sexta-feira, 20 de novembro de 2015

DESANIMADOR...

Depois de 3 anos fora, estudando no interior de São Paulo, numa excelente cidade chamada São Carlos, voltei para João Pessoa. Praia faz muita falta. Então, já seria ótimo pra mim. Mas, a cereja do bolo foi voltar à Universidade na qual me formei. Isso ocorreu em fevereiro de 2011. Já se vão 4 anos e 9 meses. Tempo bastante para rever muita gente que conheci alí dentro. Tempo bastante para me adaptar às disciplinas e pensar em, todo semestre, atualizar informações, pensar novas atividades etc. E tempo bastante, também, para ver que muito mudou... pra pior. E muito continua do mesmo jeito, cheio de problemas.
Ontem vivenciei mais um evento desanimador, como várias que já passei, nesse retorno, que desmotivam ao ponto de se pensar: "será que vale à pena continuar sendo professor?" ou "Será que vale à pena continuar nesse pântano que a UFPB?". Há mais de 4 meses luto para conseguir uma manutenção em uma impressora 3D que temos no Laboratório de Produto. A burocracia - sei que você já pensou nela - não é o único problema. Também é! Max Weber deve se tremer todo quando vê o que ele desenvolveu para Burocracia ser tão deturpado. Primeiro que, entra-se no velho problema da UFPB. Só uma pessoa sabe fazer cada coisa. Se ela foi almoçar, se está doente... hun... haja paciência. Que instituição é essa? Pergunto se isso aconteceria em uma empresa privada. Quem trabalha em uma, sabe que polivalência é condição sine qua non para empregabilidade. E aí quando você, enfim, consegue falar com o funcionário que barrou o seu processo com pedidos anormais e até incompreensíveis, você percebe que a única vontade dele é de não colaborar. Demonstrar que ele, senhor do conhecimento administrativo, encontrou várias inconsistências no seu processo de pedido da manutenção. E que, por isso, não fará o processo seguir o caminho normal. Aliás, esse vai-e-vem do processo já impediu de ter a manutenção neste ano. O Ano-fiscal já acabou. OU seja, só ano que vem e se o Governo que governa a "Pátria Educadora" liberar alguma verba para as Universidades Federais. Difícil, hein!? Dá mais ibope alimentar as Faculdades privadas com FIES e fazer a população acreditar que é o melhor caminho. Bom, voltando... Se eu for falar só dos problemas estruturais que o Laboratório tem, vão mais uns 3 posts. De goteira que nunca acaba, torneira nova já com vazamento, No-break que já vem com a bateria descarregada, ar-condicionado para instalar há mais de 6 meses e nenhuma terceirizada instala. Fora já ter passado mais 4 meses esperando a liberação da Universidade para comprar um kit de cartuchos para a impressora. O que me faz contabilizar em torno de 8 meses a impressora parada durante esse ano. Um equipamento que representa a maior revolução em questão de fabricação e confecção de produtos na última década, passou 2/3 do ano sem condições de operação. Como se motivar com esse cenário?
Ainda ontem, tivemos um excelente evento no auditório do Centro de Tecnologia. Aí você pensa: "Tá vendo, alguma coisa boa". Ah, meu amigo, não há nada tão ruim que não possa ser piorado. Primeiro, a Diretoria do Centro abre o auditório e.. "se vira!". Não tem uma pessoa para ajudar com projetor, som, computador. As luzes ficam piscando a todo o momento. Quer dizer, as metade que ainda acende. Não há água. Aliás, água já falta na Universidade há um bom tempo. Botijão de água mineral? Só se você comprar! Se quiser, é do bebedouro. Aquele mesmo, sem manutenção, com crosta verde, água quente... e quando tem. Enfim, recebe-se um conjunto de pessoas qualificadas, que vêm realizar palestras interessantíssimas e essa é a recepção que damos. Banheiro próximo ao auditório, sem papel higiênico, sujo! Isso, inclusive, já fiz levantamento. No CT não há papel em nenhum banheiro, descargas não funcionam, luzes dos banheiros não funcionam, não há divisórias entre os vasos, não há tampas nos vasos... acho melhor parar por aqui. Vou tentar manter o nível de desânimo tangenciando o desespero. Se eu continuar, cruzo essa fronteira.

domingo, 25 de outubro de 2015

PRÉ-conceitos

É interessante como criamos expectativas sobre pessoas, situações e uma série de outras coisas, sem que tenhamos a certeza de que o que pensamos ocorrerá. Ou seja, construímos um PRÉ-conceito.
Não sou diferente. Muitas vezes, tento acertar o futuro, escorando-me em algum dejavù de Nostradamus.
Pois bem, semana passada, uma dessas minhas apostas foi, mais uma vez, posta à prova. De quem eu jamais esperava trabalho, é quem mais tem demonstrado empenho, respeito e... trabalho. O que dizer de um ex-jogador, sempre metido em baladas, escândalos, com fama de preguiçoso que decide entrar em outro campo, nada verde, mas sim, meio cinzendo, pra não dizer obscuro? E que, aparentemente, a única coisa que sabia fazer era jogar bola e todo o pacote de badalação que vem junto, de brinde.
Romário, meus amigos, tem demonstrado que, a vida sempre apresenta surpresas, e muitas delas, boas. Acredito que não apenas eu fiz juízo de valor, a partir do histórico de uma pessoa. Quebrei a cara!
E para reforçar o lado social e trabalhador do "baixinho", vi uma sessão de criação do Dia Nacional do Combate ao Preconceito às Pessoas com Nanismo. Estavam lá várias pessoas que têm nanismo, vários representantes de entidades de deficientes e.. ele, Romário. Na verdade, a proposta de instituição da data foi dele.

Que pese o fato dele ter uma filha deficiente, a atitude é nobre demais. Enquanto alguns propõem medalhas e honras a seus amigos e apadrinhados, Romário coloca em vista um grupo enorme de pessoas que sofrem todos os dias com a discriminação e chacota. Que a Data possa ser efetivamente registrada no Calendário Nacional. E que Romário continue a mostrar, em especial, para mim, que julgar as pessoas sem motivo, pode, muitas vezes, ser injusto. Continue trabalhando "baixinho". Ah, a data proposta é HOJE, 25 de outubro!!!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

PROJETAR ASSIM É FÁCIL

Projeto é, basicamente, um empreendimento temporário, com prazo determinado, recursos definidos e um objetivo a ser atingido, um escopo. E todo projeto apresenta o que se chama de restrições. São limitadores às soluções que serão apresentadas. Todas as pessoas montam seus projetos de vida. Só que você tem limitações de tempo, de recursos (grana), enfim, você tem restrições em seu projeto de vida. E quem lida com projetos sabe o quanto é difícil propor um e gerenciá-lo.
O que tenho percebido é que, em alguns casos, no Brasil, fazer projeto tornou-se muito simples e cômodo. Ainda ontem, mais uma vez, novamente, de novo, recebemos a informação de mais um "pacote" financeiro. Deveria, na verdade, chamar-se uma "bomba" empacotada. Sem nenhuma restrição, a equipe econômica propõe aumento e retorno de impostos como o carro-chefe das medidas. Quase todas as demais proposições dependem do retorno da CPMF. Só um parêntesis: o "P" não é de provisória? Voltando o imposto, deveria trocar o "P" por "V", de vitalícia. Continuando... adiamento de reajuste salarial aos funcionários públicos que, diga-se de passagem, já estava acordado e constante no orçamento da União, além de outras medidas, como: eliminação do abono permanência, FGTS para pagar parte do "minha casa, minha vida", transferência de arrecadação do Sistema S para a Previdência, entre outros pontos. E olha que o Ministro é PhD em Economia em uma das mais respeitadas Universidades do Mundo na área, A Universidade de Chicago. Mas assim, Levy, é fácil resolver o problema.

