O BOM DE ESTAR RUIM...
É ter muito a melhorar! E só isso. Nada mais é bom em estar ruim.
Ontem foi divulgado o resultado do Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDHM) pelas Nações Unidas. O que se poderia esperar de João Pessoa? E se compararmos com 2000, ano da última pesquisa do IDHM?
A minha esperança tem a péssima mania de ser realista! Não me iludo com promessas, com números de construção civil, com obras que não refletem na qualidade de vida da população. João Pessoa vive, há um certo tempo um pseudo crescimento, para não dizer uma estagnação, mesmo que na iminência de movimento. Queremos, podemos e devemos andar, mas preferimos amarrar o burro na sombra. Aliás, nossos governantes, afinal, cada um no seu quadrado. Eles são pagas (e muito bem, obrigado!) para legislar e executar. Mas não o fazem adequadamente. Resultado: tricentésimo vigésimo. Isso mesmo, estamos na posição 320 no ranking dos municípios brasileiros. São 319 melhores que nossa cidade em três indicadores: renda, longevidade e educação. É muuuuita gente melhor que a gente. Em 10 anos, quanta coisa mudou para melhor em sua vida? acredito que a grande maioria responderia: muita coisa. Sabe quanto evoluímos, como cidade? Míseros 0.119 pontos. Deeeeez anos para crescer isso. É como se a única coisa que você fizesse em sua casa fosse pintá-la em uma década. Talvez até menos.
Sabe em qual indicador evoluímos mais? E-DU-CA-ÇÃO. Pasmem!!! Se a educação foi o que tivemos de melhor, imaginem o restante, ou o resto mesmo. E um crescimento astronômico de 0.170 pontos. Mas tem-se uma explicação. O IDHM Educação é construído apenas com o número de pessoas que frequentam a escola, de acordo com dados censitários e com a taxa de alfabetizados maiores que 15 anos. Nada de qualidade de ensino é avaliado. Se colocarmos no bolo a exigência de frequentar a escola para ter direito aos programas assistencialistas do Governo Federal, a coisa fica melhor explicada.
Outro dado que salta aos olhos. Na verdade o que saltou foram meus olhos. Os 20% mais ricos detêm 66,55% da renda do município. Isso é absurdo, triste, é uma desumanidade sem proporção. Acho que o Papa ainda vai ter que falar muito em igualdade social até que ela aconteça. É melhor não gastar saliva.
E fazendo a ponte... ou melhor, o viaduto, já que o prefeito anunciou a construção de um viaduto paralelo à Epitácio Pessoa. Alguém sabe me dizer onde será isso? Já que o IDHM traz esses números para demonstrar a quilométrica distância entre os poucos muito ricos e muitos muito pobres, vejo a notícia sobre os investimentos da Prefeitura em nossa cidade. Novamente, de novo, idem, como sempre, os gestores investem no que é visível, no que podem mostrar na campanha. Pois qualidade é invisível, respeito é imaterial e qualidade de vida é.. muito bonito, mas não dá voto. O Prefeito Luciano Cartaxo anunciou investimentos de quase 600 milhões de reais. Em homenagem aos 20% mais ricos desta vila, serão investidos 1,5 milhões de reais em construção das calçadas da orla do Cabo Branco. É, alí do lado daquelas casinhas simples, daqueles prédios baratinhos, onde um apartamento de 1 quarto custo 450 mil. Pobre gente. Acho que vou ajudar o prefeito, doando um mês de salário. Talvez deva depositar na conta da mãe dele que mora onde? Na orla do Cabo Branco. Quanto coincidência! O Universo conspira em seu favor, Dona Cartaxo.
Ao todo são 32 pontos anunciados. E sabe quantos vão ajudar diretamente no aumento de nosso IDHM Educação? Um. Lançamento de edital para contratação de 1.300 professores. É muito pouco para quem evoluiu tão pouco em tanto tempo.
Um espaço para opiniões pessoais sobre assuntos variados relacionados a educação, trabalho, política, reclamações de nossa cidade e país, algumas reflexões e, é claro... Flamengo.
terça-feira, 30 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
O PAPA (não) É POP!
