e ambão de status.
Concordo com todos os pontos apresentados pelo Sindicato Nacional de nossa categoria (ANDES). Todos! Mas esse não é o momento. Tivemos um bom momento em 2012. Tudo propício para conseguirmos, se não tudo, boa parte do que estávamos reivindicando. O que aconteceu? Recuamos em um momento crítico e ficamos sem conquistas. E ainda demos ao Governo Federal o álibi para, agora, "passar na cara" a falácia: "Não sei porque pedem aumento se já receberam um nesse ano". Poucos sabem que o aumento desse ano é a última parcela do aumento acertado em 2012. E, por sinal, a inflação já nos roubou. Assinamos, naquela época, um Atestado de submissão. Aceitamos que estaríamos em 2015 com um poder de compra inferior ao de 2012.
Dessa vez, pior do que aquela, a quantidade de professores que participa das decisões é ínfima, pífia. É, sinceramente, revoltante, ver que o semestre ficou totalmente comprometido - mais uma vez - que a pós-graduação não para suas atividades, o que denota uma greve branca. É triste ver que, até mesmo os alunos, estavam a favor da greve, pelo simples fato de que ganhariam algum tempo para colocar seus estudos e atividades em dia. Alguém aí está estudando?
Alguns me perguntam quando a greve vai acabar. Alguns dos cerca de 32.000 alunos matriculados nos cursos da UFPB e que também estão sem aulas. E falo aqui apenas dos graduandos e em cursos presenciais. Sabe minha resposta? Não sei. Isso, "não sei" é minha resposta. Não há horizonte, não há uma perspectiva, não há sequer uma decisão unânime entre as Universidades de que a greve é o melhor instrumento nesse momento. Algumas ainda continuam suas atividades normalmente.
Talvez por isso, infelizmente, que as piadinhas sobre professores vagabundos, servidores públicos que não trabalham ganhem tanto eco entre a sociedade. Parte em razão do desconhecimento de quem assim avalia. Por não conhecer a realidade das Universidades Federais. Parte pela manipulação de fatos, palavras e mídias que nossa Impressa realiza. Mas, nessas partes todas, façamos nossa mea-culpa. Se vale de alguma coisa, não faço parte dos 137 que votaram a favor da manutenção da greve. Bom, pra mim vale. Consciência tranquila é o melhor remédio contra insônia!

Eu fui uma das 8 que votaram contra a continuidade dessa greve. Me senti um peixinho fora d'agua. Mas também dormi com a consciência tranqüila.
ResponderExcluirAonde estão os mais de duzentos professores que votaram contra para comparecerem no dia 30/07?