terça-feira, 25 de agosto de 2015

MATEMÁTICA ATÉ NA FELICIDADE

Dizem, principalmente, os matemáticos, que as leis matemáticas podem explicar tudo no universo. Bem ousado, hein!? Mas há um tempo tenho pensado se os pitagóricos estariam certos mesmo. Não consegui ainda chegar a um resultado exato. Pensando em um espaço amostral, o plano da felicidade, acho que posso concordar com os adeptos de expressões matemáticas. 
Acredito que pode-se dizer que a FELICIDADE é igual à CONTENTAMENTO sobre EXPECTATIVA. 

Sem explicações muito aprofundadas - até porque a felicidade deve ser simples - quanto maior sua satisfação com algo, maior o numerador. Por isso que, mesmo quando não ganhamos muito dinheiro em nossos trabalhos, mas gostamos dele, temos satisfação em trabalhar, somos felizes. Charles Chaplin já dizia que "Se você faz o que gosta, jamais vai trabalhar na vida". O prazer é consequência, é natural. Não se trabalha, no sentido mais doloroso do termo. Não cabe o sentido medieval, de trabalho para tortura, ou mesmo o sentido do trabalho de parto, do sofrimento. 
Da mesma forma, se o denominador da expressão for grande, ou seja, quando se espera muito, quando a esperança - termo da estatística, que também é originada da matemática - é alta, o Contentamento deve ser maior ainda. Se assim o for, o resultado, a danada da felicidade, será grande. No entanto, se a expectativa é grande e a satisfação não corresponde, tem-se um resultado "menor que 1". E proporcionalmente, quanto maior a expectativa, menor a felicidade.
Às vezes, esperamos tanto por algo, por alguém, por respostas e deixamos de buscar o numerador, a satisfação nos momentos, nas pequenas coisas, na natureza, no trabalho - por que não!? - e a expectativa passa a ser uma função exponencial... se ela cresce demais, a felicidade fica comprometida
Devíamos olhar as contas da vida como um Conjunto Natural (N) de decisões. Por vezes, até contamos com uma "calculadora" para ajudar. Amigos viram calculadoras. Família, Deus, bons livros, tudo pode virar calculadora nos momentos de decisão. Mas sem senos, cossenos e tangentes que dificultem nossa vida. Ela é curta, sim. Mas não precisa ser complexa. Vida tranquila = felicidade, se e somente se: CONTENTAMENTO maior que EXPECTATIVA.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