Já começo me eximindo dos comentários e até constatações do montante gasto com a vinda do Papa Francisco ao Brasil. Que foi bem alto, é verdade! Nem me estenderei nas comparações sobre a quantidade de seguranças e agentes de trânsito. Estes, mais de 450. Tudo isso por causa de uma só pessoa.
Mas é o Papa. E por isso, há de se compreender. E sabe qual é o mais interessante? Tenho certeza que, se ele pudesse escolher, preferiria não ter tanta segurança e preocupação assim. Esse é o Papa. Um exemplo, como há muito não víamos na Igreja Católica. Com um nome que nada mais é do que o próprio codinome de Simplicidade. Ser franciscano, ser humilde, pobre de espírito. Quem é católico sabe o que Francisco tem representado: uma nova chama de esperança. Esperança de que sejamos mais iguais - como Deus sempre quis - mais humanos - como o somos, mas às veses, esquecemos - enfim, mais simples.
O Papa tem quebrado uma casca de aversões à Igreja, que por muito existiu, até mesmo entre os católicos. Tem mostrado que podemos e até devemos ser católicos. Voltar a amar o próximo, seja lá quem for, voltar a praticar atos, mesmo sem dominar ceús e Terra. Pois somos filhos de Deus. O Deus que ele representa na Terra. Então, por que não ser sua imagem e semelhança? Ele tem sido! Acho que isso é o que motiva, o que alegra, o que faz, até mesmo essa maga estrutura - de forma geral - que foi criada para sua vinda, ser aceitável. Ora, quando alguma equipe de esporte Brasileira ganha alguma competição, o que acontece? Fechamento de ruas, desfile em carro do Corpo de Bombeiros, badalação, seguranças, o escambau. E nós temos em Terras Tupiniquins, simplesmente, o alicerce, a pedra da Igreja católica, o Pedro. Até entendo que sejamos laicos. Mas também não posso esquecer que a grande maioria dos Brasileiros é católica. E o país é o que mais possui católicos no Mundo. São 123 milhões, o que corresponde a 64,6% de nossa população.
Falando como um desse milhões, sinto-me, realmente, muito feliz com o Papa e com essa recepção tão carinhosa que todos têm dado a ele. É merecedor, pelo simples fato de ser tão simples. Podendo ostentar suítes, banquetes, peças (castiçais, medalhas etc.) pela posição que se encontra na Igreja (que é muito rica), prefere dormir em quarto simples, cama de solteiro, não pede nada de especial nas refeições, não utiliza nada de ouro e outros tantos exemplos de desapego material.
Que tudo continue muito bem, não apenas na vinda ao Brasil, mas em sua vida de Papa. Que ele continue sendo, para nós, exemplo do que Deus sempre nos transmitiu!
Já começo me eximindo dos comentários e até constatações do montante gasto com a vinda do Papa Francisco ao Brasil. Que foi bem alto, é verdade! Nem me estenderei nas comparações sobre a quantidade de seguranças e agentes de trânsito. Estes, mais de 450. Tudo isso por causa de uma só pessoa.
Mas é o Papa. E por isso, há de se compreender. E sabe qual é o mais interessante? Tenho certeza que, se ele pudesse escolher, preferiria não ter tanta segurança e preocupação assim. Esse é o Papa. Um exemplo, como há muito não víamos na Igreja Católica. Com um nome que nada mais é do que o próprio codinome de Simplicidade. Ser franciscano, ser humilde, pobre de espírito. Quem é católico sabe o que Francisco tem representado: uma nova chama de esperança. Esperança de que sejamos mais iguais - como Deus sempre quis - mais humanos - como o somos, mas às veses, esquecemos - enfim, mais simples.