Na mesma omissão de restrições, em um projeto mais próximo nosso, a Prefeitura de João Pessoa cortou 14 árvores - algumas centenárias - em prol da execução do projeto de revitalização de um de nossos cartões-postais, a Lagoa do Parque Solon de Lucena. Ora, meus amigos, montar projeto assim é muito fácil. Todo arquiteto sabe disso. Quando se pensa nas soluções, há as restrições e, muitas vezes, elas direcionam a linha de projeto. Derrubar essas árvores, sem pensar em uma solução alternativa, é preguiça projetual. "Se fica mais fácil tirando as árvores, vamos cortar". Assim, meu amigo, qualquer pessoa faria um projeto muito bacana. A competência técnica está, justamente, em contornar as restrições, manter um custo de projeto baixo e, mesmo assim, propor soluções agradáveis e que atendam diversos interesses, inclusive o ambiental e o social. Afinal, poucas pessoas "engoliram" as explicações a respeito dessa poda "criminosa".
Projetar é uma arte. Não apenas, conceber uma idéia e executar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

TUDO CERTO, ERRADO?

Hoje foi um dia daqueles pra mim!
Cada um já começa a imaginar o porque. Mas veja, ainda nem disse se foi muito bom ou péssimo. Aí que vem a inextinguível roda da vida. Vivemos nela e, muitas vezes, nem percebemos. As expressões se criam justamente para apelidar essa possibilidade de variações. Surge, então: "Nada como um dia após o outro", "Um dia é da caça, outro do caçador" ou mesmo "Quem ri por último, ri melhor".
Hoje, a Lei de Murphy passou longe, nada deu errado, o Universo conspirou a meu favor. Mas, se perguntar a cada um de vocês, se seu dia também foi assim, teremos as mais variadas respostas. Inclusive, alguém que dirá que a Lei de Murphy a acompanhou por todo o dia.
Há coisas que, até gostaríamos que fossem mais determinísticas, mais precisas, mas não podemos negar... são fascinantes por serem assim, variáveis. Qual graça teria se já, de antemão, ao acordar, soubéssemos que tudo o que planejamos para o dia, dará certo? E a luta, a garra, a busca pela realização, onde ficaria? O comodismo é o pior dos relaxantes mentais. Não produziríamos. Seríamos meros fantoches de um destino estático, inerte. As intercorrências próprias da vida seriam relatos históricos de uma época na qual "as pessoas eram mais felizes", diria alguém.
Não que gostemos de sofrer. Mas até a dor ensina. O erro ensinou, muitas vezes, Bill Gates. As derrotas em batalha, trouxeram aprendizados a Napoleão Bonaparte. Aprendemos, também, quando erramos os exercícios de física. E podemos renascer após um dia ruim, tal qual a Fênix fazia, quando se sentia ameaçada: entrava em auto-combustão e, em suas cinzas, sempre aparecia um pequeno ovo vermelho, de onde nascia uma nova Fênix, mais bonita ainda.

Amanhã, torço para não ser um dia ruim. Nem que seja um dia ótimo. Apenas torço e rezo para que a vida apresente as situações e pessoas que deveriam acontecer, sejam boas ou ruins. Espero, sim, que , ao final do dia, eu consiga perceber como evoluir a partir do dia de amanhã.
Amanhã será um dia daqueles!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

MATEMÁTICA ATÉ NA FELICIDADE

Dizem, principalmente, os matemáticos, que as leis matemáticas podem explicar tudo no universo. Bem ousado, hein!? Mas há um tempo tenho pensado se os pitagóricos estariam certos mesmo. Não consegui ainda chegar a um resultado exato. Pensando em um espaço amostral, o plano da felicidade, acho que posso concordar com os adeptos de expressões matemáticas. 
Acredito que pode-se dizer que a FELICIDADE é igual à CONTENTAMENTO sobre EXPECTATIVA. 

Sem explicações muito aprofundadas - até porque a felicidade deve ser simples - quanto maior sua satisfação com algo, maior o numerador. Por isso que, mesmo quando não ganhamos muito dinheiro em nossos trabalhos, mas gostamos dele, temos satisfação em trabalhar, somos felizes. Charles Chaplin já dizia que "Se você faz o que gosta, jamais vai trabalhar na vida". O prazer é consequência, é natural. Não se trabalha, no sentido mais doloroso do termo. Não cabe o sentido medieval, de trabalho para tortura, ou mesmo o sentido do trabalho de parto, do sofrimento. 
Da mesma forma, se o denominador da expressão for grande, ou seja, quando se espera muito, quando a esperança - termo da estatística, que também é originada da matemática - é alta, o Contentamento deve ser maior ainda. Se assim o for, o resultado, a danada da felicidade, será grande. No entanto, se a expectativa é grande e a satisfação não corresponde, tem-se um resultado "menor que 1". E proporcionalmente, quanto maior a expectativa, menor a felicidade.
Às vezes, esperamos tanto por algo, por alguém, por respostas e deixamos de buscar o numerador, a satisfação nos momentos, nas pequenas coisas, na natureza, no trabalho - por que não!? - e a expectativa passa a ser uma função exponencial... se ela cresce demais, a felicidade fica comprometida
Devíamos olhar as contas da vida como um Conjunto Natural (N) de decisões. Por vezes, até contamos com uma "calculadora" para ajudar. Amigos viram calculadoras. Família, Deus, bons livros, tudo pode virar calculadora nos momentos de decisão. Mas sem senos, cossenos e tangentes que dificultem nossa vida. Ela é curta, sim. Mas não precisa ser complexa. Vida tranquila = felicidade, se e somente se: CONTENTAMENTO maior que EXPECTATIVA.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