EXEMPLOS E CONTRA-EXEMPLOS

Tudo no mesmo dia. Hoje foi um dia daqueles, de satisfatórias surpresas e decepções desumanas.
Estou voltando para minha casa, após 6 meses morando com meus pais. E alguns serviços precisam ser feitos. Aí mora o perigo, ou a dor de cabeça. Não sei se podemos federalizar, mas em João Pessoa, se você precisar de um serviço, qualquer que seja, muitíssimo provavelmente, terá que se contentar com a promoção: contrate um serviço e ganhe uma chateação. Poucas vezes precisei de um serviço e fui bem atendido, o serviço prestado a contento, no prazo estabelecido. Enfim, poucas vezes, tive o mínimo que se espera de um prestador de serviços.
Encomendei um portão e duas bandeiras (aquelas estruturas que ficam em cima do muro). Quando o pedreiro foi colocar as bandeiras no muro... surprise! A bandeira ficou maior que o muro. Chamei o responsável da metalúrgica. Ele mediu, não entendeu como havia acontecido. Depois de um tempo tentando explicar, disse que faria o reparo. Detalhe: só entregaria na próxima semana. O pedreiro vem nesse final de semana. Resultado: o pedreiro terá que vir, também, na outra semana, só para colocar essa bandeira. Um erro de fabricação e quem arca com as consequências sou eu.
Ainda nesse fatídico dia, outro transtorno. Esse já vinha "moendo" - como dizemos aqui - há um tempo. Contratei um serviço de jardinagem pra podar todas as árvores do terreno, retirar a árvore maior, da frente da casa, e no local dela, plantar outra nova. Nesse local, o jardineiro iria colocar um tubulão de concreto para direcionar as raízes. Muito bom, né? Na teoria! A poda deu certo. No entanto a retirada da árvore... huuun. O cara fez o serviço no sábado, quebrou o piso para retirar as raízes e disse que plantaria a nova árvore, junto com o tubulão, na segundo seguinte. Até hoje ele não veio plantar a árvore. Se fosse só isso. Desde aquela época, não atende minhas ligações. Tenho que ligar de outros telefones. Quando ele atende, promete outra data e não cumpre. Isso gerou um nível de tensão, hoje, quando consegui falar com ele, como há muito eu não tinha. Inclusive me deixando o restante do dia bem mal, fisicamente. Acreditem o fenômeno somatizar existe! Anotem o nome desse cara e deixem bem longe de suas agendas e indicações: Erinaldo Pereira da Silva da Flora Sinal Verde. Um enganador de primeira!
No entanto, no final da tarde, o bom exemplo do que é um serviço bem prestado surgiu. Fui a um fisioterapeuta, indicado por meu cunhado, para tratar uma tendinopatia que já me acompanha há cerca de 3 meses. Primeiro ponto positivo: horário marcado. Aí você já pode pensar "mas eles marcam horário e não cumprem". Pessoal, ele marcou 16 horas. Entrei no consultório às 16 em ponto. Ele saiu quando cheguei, pediu que esperasse um pouco. Começou a me atender às 16:10h e já chegou dizendo "desculpa pelo atraso! Uma paciente teve uma queda de pressão e tive que dar uma assistência maior. Acabou atrasando todos os atendimentos". Durante a consulta inicial, fez uma anamnese como a maioria das pessoas da área de saúde já esqueceu. Ouviu meu problema, viu os exames, explicou tudo com muito paciência e calma. E tocou em mim. Eureka! Tocar o paciente é interessante para perceber problemas. Olha que procedimento fantástico. A maioria dos médicos e profissionais da área não lembram disso. Os dois últimos que passei, devido a esse mesmo problema, sequer tocaram em mim. Olharam os exames e, de forma mágica, quase mediúnica, prescreveram medicação e fisioterapia. O de hoje de manhã mesmo... horário de chegada. A clínica abre às 8 horas. Cheguei às 8;05h. Já tinham 5 pessoas na minha frente. O médico começou a atender às 9:45h. Eu entrei na sala às 10:55h. E minha consulta durou 10 minutos.
E tem mais pontos que me fazem elogiar esse serviço - sim, porque vários profissionais de saúde esquecem que são prestadores de serviço. Pediu, muito fortemente, que não me atrasasse. Que só assim pode manter um nível de atenção elevado em cada caso, sem a pressão de ter a sala de espera cheia. E mais, se chegar atrasado, só vai ser atendido no final de todos. E não ter secretária? Ele mesmo passa o cartão do plano de saúde, ele marca os horários. Disponibilizou celular e whatsaap, para o horário de trabalho. E ele atende mesmo, sempre que pode.
É um absurdo o nível de serviços que temos atualmente. Pelo menos temos contra-exemplos de serviços de qualidade. Se é que isso conforta!

domingo, 2 de agosto de 2015

LUAR DO SERTÃO

Passei meus 3 últimos dias em uma festa de interior. Aquelas festas de Padroeira. Festa de Santana, na cidade de Caicó, interior do Rio Grande do Norte. Algumas pessoas conhecem e até já devem ter ido pra lá no Carnaval ou mesmo neste período.

