domingo, 15 de março de 2015

DÉJÀ-VU

Hoje, como em junho de 2013, fui ao protesto aqui em João Pessoa. Já deixo claro que não fui pelo Impeachment ou pra pedir a saída de qualquer partido. Fui pela volta da Moral, com "M" maiúsculo. Aquele que aprendíamos na escola, na disciplina Moral e Cívica.
Como naquela época, não tivemos tanta gente como em outras cidades. Calcula-se cerca de 200 mil pessoas. Confesso que esperava bem mais gente.
Vi vários cartazes interessantes. Vi muita babozeira, ainda. Vi crianças - o que julgo muito bacana. Ouvi apelos sem sentido nenhum. Ouvi vários bordões interessantes. Concordei com muitas coisas. Discordei de algumas. Exatamente como no protesto que houve em junho de 2013. E voltei pra casa.
Ao chegar, fiquei acompanhando, junto com meus pais, como estava o movimento em outras cidades. Vi coisas muito bacanas, como os cerca de 1,5 milhões de pessoas em Sampa. Próximo a 1 milhão no Rio. E algumas cidades que demonstraram o descontentamento com a situação do nosso País. Mas já havia sido anunciado um pronunciamento, por parte do Governo Federal, para às 18:30h. Fiquei, então, esperando.
Primeiro, o que me surpreendeu? Dilma. Ou melhor, sua ausência. Ué... um País se mobilizando, uma situação de tensão popular, polícia nas ruas, reivindicações as mais diversas, inclusive de impeachment da presidente.. e ela... não aparece. Ora, ela Governa o País. É a gestora de tudo isso. Define os ministros - bem mais do que os necessários - responde por nosso País lá fora. E no momento crítico, não aparece. Isso, para mim, não tem outro nome: Covardia! E manda responder as perguntas o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência (Miguel Rossetto) e o da Justiça (José Eduardo cardozo). Este último, ultimamente, tem parecido mais o Presidente do que a oficial. É ele o encarregado de responder pelas ações da Presidência. Ministro da Justiça falando sobre economia, política e percepção do governo sobre os protestos? No País onde o ministro da Defesa é um civil, é o mínimo que se pode esperar
Mas o que me chamou atenção é o déjà-vu - para os franceses - ou, para o nordestino, o "já te vi". Na verdade, seria o "já te ouvi". Confesso que chegou a ser irritante. O que os dois falaram parecia ser gravação de junho de 2013. Combate incessante à corrupção, corte de gastos para equilibrar a economia, vamos ouvir a voz das ruas. Falou-se lá e aqui em reforma política com o fim dos financiamentos por parte de empresas a políticos. Alguém percebeu alguma mudança na Eleição de 2014? Falou-se lá e aqui em medidas de austeridade urgentes. Durante o ano passado inteiro tivemos aumento dos salários de todos os parlamentares, em cascata, dos ministros do STF; aumento de verbas de gabinete; tentativas hilárias de roubo do dinheiro público travestido de "pagamento de passagens a mulheres e familiares de parlamentares". Falou-se lá e aqui sobre a tão desejada Reforma Política. Inclusive com a discussão se o melhor seria plebiscito ou referendo - manobra que, inclusive, veio a arrefecer o movimento daquela época.
Estamos vendo tudo de novo, como uma história que você lê o filme e depois assiste o filme do livro. Essa é a minha maior preocupação. Será?

Um comentário:

  1. É muita inocência ou outro adjetivo que nem sei qualificar, para esperar "Moral" de pessoas que constituem esse partido que hoje governa o país, assim muitos outros de outros partidos. Pedir reforma para serem postas de lado assim como as leis e responsabilidades atuais? O governo já se infiltrou de uma forma tão ampla nos poderes que simplesmente não iria adiantar de nada. Não atoa que as mobilizações de 13 de março que atenderam ao governo estavam na mesma linha de raciocínio. Oque tem que ser feito é a validação da voz apartidária e da inconformação da mesma. E com ela limpar as mazelas e contravenções descaradas que somos submetidos. E o primeiro passo é mostrar que não se adianta negociar com bandidos e exigir a ausência imediata dessa corja.

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