EXEMPLOS E CONTRA-EXEMPLOS

Tudo no mesmo dia. Hoje foi um dia daqueles, de satisfatórias surpresas e decepções desumanas.
Estou voltando para minha casa, após 6 meses morando com meus pais. E alguns serviços precisam ser feitos. Aí mora o perigo, ou a dor de cabeça. Não sei se podemos federalizar, mas em João Pessoa, se você precisar de um serviço, qualquer que seja, muitíssimo provavelmente, terá que se contentar com a promoção: contrate um serviço e ganhe uma chateação. Poucas vezes precisei de um serviço e fui bem atendido, o serviço prestado a contento, no prazo estabelecido. Enfim, poucas vezes, tive o mínimo que se espera de um prestador de serviços.
Encomendei um portão e duas bandeiras (aquelas estruturas que ficam em cima do muro). Quando o pedreiro foi colocar as bandeiras no muro... surprise! A bandeira ficou maior que o muro. Chamei o responsável da metalúrgica. Ele mediu, não entendeu como havia acontecido. Depois de um tempo tentando explicar, disse que faria o reparo. Detalhe: só entregaria na próxima semana. O pedreiro vem nesse final de semana. Resultado: o pedreiro terá que vir, também, na outra semana, só para colocar essa bandeira. Um erro de fabricação e quem arca com as consequências sou eu.
Ainda nesse fatídico dia, outro transtorno. Esse já vinha "moendo" - como dizemos aqui - há um tempo. Contratei um serviço de jardinagem pra podar todas as árvores do terreno, retirar a árvore maior, da frente da casa, e no local dela, plantar outra nova. Nesse local, o jardineiro iria colocar um tubulão de concreto para direcionar as raízes. Muito bom, né? Na teoria! A poda deu certo. No entanto a retirada da árvore... huuun. O cara fez o serviço no sábado, quebrou o piso para retirar as raízes e disse que plantaria a nova árvore, junto com o tubulão, na segundo seguinte. Até hoje ele não veio plantar a árvore. Se fosse só isso. Desde aquela época, não atende minhas ligações. Tenho que ligar de outros telefones. Quando ele atende, promete outra data e não cumpre. Isso gerou um nível de tensão, hoje, quando consegui falar com ele, como há muito eu não tinha. Inclusive me deixando o restante do dia bem mal, fisicamente. Acreditem o fenômeno somatizar existe! Anotem o nome desse cara e deixem bem longe de suas agendas e indicações: Erinaldo Pereira da Silva da Flora Sinal Verde. Um enganador de primeira!
No entanto, no final da tarde, o bom exemplo do que é um serviço bem prestado surgiu. Fui a um fisioterapeuta, indicado por meu cunhado, para tratar uma tendinopatia que já me acompanha há cerca de 3 meses. Primeiro ponto positivo: horário marcado. Aí você já pode pensar "mas eles marcam horário e não cumprem". Pessoal, ele marcou 16 horas. Entrei no consultório às 16 em ponto. Ele saiu quando cheguei, pediu que esperasse um pouco. Começou a me atender às 16:10h e já chegou dizendo "desculpa pelo atraso! Uma paciente teve uma queda de pressão e tive que dar uma assistência maior. Acabou atrasando todos os atendimentos". Durante a consulta inicial, fez uma anamnese como a maioria das pessoas da área de saúde já esqueceu. Ouviu meu problema, viu os exames, explicou tudo com muito paciência e calma. E tocou em mim. Eureka! Tocar o paciente é interessante para perceber problemas. Olha que procedimento fantástico. A maioria dos médicos e profissionais da área não lembram disso. Os dois últimos que passei, devido a esse mesmo problema, sequer tocaram em mim. Olharam os exames e, de forma mágica, quase mediúnica, prescreveram medicação e fisioterapia. O de hoje de manhã mesmo... horário de chegada. A clínica abre às 8 horas. Cheguei às 8;05h. Já tinham 5 pessoas na minha frente. O médico começou a atender às 9:45h. Eu entrei na sala às 10:55h. E minha consulta durou 10 minutos.
E tem mais pontos que me fazem elogiar esse serviço - sim, porque vários profissionais de saúde esquecem que são prestadores de serviço. Pediu, muito fortemente, que não me atrasasse. Que só assim pode manter um nível de atenção elevado em cada caso, sem a pressão de ter a sala de espera cheia. E mais, se chegar atrasado, só vai ser atendido no final de todos. E não ter secretária? Ele mesmo passa o cartão do plano de saúde, ele marca os horários. Disponibilizou celular e whatsaap, para o horário de trabalho. E ele atende mesmo, sempre que pode.
É um absurdo o nível de serviços que temos atualmente. Pelo menos temos contra-exemplos de serviços de qualidade. Se é que isso conforta!

domingo, 2 de agosto de 2015

LUAR DO SERTÃO

Passei meus 3 últimos dias em uma festa de interior. Aquelas festas de Padroeira. Festa de Santana, na cidade de Caicó, interior do Rio Grande do Norte. Algumas pessoas conhecem e até já devem ter ido pra lá no Carnaval ou mesmo neste período.

Como não fui pra nenhum dos shows que aconteceram (até porque todos são de forró de plástico), revi muita gente da minha família, bati umas fotos, enfim, aproveitei bem. E, tive bastante tempo pra pensar, observar alguns detalhes que, às vezes, pela correria em que vivemos, não reparamos. Interessante observar como uma cidade relativamente grande - terceira maior do RN - ainda é tão atrasada em algumas questões. É comum demais ver as pessoas andando no meio da rua, sem se preocupar com carros, motos etc. E olha que tem moto. João Pessoa tem muita, mas lá.. hun! Outra característica típica é a posse das pessoas. Lá, todo mundo tem dono. É fulano de sicrano. João de Carmélia, Vera do finado Luiz. Assim, eu sou "Fabin de Avani" ou "Fabin de Toin", minha mãe e pai. E, acho que, mesmo quando estiver velhinho, ainda seria Fabin, no diminutivo. Isso é muito bom. E tem mais, a memória daquele povo, coisa de cinema. Eles conversam sobre todos os conhecidos em comum e a árvore genealógica é requisitada a todo o momento. A ligação entre as famílias também é algo muito peculiar. Elas se reúnem em casas que já passaram por 4, 5 gerações. Existem casas que todos sabem de qual família é. E as pessoas vêm de longe para ficar na casa de sua família.. E há festas organizadas, com camisa, caneca, banda particular, que já passam de décadas de realização. O atraso também é notório. Não há alguns caixas ou agências de alguns bancos. O trânsito, em alguns locais, não tem sinalização. Só quem é de lá para conhecer a lógica. E ainda há muita pobreza.
NO ENTANTO (com maiúscula mesmo)... visitar o interior é algo fantástico. Todos deveriam conhecer e passar um tempo em uma cidade do interior. Recomendo Caicó. Mesmo com a pobreza que insiste em rodear algumas famílias, jamais alguém deixa de fazer um convite: "Vamos entrar e tomar um café!". As casinhas simples, conjugadas, sem varanda ou com uma bem pequena parecem sempre sorrir pra você. Transparecendo uma nostalgia difícil de explicar. Quem já foi em interior, sabe do que estou falando. As cadeiras de balanço parecem ter vida própria, parece que te abraçam e carregam consigo a simplicidade de várias pessoas que por alí passaram e deixaram muito mais do que saudade. Deixaram um pedaço de suas vidas. Morrem, mas permanecem. Estranho, mas agradável. Não há pessoas querendo passar por cima de outras, corromper, enganar. Até deve ter, mas são, com certeza, tão poucas perto das hospitaleiras, das simpáticas, das educadas. A confiança salta aos olhos, como virtude rara em nossos dias, nas grandes cidades. Encontrar jaca sendo vendida no supermercado. Que, mais do que uma vitrine de vendas, é um local de conversas, de rever amigos, de conversar sobre as famílias.

Ver uma feira, como aquelas que nossos pais e avós comentavam, que não encontram mais nas capitais. É bom ver que as pessoas vivem mais, temporalmente falando. São idosos com a pele marcada pelo sol que incomoda,, com marcas no rosto, mas com um alegria que transparece. O tempo parece passar mais lento. As pessoas se falam, andam com mais calma. Sempre se tem um tempo para prosear. E como isso é bom! Lugar onde "mais" substitui "com". Onde se diz "Vá mais seu tio" e pode-se traduzir, literalmente, para "Vá com seu tio".
Comida boa, bons doces, diferentes pratos. Nada de rebuscado. Tudo local, regional. Culinária que, só não desponta, porque é... do interior. E sabe em que isso incomoda os mestres gastronômicos Caicoenses? Em absolutamente, nada! As bolachas, queijos, bolos continuam fazendo parte dos sonhos de muitas pessoas que alí visitam.