O Papa tem quebrado uma casca de aversões à Igreja, que por muito existiu, até mesmo entre os católicos. Tem mostrado que podemos e até devemos ser católicos. Voltar a amar o próximo, seja lá quem for, voltar a praticar atos, mesmo sem dominar ceús e Terra. Pois somos filhos de Deus. O Deus que ele representa na Terra. Então, por que não ser sua imagem e semelhança? Ele tem sido! Acho que isso é o que motiva, o que alegra, o que faz, até mesmo essa maga estrutura - de forma geral - que foi criada para sua vinda, ser aceitável. Ora, quando alguma equipe de esporte Brasileira ganha alguma competição, o que acontece? Fechamento de ruas, desfile em carro do Corpo de Bombeiros, badalação, seguranças, o escambau. E nós temos em Terras Tupiniquins, simplesmente, o alicerce, a pedra da Igreja católica, o Pedro. Até entendo que sejamos laicos. Mas também não posso esquecer que a grande maioria dos Brasileiros é católica. E o país é o que mais possui católicos no Mundo. São 123 milhões, o que corresponde a 64,6% de nossa população.
Falando como um desse milhões, sinto-me, realmente, muito feliz com o Papa e com essa recepção tão carinhosa que todos têm dado a ele. É merecedor, pelo simples fato de ser tão simples. Podendo ostentar suítes, banquetes, peças (castiçais, medalhas etc.) pela posição que se encontra na Igreja (que é muito rica), prefere dormir em quarto simples, cama de solteiro, não pede nada de especial nas refeições, não utiliza nada de ouro e outros tantos exemplos de desapego material.
Que tudo continue muito bem, não apenas na vinda ao Brasil, mas em sua vida de Papa. Que ele continue sendo, para nós, exemplo do que Deus sempre nos transmitiu!
sábado, 20 de julho de 2013
O GIGANTE ACORDOU E A SEMOB DORMIU...
Temos 7 meses de nova cara na prefeitura de João Pessoa... e os velhos problemas.
Para o órgão responsável pelo trânsito de nossa cidade, antiga STTRANS e agora SEMOB, parece que ainda não entrou em 2013. A cada dia que transito nas ruas, vejo o descaso do Governo municipal com nós, pedestres, com nós, motoristas, enfim, com a própria cidade.
Por onde anda o Projeto salvador de "mobilidade urbana"? Já comentei em outro post que isso é balela, conversa pra boi dormir (dormiu junto com a SEMOB?). Alargar rua é solução paliativa, provisória, não é permanente. Mobilidade é tirar carro da rua. Mas nenhum governante quer mexer nessa seara. Demora muito tempo e mexe com os monopólios das empresas de transporte urbano.
Mas, mesmo achando pífia essa solução, nada tem sido feito. Ah, vi hoje que a SEMOB vai fazer uma modificação no trânsito de uma rua do bancários. Quem conhece o bairro e viu a modificação deve estar indignado. Fazer uma modificação que já estava prevista há mais de 2 anos, quando asfaltaram duas ruas paralelas dentro do bairro e se gabar que está trabalhando... para com isso!!!
E o binário do geisel? Já está tudo asfaltado. Basta sinalizar. Esse, sim, desafolgaria muito o trânsito para quem segue em direção ao valentina. Mas está tudo parado.
Pior, o projeto de alargamento de duas das principais avenidas da cidade, Epitácio Pessoa e Beira-rio, contemplam derrubar diversas árvores dos canteiros centrais. Alguém tem dúvida de que, daqui a uns dois anos, tudo estará engarrafado novamente? A taxa de aumento de carros e motos na cidade nos últimos 3 anos foi de 181% e de motos chegou a quase 500%. Alargar não resolve!!!
Sei que o clima frio convida a um soninho bom, mas, Dona SEMOB, não dá pra dormir assim, por tanto tempo. A cidade precisa de ordenamento, precisa de reformas nas vias, no trânsito, no sistema de transporte coletivo. ACOOOOORDA SEMOB! Do contrário, continuaremos como uma cidade SEMOBilidade.
Temos 7 meses de nova cara na prefeitura de João Pessoa... e os velhos problemas.