Como não fui pra nenhum dos shows que aconteceram (até porque todos são de forró de plástico), revi muita gente da minha família, bati umas fotos, enfim, aproveitei bem. E, tive bastante tempo pra pensar, observar alguns detalhes que, às vezes, pela correria em que vivemos, não reparamos. Interessante observar como uma cidade relativamente grande - terceira maior do RN - ainda é tão atrasada em algumas questões. É comum demais ver as pessoas andando no meio da rua, sem se preocupar com carros, motos etc. E olha que tem moto. João Pessoa tem muita, mas lá.. hun! Outra característica típica é a posse das pessoas. Lá, todo mundo tem dono. É fulano de sicrano. João de Carmélia, Vera do finado Luiz. Assim, eu sou "Fabin de Avani" ou "Fabin de Toin", minha mãe e pai. E, acho que, mesmo quando estiver velhinho, ainda seria Fabin, no diminutivo. Isso é muito bom. E tem mais, a memória daquele povo, coisa de cinema. Eles conversam sobre todos os conhecidos em comum e a árvore genealógica é requisitada a todo o momento. A ligação entre as famílias também é algo muito peculiar. Elas se reúnem em casas que já passaram por 4, 5 gerações. Existem casas que todos sabem de qual família é. E as pessoas vêm de longe para ficar na casa de sua família.. E há festas organizadas, com camisa, caneca, banda particular, que já passam de décadas de realização. O atraso também é notório. Não há alguns caixas ou agências de alguns bancos. O trânsito, em alguns locais, não tem sinalização. Só quem é de lá para conhecer a lógica. E ainda há muita pobreza.
NO ENTANTO (com maiúscula mesmo)... visitar o interior é algo fantástico. Todos deveriam conhecer e passar um tempo em uma cidade do interior. Recomendo Caicó. Mesmo com a pobreza que insiste em rodear algumas famílias, jamais alguém deixa de fazer um convite: "Vamos entrar e tomar um café!". As casinhas simples, conjugadas, sem varanda ou com uma bem pequena parecem sempre sorrir pra você. Transparecendo uma nostalgia difícil de explicar. Quem já foi em interior, sabe do que estou falando. As cadeiras de balanço parecem ter vida própria, parece que te abraçam e carregam consigo a simplicidade de várias pessoas que por alí passaram e deixaram muito mais do que saudade. Deixaram um pedaço de suas vidas. Morrem, mas permanecem. Estranho, mas agradável. Não há pessoas querendo passar por cima de outras, corromper, enganar. Até deve ter, mas são, com certeza, tão poucas perto das hospitaleiras, das simpáticas, das educadas. A confiança salta aos olhos, como virtude rara em nossos dias, nas grandes cidades. Encontrar jaca sendo vendida no supermercado. Que, mais do que uma vitrine de vendas, é um local de conversas, de rever amigos, de conversar sobre as famílias.

Ver uma feira, como aquelas que nossos pais e avós comentavam, que não encontram mais nas capitais. É bom ver que as pessoas vivem mais, temporalmente falando. São idosos com a pele marcada pelo sol que incomoda,, com marcas no rosto, mas com um alegria que transparece. O tempo parece passar mais lento. As pessoas se falam, andam com mais calma. Sempre se tem um tempo para prosear. E como isso é bom! Lugar onde "mais" substitui "com". Onde se diz "Vá mais seu tio" e pode-se traduzir, literalmente, para "Vá com seu tio".
Comida boa, bons doces, diferentes pratos. Nada de rebuscado. Tudo local, regional. Culinária que, só não desponta, porque é... do interior. E sabe em que isso incomoda os mestres gastronômicos Caicoenses? Em absolutamente, nada! As bolachas, queijos, bolos continuam fazendo parte dos sonhos de muitas pessoas que alí visitam.

A fé, capítulo à parte. A crença, sempre muito relacionada, com o sofrimento, encontra terreno fértil. Afinal, além da pobreza, eles precisam, direta ou indiretamente, de chuva, de colheita. E para isso, pedem muito para que Deus mande chuva na medida do que lhe agrade. E, mesmo com a seca que se instalou na região, a Festa de Santana continua sendo um momento de agradecimento e muita fé.

Como disse certa vez um senhor, sertanejo de verdade, conhecido como Luiz de Januário (seu dono!) ou, simplesmente, Luiz Gonzaga: "Não há [...] luar como esse do sertão"