domingo, 14 de julho de 2013

O VALOR DO TRABALHO...

Há muito tempo que não posto nada aqui. Acho que penso em sempre escrever algo que seja importante para alguém, que seja útil, que convide as pessoas a ler, que as interesse, enfim, que tenha algum sentido para alguém. E acabo me esquecendo que eu preciso escrever para mim, também. Então, resolvi começar a pensar em textos menores, nos quais eu continue descrevendo minhas opiniões sobre diversos assuntos.

E hoje à noite, li um texto que me remeteu a um assunto que sempre fico muito a pensar: o valor do trabalho. Sempre gostei muito de ler, estudar e procurar entender essa palavra tão plural, TRABALHO.
O texto é de Lia Luft. Ela escreve a cada 15 dias na VEJA. Na coluna dessa semana ela fala em flores e expõe várias formas de encontrar "flores". E descreve: "Falar de flores é falar daqueles que, em qualquer profissão, estudo, ramo, buscam a excelência. Não para ser admirados, não para virar celebridade, mas pelo amor ao que fazem..." e complementa "conheci pessoas que por suas idéias sacrificavam uma forma de vida que estava à sua disposição - porém eles preferiam a coerência: não o carrão do ano, não as festas mais chiques, não as gentes famosas, o dinheiro, o poder, mas o humano". Assim que li, lembrei-me de um senhor chamado Edijânio (se entendi bem, esse era seu nome). Ele apareceu aqui em casa no sábado, umas 8 horas da manhã, perguntando se eu queria podar a árvore da frente. No início disse que não. Tolice minha. Estaria perdendo de ouvir um grande exemplo do que é o VALOR DO TRABALHO. Ele insistiu e eu acabei aceitando.
Enquanto ele cortava a árvore, puxei uma prosa. Acabei descobrindo que ele morava em Bayeux, que fica a uns 15 kilometros da minha casa. Segundo ele, vem todos os dias para "procurar" quem queira pagar pelo serviço dele. Sabe como ele vem? De bike, amigo! Isso mesmo, o cara pedala uns 30 kilômetros por dia, todos os dias (porque ele disse que vem no domingo também) sem saber, na grande maioria das vezes, se vai receber algo. Uma bicicleta velha, aquelas Barra Forte, com dois pneus lisos e só um freio que nem aciona bem. E anda no acostamento da Rodovia BR.
Em um determinado momento, ele perguntou se eu não teria um café e uma bolachas pra comer. Sabe o que eu pensei? "Que cara folgado". Novamente, eu perderia outra oportunidade de aprender. Aceitei a "intimação" e fui fazer um café e esquentar um leite. Quase que eu não consigo fazer ele entrar pra tomar o café na mesa. Ele só queria tomar lá fora. Quem é de interior, reconhece esse "acanhamento" muito típico das pessoas que se sentem inferiores, por diversos motivos. Enquanto tomávamos o café, ele perguntou se eu queria podar também o pé de acerola. Aceitei e ele me deu o valor: R$ 50,00. E, quando eu disse que ele poderia cortar, ele agradeceu e disse que a manhã já tinha sido boa, pois já tinha 50 pra voltar e ia correr atrás de mais alguma coisa no bancários (bairro).
Esse cara, podou duas árvores, limpou o chão, juntou em uns sacos. Eu ajudei um pouco, mas o trabalho maior foi dele. Passou 3 horas aqui. O que daria pouco mais de 16 reais por hora. Esse é o VALOR DO TRABALHO para aquele senhor. Sei que várias coisas precisam ser ponderadas: nível de formação, esforço intelectual, sorte etc. Mas, mesmo pesando tudo isso e muito mais, é muito pouco. E, ampliando a comparação para uma mulher que me ajudou na semana passada fazendo uma faxina aqui em casa, a relação fica ainda mais surpreendente. Ela trabalhou 6 horas e recebeu 65 reais. Não chega a dar 11 reais/hora. Não quero nem começar a comparar o Valor do Trabalho (R$/hora) de algumas categorias. Mas pensem na diferença para políticos (alguns trabalham apenas 3 dias na semana), médicos, que chegam a cobrar por uma consulta particular o absurdo de R$ 300,00 por alguns minutos. Nada mais do que 30 minutos.
Se formos ampliar a discussão, teríamos de chegar a algumas fábricas no continente asiático que pagam algo em torno de U$ 1.00 por hora (Caso lhe interesse, assista o filme CHINA BLUE). Ou mesmo ir aos lugares onde pessoas vendem seu corpo para poder pagar os custos iniciais com o transporte que as levou até alí ou com a alimentação que lhes foi dada. É o caso do tráfico de seres humanos para prostituição e trabalho escravo. Que, atualmente, já pode ser encontrado em diversos países do mundo.
O tema TRABALHO sempre me instigará muito. Mesmo que isso não me dê pontos no Curriculo Lattes, mesmo que não me enriqueça, mesmo tudo conspire contra. Pois, como disse Lia Luft, eu prefiro a coerência de idéias, eu prefiro o lado humano.

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