Para o órgão responsável pelo trânsito de nossa cidade, antiga STTRANS e agora SEMOB, parece que ainda não entrou em 2013. A cada dia que transito nas ruas, vejo o descaso do Governo municipal com nós, pedestres, com nós, motoristas, enfim, com a própria cidade.
Por onde anda o Projeto salvador de "mobilidade urbana"? Já comentei em outro post que isso é balela, conversa pra boi dormir (dormiu junto com a SEMOB?). Alargar rua é solução paliativa, provisória, não é permanente. Mobilidade é tirar carro da rua. Mas nenhum governante quer mexer nessa seara. Demora muito tempo e mexe com os monopólios das empresas de transporte urbano.
Mas, mesmo achando pífia essa solução, nada tem sido feito. Ah, vi hoje que a SEMOB vai fazer uma modificação no trânsito de uma rua do bancários. Quem conhece o bairro e viu a modificação deve estar indignado. Fazer uma modificação que já estava prevista há mais de 2 anos, quando asfaltaram duas ruas paralelas dentro do bairro e se gabar que está trabalhando... para com isso!!!
E o binário do geisel? Já está tudo asfaltado. Basta sinalizar. Esse, sim, desafolgaria muito o trânsito para quem segue em direção ao valentina. Mas está tudo parado.
Pior, o projeto de alargamento de duas das principais avenidas da cidade, Epitácio Pessoa e Beira-rio, contemplam derrubar diversas árvores dos canteiros centrais. Alguém tem dúvida de que, daqui a uns dois anos, tudo estará engarrafado novamente? A taxa de aumento de carros e motos na cidade nos últimos 3 anos foi de 181% e de motos chegou a quase 500%. Alargar não resolve!!!
Sei que o clima frio convida a um soninho bom, mas, Dona SEMOB, não dá pra dormir assim, por tanto tempo. A cidade precisa de ordenamento, precisa de reformas nas vias, no trânsito, no sistema de transporte coletivo. ACOOOOORDA SEMOB! Do contrário, continuaremos como uma cidade SEMOBilidade.
domingo, 14 de julho de 2013
O VALOR DO TRABALHO...
Há muito tempo que não posto nada aqui. Acho que penso em sempre escrever algo que seja importante para alguém, que seja útil, que convide as pessoas a ler, que as interesse, enfim, que tenha algum sentido para alguém. E acabo me esquecendo que eu preciso escrever para mim, também. Então, resolvi começar a pensar em textos menores, nos quais eu continue descrevendo minhas opiniões sobre diversos assuntos.
E hoje à noite, li um texto que me remeteu a um assunto que sempre fico muito a pensar: o valor do trabalho. Sempre gostei muito de ler, estudar e procurar entender essa palavra tão plural, TRABALHO.
O texto é de Lia Luft. Ela escreve a cada 15 dias na VEJA. Na coluna dessa semana ela fala em flores e expõe várias formas de encontrar "flores". E descreve: "Falar de flores é falar daqueles que, em qualquer profissão, estudo, ramo, buscam a excelência. Não para ser admirados, não para virar celebridade, mas pelo amor ao que fazem..." e complementa "conheci pessoas que por suas idéias sacrificavam uma forma de vida que estava à sua disposição - porém eles preferiam a coerência: não o carrão do ano, não as festas mais chiques, não as gentes famosas, o dinheiro, o poder, mas o humano". Assim que li, lembrei-me de um senhor chamado Edijânio (se entendi bem, esse era seu nome). Ele apareceu aqui em casa no sábado, umas 8 horas da manhã, perguntando se eu queria podar a árvore da frente. No início disse que não. Tolice minha. Estaria perdendo de ouvir um grande exemplo do que é o VALOR DO TRABALHO. Ele insistiu e eu acabei aceitando.
