NATAL! NÃO PARA TODOS
Ontem, indo da minha casa para a dos meus pais onde faríamos a tão comentada e tradicional Ceia Natalina, vi algumas cenas que me fizeram pensar sobre o Natal, o evento, a data.
Saí da minha casa por volta das 18 horas e vi, andando no acostamento da BR-230 um carroceiro, aquele pessoal que coleta reciclado para vender. Para aquele senhor, muito provavelmente, não houve Ceia, Festa, Comida boa, bebida. Ontem, Natal, não passou de um dia comum, mais um na sua difícil vida. Enquanto, para outros, como eu, era momento de se arrumar, de ir à missa, trocar presentes. E, indo mais ao extremo. Há pessoas que não fazem nada. Têm empregados em casa e são eles que montam tudo, compram tudo, até os presentes. E o Natal para esses empregados foi vivido em outra família, que não a sua, em outra casa, ou seja, essas pessoas passaram o Natal no trabalho.
Outra cena que vi... um mendigo dormindo, nesse mesmo horário, na calçada de uma Igreja, onde seria celebrado dentro em pouco, um Culto de Natal. Ou seja, em pouco tempo, pessoas passariam por ele, nem sequer falariam com ele e iriam celebrar o Natal, o nascimento do menino Jesus. Que irônia, não!? Para não dizer, que hipocrisia. Não quero dar exclusividade à nenhuma religião, pois nós, católicos, também fazemos isso.
Fui à Missa aqui no bairro dos meus pais e lá deparei-me com outra cena. Enquanto diversas pessoas chegavam em seus carros, com roupas novas - não obrigatoriamente bonitas, mas novas - para "assistir" a Missa de Natal - que para muitos é a única do ano - havia uma menino, um adolescente, com uma bermuda velha e uma camisa de mesma cor, preta, "cuidando dos carros". Esperando que toda aquela luxúria, disfarçada em ritual cristão, acabasse para ele poder ganhar uns trocados. Será que ele vai comemorar alguma coisa? Na casa dele haverá festa? Será que há comida? Mesmo que tenha, com certeza, não é a mesma que preparamos, em nossas casas, para celebrar o Natal.
Da mesma forma, vi diversos estabelecimentos comerciais que ainda estavam abertos, como os atacadistas perto da minha casa. E os shopping centers que, com certeza, às 18 horas ainda estavam abertos. Mas aqueles que trabalham nesses locais, não têm direito, tal qual todas as outras pessoas, de se prepararem, de se vestirem, de conviverem em família um dia tão especial, tão cheio de representatividade? Boa parte da culpa deles estarem trabalhando até aquele horário é nossa. Se nós nos programássemos para comprar tudo até um dia antes do Natal, e não fôssemos aos supermercados, atacadistas, shoppings nos feriados e domingos, garanto que os proprietários desses estabelecimentos pensariam duas vezes antes de abrir nesse dia no ano que vem. Afinal, não teriam lucro que justificasse a abertura em feriados e domingos. Feriado e domingo deveria ser para todos!
Como momentos que devem ser iguais para todos, são tão diferentes! Famílias se reúnem, pessoas vêm de outras cidades para se encontrar, enquanto outras nem família tem ou não sabem onde está. O nascimento de Cristo, a renovação da certeza de que Deus nos amou e continua nos amando, deveria ser vivenciada igualmente, entre todos. Deus não enviou seu filho somente aos ricos. Muitos pelo contrário, ele veio até aqueles que mais precisavam. Como aqueles que precisam, em nossos dias: o carroceiro, o mendigo, o trabalhador explorado.
Precisamos - e me incluo nessa também - fazer da época do Natal muito mais do que assistencialismo ou oportunidade de demonstração de responsabilidade social barata, sem conteúdo. Devemos lutar pla igualdade, em direitos e condições, lutar para que a mensagem de paz, de amor incondicional que Jesus nos trouxe, seja propagada e, principalmente, vivida. O Natal é um momento, importante, concordo, mas não é o único momento. Trabalhemos durante todo o ano, durante toda a nossa vida, para que haja Natal sempre e para todos.
Foi muito providencial a reflexão. As cenas narradas são próprias para o amadurecimento da fé em Deus. A data 25 de dezembro é bem representativa. Mas, o Natal, o nascimento do Menino Jesus deve ser diário em nossas vidas. Evidentemnte que uma boa política voltada para a educação tornaria o Natal dos 'exclusos' num momento especialmente bom. Mesmo lembrando que 'pobres sempre teremos entre nós'. Pobres, desprovidos de valores éticos e morais que não enobrecem seus semelhantes.
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