A fé, capítulo à parte. A crença, sempre muito relacionada, com o sofrimento, encontra terreno fértil. Afinal, além da pobreza, eles precisam, direta ou indiretamente, de chuva, de colheita. E para isso, pedem muito para que Deus mande chuva na medida do que lhe agrade. E, mesmo com a seca que se instalou na região, a Festa de Santana continua sendo um momento de agradecimento e muita fé.

Como disse certa vez um senhor, sertanejo de verdade, conhecido como Luiz de Januário (seu dono!) ou, simplesmente, Luiz Gonzaga: "Não há [...] luar como esse do sertão"

domingo, 26 de julho de 2015

5 ANOS DE VIDA... NOVA

Das simplicidades que a vida nos apresenta, muitas vezes tentamos enxergar apenas as dificuldades, o mais complexo. Somos levados a crer que nossa vida sempre é a mais difícil. A grama do vizinho sempre é a mais verde. No engarrafamento, a fila do lado sempre anda mais rápido. E há tantos que se deixam levar completamente por essa sensação, por esse sentimento, falso, de que o Universo conspira contra nós. Ou mesmo que Deus não olha por mim.
Mas quantas peças a vida nos prega. Os exemplos de multiplicam para mostrar claramente que o nosso sofrimento nunca é o pior. Quantas pessoas possuem deficiências as mais diversas e vivem em um nível de felicidade que, talvez, nunca alcancemos? Mães que cuidam sozinhas de seus filhos - às vezes, mais que um - recebendo salários não condizentes com um mínimo de dignidade. Quem visita um hospital pode entender, perfeitamente, o que é sofrimento. Em alguns, isso é mais gritante. A dor, o abandono, o desprezo, a falta de esperança são alguns dos sentimentos que convivem em leitos e, até mesmo, corredores desses locais que deveriam ser de recuperação. Há 5 anos, pude vivenciar o que é, realmente, ver que a sua grama, muitas vezes, é mais verde que a do vizinho.
Passar 4 dias dentro de um hospital de emergência, em quartos sem a higiene básica necessária, com 5 leitos no local onde deveria haver somente 3. Ver que pessoas são esquecidos por todos. Passam dias sem que ninguém venha os visitar. Sentir a impotência no olhar das pessoas que poderiam ajudar muito mais, caso lhes fossem dadas condições, como enfermeiros e nutricionistas.
E olhar para si próprio naquele momento e ver que eu tenho uma família linda demais, que esteve comigo nos piores momentos, sofrendo junto comigo. Mesmo os que não são de sangue, mas que se tornaram família. Perceber que tenho vários, inúmeros amigos, pessoas que se preocupam verdadeiramente comigo. Que ficam felizes pelo simples fato de eu estar vivo. Sentir que Deus venceu uma batalha que se travou naquele momento com alguma força negativa que quis me roubar a vida. Não dá, nem eu posso dizer que não sou privilegiado por todas essas coisas.
Sempre fui muito agradecido a Deus por tudo o que aconteceu na minha vida. E ele sempre será o grande responsável por tudo o que coloca de bom nela. Mas, há cinco anos, minha gratidão se amplificou. Sei que algumas pessoas não acreditam na sua existência. Não preciso tentar convencer essas pessoas com palavras de persuasão. Eu já sou uma prova viva de que Deus cuida de cada um de nós. Basta olhar... e querer ver!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CONSCIÊNCIA TRANQUILA É O MELHOR REMÉDIO CONTRA INSÔNIA!

Uma perguntinha básica aos amigos estatísticos e àqueles que gostam de relações e análises de representação: 6,54% é uma amostra representativa de um universo? Sem uma avaliação estatística apurada, pode-se dizer que não é representativa. Ou seja, aquilo que se observa na amostra não representa, com grande chance probabilística, as características do universo estudado.
Pois, hoje, cerca de 6,54% dos professores da Universidade Federal da paraíba decidiram manter a greve e são "representantes" de cerca de 2506. Sem contar que esses dados do relatório de 2014 da UFPB. Hoje em dia existem mais professores. Sabe quantos professores votaram no Campus de Areia? 10. Quer que escreva? dez professores. Em Bananeiras, 20 assinaram a lista, mas só 10 votaram. Como assim? Interessante é observar a foto tirada na assembleia do Campus João Pessoa. Bem fechadinha pra não mostrar o quão vazia estava.

Acho que já passou a hora dessa piadinha acabar. As decisões têm de ser um reflexo do que o universo de professores deseja. Já temos condições e instrumentos para fazer votações online. E não apenas obrigar que aqueles que querem votar tenham que assistir essas assembleias que mais parecem um juri popular, da era medieval. Ninguém persuade ninguém. Cria-se apenas os times, os que querem a greve e os que não querem. E a assembleia se desenrola como uma briga de torcidas. 4 ou 5 professores expõem, realmente, questões relevantes e interessantes. O restante é replicação e ambão de status.
Concordo com todos os pontos apresentados pelo Sindicato Nacional de nossa categoria (ANDES). Todos! Mas esse não é o momento. Tivemos um bom momento em 2012. Tudo propício para conseguirmos, se não tudo, boa parte do que estávamos reivindicando. O que aconteceu? Recuamos em um momento crítico e ficamos sem conquistas. E ainda demos ao Governo Federal o álibi para, agora, "passar na cara" a falácia: "Não sei porque pedem aumento se já receberam um nesse ano". Poucos sabem que o aumento desse ano é a última parcela do aumento acertado em 2012. E, por sinal, a inflação já nos roubou. Assinamos, naquela época, um Atestado de submissão. Aceitamos que estaríamos em 2015 com um poder de compra inferior ao de 2012.
Dessa vez, pior do que aquela, a quantidade de professores que participa das decisões é ínfima, pífia. É, sinceramente, revoltante, ver que o semestre ficou totalmente comprometido - mais uma vez - que a pós-graduação não para suas atividades, o que denota uma greve branca. É triste ver que, até mesmo os alunos, estavam a favor da greve, pelo simples fato de que ganhariam algum tempo para colocar seus estudos e atividades em dia. Alguém aí está estudando?
Alguns me perguntam quando a greve vai acabar. Alguns dos cerca de 32.000 alunos matriculados nos cursos da UFPB e que também estão sem aulas. E falo aqui apenas dos graduandos e em cursos presenciais. Sabe minha resposta? Não sei. Isso, "não sei" é minha resposta. Não há horizonte, não há uma perspectiva, não há sequer uma decisão unânime entre as Universidades de que a greve é o melhor instrumento nesse momento. Algumas ainda continuam suas atividades normalmente.
Talvez por isso, infelizmente, que as piadinhas sobre professores vagabundos, servidores públicos que não trabalham ganhem tanto eco entre a sociedade. Parte em razão do desconhecimento de quem assim avalia. Por não conhecer a realidade das Universidades Federais. Parte pela manipulação de fatos, palavras e mídias que nossa Impressa realiza. Mas, nessas partes todas, façamos nossa mea-culpa. Se vale de alguma coisa, não faço parte dos 137 que votaram a favor da manutenção da greve. Bom, pra mim vale. Consciência tranquila é o melhor remédio contra insônia!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

QUANTOS DIAS DO AMIGO?