Enquanto ele cortava a árvore, puxei uma prosa. Acabei descobrindo que ele morava em Bayeux, que fica a uns 15 kilometros da minha casa. Segundo ele, vem todos os dias para "procurar" quem queira pagar pelo serviço dele. Sabe como ele vem? De bike, amigo! Isso mesmo, o cara pedala uns 30 kilômetros por dia, todos os dias (porque ele disse que vem no domingo também) sem saber, na grande maioria das vezes, se vai receber algo. Uma bicicleta velha, aquelas Barra Forte, com dois pneus lisos e só um freio que nem aciona bem. E anda no acostamento da Rodovia BR.
Em um determinado momento, ele perguntou se eu não teria um café e uma bolachas pra comer. Sabe o que eu pensei? "Que cara folgado". Novamente, eu perderia outra oportunidade de aprender. Aceitei a "intimação" e fui fazer um café e esquentar um leite. Quase que eu não consigo fazer ele entrar pra tomar o café na mesa. Ele só queria tomar lá fora. Quem é de interior, reconhece esse "acanhamento" muito típico das pessoas que se sentem inferiores, por diversos motivos. Enquanto tomávamos o café, ele perguntou se eu queria podar também o pé de acerola. Aceitei e ele me deu o valor: R$ 50,00. E, quando eu disse que ele poderia cortar, ele agradeceu e disse que a manhã já tinha sido boa, pois já tinha 50 pra voltar e ia correr atrás de mais alguma coisa no bancários (bairro).
Esse cara, podou duas árvores, limpou o chão, juntou em uns sacos. Eu ajudei um pouco, mas o trabalho maior foi dele. Passou 3 horas aqui. O que daria pouco mais de 16 reais por hora. Esse é o VALOR DO TRABALHO para aquele senhor. Sei que várias coisas precisam ser ponderadas: nível de formação, esforço intelectual, sorte etc. Mas, mesmo pesando tudo isso e muito mais, é muito pouco. E, ampliando a comparação para uma mulher que me ajudou na semana passada fazendo uma faxina aqui em casa, a relação fica ainda mais surpreendente. Ela trabalhou 6 horas e recebeu 65 reais. Não chega a dar 11 reais/hora. Não quero nem começar a comparar o Valor do Trabalho (R$/hora) de algumas categorias. Mas pensem na diferença para políticos (alguns trabalham apenas 3 dias na semana), médicos, que chegam a cobrar por uma consulta particular o absurdo de R$ 300,00 por alguns minutos. Nada mais do que 30 minutos.
Se formos ampliar a discussão, teríamos de chegar a algumas fábricas no continente asiático que pagam algo em torno de U$ 1.00 por hora (Caso lhe interesse, assista o filme CHINA BLUE). Ou mesmo ir aos lugares onde pessoas vendem seu corpo para poder pagar os custos iniciais com o transporte que as levou até alí ou com a alimentação que lhes foi dada. É o caso do tráfico de seres humanos para prostituição e trabalho escravo. Que, atualmente, já pode ser encontrado em diversos países do mundo.
O tema TRABALHO sempre me instigará muito. Mesmo que isso não me dê pontos no Curriculo Lattes, mesmo que não me enriqueça, mesmo tudo conspire contra. Pois, como disse Lia Luft, eu prefiro a coerência de idéias, eu prefiro o lado humano.
Há muito tempo que não posto nada aqui. Acho que penso em sempre escrever algo que seja importante para alguém, que seja útil, que convide as pessoas a ler, que as interesse, enfim, que tenha algum sentido para alguém. E acabo me esquecendo que eu preciso escrever para mim, também. Então, resolvi começar a pensar em textos menores, nos quais eu continue descrevendo minhas opiniões sobre diversos assuntos.
E hoje à noite, li um texto que me remeteu a um assunto que sempre fico muito a pensar: o valor do trabalho. Sempre gostei muito de ler, estudar e procurar entender essa palavra tão plural, TRABALHO.