Hoje recebi uma mensagem de "feliz dia do amigo". E sempre fico questionando qual realmente seria o dia do amigo. Porque, com certeza, há mais de um durante um ano. Deve ser um do amigo, outro da amizade, do coleguismo.
Mas, depois pensei melhor e, deveria haver mais do que um dia do amigo mesmo no ano. Afinal, são tantas as nomenclaturas, as definições, classificações, que a amizade acaba se tornando uma das coisas mais interessantes, mais estranhas e menos compreensíveis do mundo.  Temos amigos do peito, "irmã de vida", amigos e ponto, amigões. Há amigos que fizeram parte de sua história e voc~e nem os vê mais, sequer sabe como estar, se estão mesmo vivos. Mas, amigos de verdade, continuam tendo um espaço grande em nossas vidas, mesmo distantes, mesmo ausentes... mesmo mortos. São pedaços que grudam de uma forma inabalável e fecham hermeticamente suas melhores lembranças.
há os amigos do sofrimento, quando você acaba namoro, casamento, eles estão alí, com a programação completa do fim de semana, pra lhe tirar da fossa. Às vezes, até descobrimos, mais tarde, que não passavam de amigos de balada, superficiais demais para fazer parte de nossas vidas de forma verdadeira.
Namoradas-amigas. Amigos que viram namorados. Interessante é que alguns namoram anos, noivam, casam e, só depois, percebem que não são casal, continuam apenas amigos. Amizade é compartilhar, é ter quando precisar, ter uma palavra, ter um silêncio. É receber uma bronca bem dada. Daquelas que você sai dizendo "você não é meu amigo!". E depois percebe que as palavras eram daquele que se preocupa com você. Palavras de um amigo verdadeiro. Porque aquele que só te trata bem, que acoberta suas burradas, que enaltece até mesmo seus piores erros.. ah amigo, esse não é amigo.
Até pra diversão criam um amigo. O amigo-da-onça. E quem nunca buscou o pior defeito de uma pessoa pra lhe dar um presente de amigo-da-onça que o fizesse lembrar, exatamente, disso? Mas você só sabia do defeito porque era um grande amigo.
"amigo é um irmão que a gente escolhe", "Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro (Ecl. 6, 14-17)", "a amizade é um amor que nunca morre". Falaria um dia inteiro sobre frases de amigos ou amizade. Falaria, talvez, uma vida inteira.

E que venham os novos amigos! Nunca é demais, porque o ciclo da vida continua. Alguns antigos irão se afastar; outros se mostrarão não tão confiáveis (e isso em amizade é impossível). Assim, haverá perdas, mas sempre se esperam ganhos. Novos amigos preenchem. São novos papos, novas parcerias, novos momentos, enfim.
Se há tantas formas de amizade, nada mais justo do que ter mais de um dia no ano. Feliz dia do amigo, seja você meu amigo ou não.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MUITOS COM POUCO; POUQUÍSSIMOS COM... BILHÕES

Estava lendo ontem um livro bem interessante que se chama O ócio criativo e um dado me chamou atenção. Era uma comparação que afirmava que somente no mercado de ações de Londres são negociados, por ano, 75 milhões de dólares. Isso seria igual a vinte e cinco vezes o valor de todos os bens que o mundo inteiro produz, nesse mesmo intervalo. Bizarro!
Então, juntei isso ao que já queria falar desde a época da Copa América. Isso mesmo, aquela nova brincadeirinha de mal gosto com nossa história futebolística, que em nada se parece com essa sujeira que impera em nossos campos.

Mas vamos lá... uma das lutas que anualmente se travam entre população e governo - mesmo que o primeiro nunca possa sequer opinar - é a pelo valor do Salário Mínimo. Não há melhor nome, é mínimo mesmo. Com alguns codinomes: micro, irrisório, miséria etc. Sairemos dos atuais R$ 788,00 para vultosos R$ 855,00. Que maravilha, 67 reais a mais. Aqui em João Pessoa dá 27 passagens de ônibus. Mas queria trazer à discussão o gênio, o xodó brasileiro, o craque, o prodígio... tá bom, nem jornalista da globo eu sou... mas, que entre Neymar. Amigos, aquele cara que na Copa América fez aquela palhaçada toda, que teve a postura de qualquer coisa, menos de um Capitão da Seleção Brasileira (mais irresponsável ainda o técnico que deu-lhe a braçadeira!) recebe um salário anual de 12 milhões de euros. Você já deve estar fazendo as contas. Vou lhe ajudar, são 42 milhões de "brasilis". Difícil mensurar? Isso representa R$ 3,5 milhões pooooor mês. Sabe quanto tempo uma pessoa que recebe salário mínimo tem que trabalhar para receber o que o Herói de chuteiras Tupiniquim recebe em um ano? 4094 anos... ANOS!!! Ah, considerei o salário mínimo do ano que vem, hein! Vale à pena ficar torcendo pra esses caras? Entendo perfeitamente que não é fácil simplesmente se abster da vontade de ver um jogo da seleção. Nossa tradição ainda fala mais alto do que a completa desproporcionalidade monetária que o futebol assumiu, perante o prazer do jogo, perante a paixão que sentimos, em especial pelo escrete canarinho! Mas é um caso a se pensar.
Ainda dentro das cifras astronômicas que tendem ao infinito - os amigos engenheiros vão lembrar, de cara, das malditas integrais dos cálculos inacabáveis - trago mais uma. Sabe aquelas listas de pessoas mais ricos do mundo? Quem são os trilionários, os bilionários, os mega ricos, os macro ricos, os ricaços e por aí vai? A lista desse ano, construída por uma Organização Britânica, a Oxfam, aponta que as 80 pessoas mais ricas do mundo tem a mesma riqueza que 50% da população mais pobre do planeta. E ainda piora. Segundo o mesmo estudo, já em 2016, 1% da população mundial terá mais riqueza do que os 99% restantes.
Enquanto Bill Gates, Jim Walton (Walmart), Carlos Slim (Telecomunicações) e o, ainda, milionário Neymar procuram no que gastar suas onças e peixes, no "Brasil Guaranil" Saúde e Educação engrossam o caldo dos 50% mais pobres. E só para arrematar, além dos 9 bilhões cortados da pasta da Educação neste ano, surge uma nova todo dia. Essa é fresquinha: mais um "taio" na carne, 75% de corte no PROAP (Programa de Apoio à Pós-graduação). Essa verba sustenta a maioria dos programas de pós-graduação do Brasil. Sempre vem mais pra quem acha que chegamos no volume morto verde e amarelo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

MORTE = "ENDEUSAMENTO"

Ontem recebemos a notícia da morte do cantor Cristiano Araújo. Digo "recebemos" porque foi o que mais se falou em todos os lugares. Confesso que nunca ouvi falar dele. Não é que eu não conheça suas músicas. Eu nunca OUVI falar sobre. Dada a repercussão, fiquei curioso e pensando "como não conheceria um cantor tão famoso?". E fui procurar suas músicas. A primeira que aparece... "Empinadinha". Letra "A gata endoidou, deu uma empinadinha em mim [...] Relaxa, o som já tá tocando, Homens e mulheres já tão tudo se pegando". O clip mostra um cara beijando uma menina, depois já beija outra e otras cositas más.

Hoje pela manhã, esperando um exame que iria fazer, passando o Bom Dia Brasil. Simplesmente, o Jornal mais visto da Televisão pela manhã. Do tempo que assisti, mais da metade falou sobre Cristiano Araújo. Um dos cantores entrevistados disse sobre Cristiano "É um cara que ensinou muito, passou muitas mensagens com as suas músicas, coisas bacanas...". Ensinou muito? Mensagens? Qual a mensagem subliminar em "homens e mulheres já tão tudo se pegando"? O que eu não entendi? Em um jornal impresso a manchete principal era "O Brasil perde um fenômeno". É demais, não!? Já não basta ter que escutar Ronaldo "O fenômeno". Em nada o que estou falando aqui tem a ver com o sentimento de perda de um ser humano, especialmente para família e amigos. E chega a nos comover, devido ao acidente em si. Mas tornar, agora, esse rapaz como a estrela do cenário musical nacional é uma das muitas vulgaridades culturais que temos enfrentado em nosso País há um tempo.
A título de comparação, alguém lembra do dia após a morte de Dominguinhos? Aquele Dominguinhos que tocou com Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Yamandú Costa (alguém sabe quem é esse rapaz? Devia saber!). É, um réles Dominguinhos autor de músicas como Xote das meninas, Sabiá, Pedras que cantam entre outras. Alguém lembra? Talvez alguns nem saibam que ele já faleceu. Esse, sim, deveria causar comoção nacional, pela história musical que teve.
Infelizmente, a cultura de massa quase nunca é sólida, bela e atemporal. Ela é fútil, instável e, para mim, inacreditável.
Respeito Música Sertaneja, mesmo não gostando. Mas ver esse tipo de música sendo tocada nos palcos do Nordeste, na época de São João, incomoda demais. Desejo que a família de Cristiano enfrente da melhor forma possível sua perda. Mas desejo, também, que os bons em nosso País - em qualquer esfera - tivessem a mesma valorização que ele teve.. e em vida!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A TECNOLOGIA QUE DESUMANIZA

Novidade não é. Acostumando-nos ou não, notícias de estupros e assassinatos - principalmente - são recorrentes em nossos jornais. Neste domingo, mais uma. Um sequestro a duas mulheres e uma criança em João Pessoa. Resultado, uma das mulheres morta, a outra estuprada e bastante ferida. O bebê, encontrado amarrado, também sobreviveu.
Mas meu destaque não é nessa, infeliz, rotina. Quero destacar uma característica que se apossou do ser humano em tempos de facilidade de registro, a desumanidade. Ainda nesse domingo, recebi, em um grupo do Whatsapp, um vídeo sobre o sequestro e estupro. Imaginei que fosse uma reportagem. Ledo engano! Na verdade era uma pessoa - muito provavelmente policial ou socorrista - questionando a mulher que sobreviveu e estava recebendo atendimento, acredito que ainda no local. Na mesma hora parei de ver o vídeo. Mas imagino que a "entrevista" continue. Vejam a que ponto de insanidade chegamos. Diante de todo o ocorrido, da situação da mulher, que devia estar semi-nua, diante de uma atendimento, o cara faz uma filmagem do rosto da mulher. Tanta coisa a ser feita naquele momento e o que o cara decide fazer? Gravar o vídeo, muito provavelmente, para dizer pra todo mundo "aquele vídeo, tu assistiu? Fui eu que gravei!". Do que as pessoas se vangloriam hoje em dia. De ser o mais rápido, de estar no lugar certo, na hora certa, de flagrar qualquer coisa, mesmo que seja um sofrimento humano imensurável. Várias perguntas muito simples me vêm à mente: Perguntar a esse cidadão - se é que se pode chamar assim - se ele aceitaria e gostaria de inverter os papéis. Em uma situação como aquela, se ele gostaria de ser filmado. Outra, o cara fala no vídeo, então, muito facilmente, pode-se saber quem é. Pergunto: a quem estiver subordinado, para quem ele trabalha, algo será feito? Ou se permitirá que um agente público passe a fazer as vezes de urubu, só esperando a carniça para atacar? Tem mais... alguém ainda acredita que as pessoas que fizeram isso (e tantas outras coisas descomunais e infernais) têm correção? Merecem ter o "direito" de ir para a cadeia e se reabilitar? Elas querem? Pena de morte não é o mais adequado?
Eu sinceramente, já perdi a esperança em várias coisas nessa vida. Não sou hipócrita, nem vendo paraíso. Sou factual. Os episódios mostram o final dessa série chamada BRASIL. Prometi que não falaria mais em política. E não vou! Mas em questão de violência e desrespeito, vivemos um caos que não tende a melhorar. A não ser que hajam Revoluções. Sim, mais de uma, em várias esferas. 
Pra começar, poderíamos moralizar o uso de câmeras e celulares. São armas poderosas, quando bem utilizadas. Expor, pelo resto da vida dessa mulher, o sofrimento que ela passou naquele momento, é completa falta de humanidade


quinta-feira, 4 de junho de 2015

EMAGRECER SEM PARAR DE COMER

Sou gordo e quero emagrecer!
Bom, primeira ação, proibir fabricação de chocolates, doces e todo tipo de guloseimas que possam acrescentar calorias em excesso na minha dieta. Segundo, impedir venda de líquidos em restaurantes e lanchonetes. Assim, evito beber líquido enquanto como, mesmo que seja um lanchinho. Tem mais, todos os alimentos hipercalóricos serão proibidos de ser fabricados, como: azeitonas, sorvetes, pizzas, amendoim, castanha etc. No decreto que criarei, haverá uma lista gigantesca desses alimentos. Ah, bebidas nem pensar. Então, as cervejeiras que me desculpem, mas terão que parar a produção. Não quero nem ver nas geladeiras de supermercados, bares e restaurantes. Quanto a mim??? Regime? não, não. Tô fora. Quero emagrecer apenas a custa dos outros.
Assim é muito bom, né? Onerar todos os outros em prol de um bônus que é meu. É E-XA-TA-MEN-TE isso que o Governo Federal está fazendo. Corta receitas dos outros, corta verbas para os outros, corta financiamentos para os outros e ainda taxa os outros, para reduzir sua gordura. Uma gordura que foi criada a partir de ações inconsequentes, imprudentes e inapropriadas. Não observar todos os avisos que foram dados por vários anos, inclusive oficialmente, por especialistas em recursos hídricos. Ações deveriam ter sido tomadas para impedir que chegássemos à atual situação: utilização de nível morto sem o tratamento adequado, racionamento em barragens para que não falta energia elétrica etc. Aí, surge a varinha mágica do Ministro das Minas e Energias e... puf... criam-se as bandeiras na conta de energia. Assim é fácil! Eu faço a conta e você paga, certo? Uma das decisões mais autoritárias de compensação que já vi.