O texto é de Lia Luft. Ela escreve a cada 15 dias na VEJA. Na coluna dessa semana ela fala em flores e expõe várias formas de encontrar "flores". E descreve: "Falar de flores é falar daqueles que, em qualquer profissão, estudo, ramo, buscam a excelência. Não para ser admirados, não para virar celebridade, mas pelo amor ao que fazem..." e complementa "conheci pessoas que por suas idéias sacrificavam uma forma de vida que estava à sua disposição - porém eles preferiam a coerência: não o carrão do ano, não as festas mais chiques, não as gentes famosas, o dinheiro, o poder, mas o humano". Assim que li, lembrei-me de um senhor chamado Edijânio (se entendi bem, esse era seu nome). Ele apareceu aqui em casa no sábado, umas 8 horas da manhã, perguntando se eu queria podar a árvore da frente. No início disse que não. Tolice minha. Estaria perdendo de ouvir um grande exemplo do que é o VALOR DO TRABALHO. Ele insistiu e eu acabei aceitando.
Enquanto ele cortava a árvore, puxei uma prosa. Acabei descobrindo que ele morava em Bayeux, que fica a uns 15 kilometros da minha casa. Segundo ele, vem todos os dias para "procurar" quem queira pagar pelo serviço dele. Sabe como ele vem? De bike, amigo! Isso mesmo, o cara pedala uns 30 kilômetros por dia, todos os dias (porque ele disse que vem no domingo também) sem saber, na grande maioria das vezes, se vai receber algo. Uma bicicleta velha, aquelas Barra Forte, com dois pneus lisos e só um freio que nem aciona bem. E anda no acostamento da Rodovia BR.
Em um determinado momento, ele perguntou se eu não teria um café e uma bolachas pra comer. Sabe o que eu pensei? "Que cara folgado". Novamente, eu perderia outra oportunidade de aprender. Aceitei a "intimação" e fui fazer um café e esquentar um leite. Quase que eu não consigo fazer ele entrar pra tomar o café na mesa. Ele só queria tomar lá fora. Quem é de interior, reconhece esse "acanhamento" muito típico das pessoas que se sentem inferiores, por diversos motivos. Enquanto tomávamos o café, ele perguntou se eu queria podar também o pé de acerola. Aceitei e ele me deu o valor: R$ 50,00. E, quando eu disse que ele poderia cortar, ele agradeceu e disse que a manhã já tinha sido boa, pois já tinha 50 pra voltar e ia correr atrás de mais alguma coisa no bancários (bairro).
Esse cara, podou duas árvores, limpou o chão, juntou em uns sacos. Eu ajudei um pouco, mas o trabalho maior foi dele. Passou 3 horas aqui. O que daria pouco mais de 16 reais por hora. Esse é o VALOR DO TRABALHO para aquele senhor. Sei que várias coisas precisam ser ponderadas: nível de formação, esforço intelectual, sorte etc. Mas, mesmo pesando tudo isso e muito mais, é muito pouco. E, ampliando a comparação para uma mulher que me ajudou na semana passada fazendo uma faxina aqui em casa, a relação fica ainda mais surpreendente. Ela trabalhou 6 horas e recebeu 65 reais. Não chega a dar 11 reais/hora. Não quero nem começar a comparar o Valor do Trabalho (R$/hora) de algumas categorias. Mas pensem na diferença para políticos (alguns trabalham apenas 3 dias na semana), médicos, que chegam a cobrar por uma consulta particular o absurdo de R$ 300,00 por alguns minutos. Nada mais do que 30 minutos.
Se formos ampliar a discussão, teríamos de chegar a algumas fábricas no continente asiático que pagam algo em torno de U$ 1.00 por hora (Caso lhe interesse, assista o filme CHINA BLUE). Ou mesmo ir aos lugares onde pessoas vendem seu corpo para poder pagar os custos iniciais com o transporte que as levou até alí ou com a alimentação que lhes foi dada. É o caso do tráfico de seres humanos para prostituição e trabalho escravo. Que, atualmente, já pode ser encontrado em diversos países do mundo.
O tema TRABALHO sempre me instigará muito. Mesmo que isso não me dê pontos no Curriculo Lattes, mesmo que não me enriqueça, mesmo tudo conspire contra. Pois, como disse Lia Luft, eu prefiro a coerência de idéias, eu prefiro o lado humano.
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