Enquanto isso...na sala da Justiça, literalmente... o poder judiciário teve um aumento de até 78,56%. Que maravilha! Quem não quer um aumento desse? Mas cabe dentro da situação de ajuste fiscal que o Governo tanto defende? Devo estar louco por achar que não? Acho que vou enlouquecer mesmo. Mas antes, só para fechar a informação, esse aumento terá um impacto de R$ 25,7 bilhões. E a pasta da Educação ficando com R$ 9 bilhões a menos. Onde anda mesmo a justiça?
Junte-se a isso a refoma política que não aconteceu. Mas alteraram a reeleição, ela não será mais possível. Meu amigo, se você acha que isso é reforma política... hun!!! TODOS os políticos continuam do mesmo jeito de sempre, fazendo promessas, esquecendo delas e retomando as promessas próximo às campanhas. Os partidos continuam sem identidade, sem ideologia, cada vez mais voláteis. Os responsáveis pelo executivo em todas as instâncias, vivem de conchavos ilegais, sujos que prejudicam nossos atendimentos médicos, que impedem que um Sistema tão bem planejado como o SUS não funcione nem próximo ao que deveria e poderia. E não se percebe nenhum nível de sensibilidade desses caras, de arrependimento. Junte ainda, o valor que se dá a ladrões em nosso país. Se você participa de esquema de desvio de verbas públicas, de roubos astronômicos, incalculáveis, você será premiado. Isso mesmo... Delação premiada! Olha que nome lindo para impunidade!
Em suma, juntando tudo isso e mais um bocado, a coisa continua piorando. E sabe o que é pior, eu só me chateio com isso. E muito! Então, decidi que vou parar de falar de política. Dar espaço para outras leituras, para outras preocupações - que são tantas na vida - para outros assuntos. Pegar no violão novamente, escutar novas músicas, de novos cantores, procurar bons textos na internet, bons blogs, enfim, parar de pensar em coisas que não vão mudar. Trabalhar minha vida. Essa, sim, sei que sempre pode mudar pra melhor. Sempre há espaço. Vou começar, antes que o ajuste fiscal venha a confiscar a esperança que ainda tenho em muitas coisas. Esperança que, sinceramente, já perdi na política e nos "gordos" que lá habitam.

domingo, 17 de maio de 2015

#estamosinvoluindo

Chega o final de semana e começam os "sextou", "sabadou" e "domingou". Verbalizar um substantivo é mais uma das coisas desconstrutivas ou, no mínimo, inúteis que a tecnologia e tudo mais que vem agregado a ela tem nos oferecido.
Os memes, as modas, enfim, a "ciberwave" traz benefícios (vejo muito poucos), mas consegue distanciar, cada vez mais, as pessoas das pessoas e das boas informações. O crescimento social e intelectual vai se esvaindo ralo abaixo  à medida que "facebookar", "googar" e mandar um "whats" substituem um conversar tête à tête ou estudar. Ler é item raríssimo na prateleira até mesmo de estudantes universitários. Meu pai sempre disse "só escreve bem, quem lê bastante". E como é triste ver alunos cometendo erros bizonhos, como se fossem alunos de 4 ou 5 ano. Às vezes, confesso, chega a ser irritante a quantidade de erros simples. Coisas que, na leitura de qualquer jornal ou revista, pode-se encontrar e jamais esquecer.
Impressiona o poder que as coisas vêm e tornam-se essenciais na vida das pessoas. Cada vez que vejo uma pessoa gravando um vídeo no dubsmach fico me perguntando: qual é o sentido disso? Qual a graça? Sabe o que é pior... é que vejo algumas pessoas que jamais imaginaria fazer isso, fazendo. Perdendo seu tempo, dublando uma pessoa na internet. Simplesmente para colocar aquilo na internet. E os joguinhos do face? Prefiro não comentar!
Nossa vida passa muito rápido e parece que, à medida que envelhecemos, ela acelera seu passo. Precisamos cultivar mais momentos juntos, com os amigos, construir histórias, marcadores em nossa tragetória. Isso passa, também, por aumentar, sempre, nossos conhecimentos. Não digo apenas de ler livros técnicos em qualquer área do conhecimento. Digo ler o que lhe agrada, visitar lugares diferentes ou revisitar alguns interessantes, assistir um cinema, sair de casa, dar os parabéns pessoalmente aos amigos, tomar uma cerveja, um vinho, batendo papo, mesmo que os papos, com o passar do álcool, tornem-se furados. Mas sempre lembramos desses momentos. O título de uma dos melhores livros que li é "O ócio criativo". Também é bom o ócio. E ele ajuda na criatividade e no desenvolvimento. Mas "ociar" escrevendo hashtags e editando fotos para serem colocadas no facebook ou no instagram, pra mim, é #trollarminhavida

sábado, 4 de abril de 2015

A BONDADE DEVE SER PERENE

Viva! Mais um período de afloramento da bondade nas pessoas. É páscoa! Alegremo-nos! Sentimo parecido vive-se na Natal. As pessoas se transformam! Aí mesmo está o problema; a transformação é passageira. Olha-se mais para os que não têm comida, para os que não têm casa. As pessoas ficam mais solidárias e menos agressivas. As igrejas e templos ficam lotados. Depois da Semana Santa, como depois do Natal, tudo acaba. A HUMANidade é temporária e dura pouco, como as inovações tecnológicas do mundo atual. Que ironia: tentamos ser mais sensíveis às necessidades das pessoas - nessas épocas - mas, de fato praticamos uma obsolescência programada da bondade.
E, nessa semana, um episódio me chamou atenção. O caso do bebê Moisés - assim chamado pelos moradores do bairro do bessa, em João Pessoa. O menino foi abandonado com poucas horas de vida. Encontrado por um homem, foi resgatado, levado ao hospital e encontra-se bem, segundo as informações dos médicos. Mas o que impressiona é a quantidade de pessoas que manifestaram interesse em adotar o menino. Fantástico, alguns diriam. Isso pra mim é hipocrisia! Gostaria muito de saber se todos esses que manifestaram interesse, adotariam qualquer outra criança. Ou mesmo, entrariam na fila de adoção? Sem ter direito a escolha, sem saber se será um branco, negro, deficiente. Escolher um menino que é famoso - mesmo que de uma forma desgraçada - é cômodo demais.
Quem já visitou um orfanato, como eu já fui, sabe o drama que é aquilo. Mesmo que haja pessoas que cuidam bem das crianças, são várias, que não tem uma casa. Todos são seus irmãos. O rosto de cada um, os pedidos de "tio, me leva!" ou "tio, quando vocês voltam" não saem tão fácil da memória. E temos, pelo menos aqui na Paraíba, 347 pessoas habilitadas para adotar e 55 crianças disponíveis. Tudo solucionado? Não! A grande maioria só quer crianças entre 0 e 2 anos. Perfil pouco comum nos orfanatos.
Que bom se essa disponibilidade para o bem durasse o ano inteiro. Que a Páscoa e o Natal fossem momentos de brindar e comemorar mudanças verdadeiras e duradouras e não atos efêmeros, passageiros.
Como disse, ainda ontem, o arcebispo da Paraíba "Jesus é morto todos os dias em nosso mundo". Deveríamos salvá-lo todos os dias.

domingo, 15 de março de 2015

DÉJÀ-VU

Hoje, como em junho de 2013, fui ao protesto aqui em João Pessoa. Já deixo claro que não fui pelo Impeachment ou pra pedir a saída de qualquer partido. Fui pela volta da Moral, com "M" maiúsculo. Aquele que aprendíamos na escola, na disciplina Moral e Cívica.
Como naquela época, não tivemos tanta gente como em outras cidades. Calcula-se cerca de 200 mil pessoas. Confesso que esperava bem mais gente.
Vi vários cartazes interessantes. Vi muita babozeira, ainda. Vi crianças - o que julgo muito bacana. Ouvi apelos sem sentido nenhum. Ouvi vários bordões interessantes. Concordei com muitas coisas. Discordei de algumas. Exatamente como no protesto que houve em junho de 2013. E voltei pra casa.
Ao chegar, fiquei acompanhando, junto com meus pais, como estava o movimento em outras cidades. Vi coisas muito bacanas, como os cerca de 1,5 milhões de pessoas em Sampa. Próximo a 1 milhão no Rio. E algumas cidades que demonstraram o descontentamento com a situação do nosso País. Mas já havia sido anunciado um pronunciamento, por parte do Governo Federal, para às 18:30h. Fiquei, então, esperando.
Primeiro, o que me surpreendeu? Dilma. Ou melhor, sua ausência. Ué... um País se mobilizando, uma situação de tensão popular, polícia nas ruas, reivindicações as mais diversas, inclusive de impeachment da presidente.. e ela... não aparece. Ora, ela Governa o País. É a gestora de tudo isso. Define os ministros - bem mais do que os necessários - responde por nosso País lá fora. E no momento crítico, não aparece. Isso, para mim, não tem outro nome: Covardia! E manda responder as perguntas o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência (Miguel Rossetto) e o da Justiça (José Eduardo cardozo). Este último, ultimamente, tem parecido mais o Presidente do que a oficial. É ele o encarregado de responder pelas ações da Presidência. Ministro da Justiça falando sobre economia, política e percepção do governo sobre os protestos? No País onde o ministro da Defesa é um civil, é o mínimo que se pode esperar
Mas o que me chamou atenção é o déjà-vu - para os franceses - ou, para o nordestino, o "já te vi". Na verdade, seria o "já te ouvi". Confesso que chegou a ser irritante. O que os dois falaram parecia ser gravação de junho de 2013. Combate incessante à corrupção, corte de gastos para equilibrar a economia, vamos ouvir a voz das ruas. Falou-se lá e aqui em reforma política com o fim dos financiamentos por parte de empresas a políticos. Alguém percebeu alguma mudança na Eleição de 2014? Falou-se lá e aqui em medidas de austeridade urgentes. Durante o ano passado inteiro tivemos aumento dos salários de todos os parlamentares, em cascata, dos ministros do STF; aumento de verbas de gabinete; tentativas hilárias de roubo do dinheiro público travestido de "pagamento de passagens a mulheres e familiares de parlamentares". Falou-se lá e aqui sobre a tão desejada Reforma Política. Inclusive com a discussão se o melhor seria plebiscito ou referendo - manobra que, inclusive, veio a arrefecer o movimento daquela época.
Estamos vendo tudo de novo, como uma história que você lê o filme e depois assiste o filme do livro. Essa é a minha maior preocupação. Será?

quarta-feira, 4 de março de 2015

DOIS REAIS, UM KIT E ALGUMAS IDÉIAS

Ontem conversei pelo skype com um amigo em Grenoble, na França - quem imaginaria isso há uns 10 anos? - e dentre tantas coisas que papeamos, a inevitável comparação entre Europa e Brasil. Ele nem quis entrar muito no assunto, afinal, adora o Brasil. E sabe que está lá, de passagem ou "en passant". Mas apontou algumas coisas que, realmente, chamam atenção de todos que conhecem a Europa e, em especial, a França.
Serviços públicos que funcionam muito bem, inclusive Educação. Tudo o que ele precisou, até agora, para sua pesquisa - ele faz doutorado - o Laboratório da Universidade forneceu. Pouquíssimos pedintes nas ruas. Nada de violência aparente e gratuita - como estamos, infelizmente, nos acostumando a ver - apesar de Grenoble ser a terceira cidade mais violenta da França. Dentre outros assuntos acadêmicos e de trabalho, essas descrições me fizeram pensar, quando desliguei o skype, onde anda o País que está imerso na crise, desde 2012? Isso é a crise deles?
Pois bem, hoje fiz algo que há muito não fazia. Andar de ônibus. Sempre achei um barato, ver vidas diferentes se cruzando, em ritmos bem diferentes, escutar as conversas, ver como os lugares vem mudando, enfim, ver a cidade de uma forma diferente daquela que vemos dentro de um carro. Claro que o transporte coletivo, também em João Pessoa, é horrível. Mas dei sorte de pegar um horário fora do rush. Sei que os ônibus não têm refrigeração, não passam em horários certos, não têm lugar para todos, muitos viajam em pé, a superlotação é lugar comum, sei que há motoristas que parecem levar bois ou vacas, dado o desrespeito com os passageiros. Esquecendo, por um momento, tudo isso, surgiu uma situação que me fez voltar à conversa que tive com Kleber no dia anterior, sobre a França.
Subiu no ônibus um menino, uns 14 anos, roupa surrada, dentes todos tortos e uma mochila na frente. Ele entrou, pedindo ao motorista, quase que como uma súplica. Chegou na roleta, olhou para as pessoas e pediu que alguém pagasse sua passagem para ele poder trabalhar. Confessor que não entendi, no primeiro momento. Mas uma senhora passou o cartão eletrônico e liberou sua passagem. Ele começou, então, com um sotaque totalmente paulista, a dizer, com uma voz, muito tímida, meio trêmula, alta, mas trêmula que estava vendendo uns kits para ajudar sua mãe que estava em casa e não podia mais sair para trabalhar. Disse exatamente isso "mesmo que os senhores e as senhoras não queiram ou não tenham dinheiro para comprar os kits, por favor peguem apenas para ler a mensagem que tem atrás. Isso já me ajuda". Putz, se eu dizer que não deu uma vontade quase incontrolável de chorar, estaria mentindo. Na mesma hora, peguei os 2 reais e paguei o kit. Nem sabia o que tinha. Mas isso é, infinitamente, o de menos...

E a comparação, quem começou a fazer fui eu... como nós, Brasil, poderíamos ser tão melhores em condições sociais, educacionais, comerciais, de desenvolvimento que a França! Não é pergunta. É constatação. Com a quantidade de impostos que os governos arrecadam, com as características naturais que temos, com as características da grande maioria da população, de sermos trabalhadores, de sermos atenciosos, de sermos prestativos, enfim, podemos ser melhores. Mas vivemos essa situação que, por vezes, é revoltante, por vezes, triste. Uma situação que incomoda, que nos leva a pensar, sempre, será que as pessoas que roubam e fazem o que fazem, não sentem nada de ruim por fazer isso? Não se sensibilizam quando vêem, mesmo que pela televisão, situações como essa que vi hoje? Ou será que todos acreditam que falta pouco para erradicar a miséria em nosso País? Quantos desses ainda vemos em nossos ônibus? Quantas famílias ainda dormem nas calçadas? Quantas pessoas passam fome - de verdade - no interior do Nordeste? Ou não tem água potável?... E olha que o Governo afirma em caixa alta que não estamos em crise. Não há crise energética, crise nas empresas, crise financeira.
E, ainda tive outra surpresa. Lembram que o menino pediu para ler a mensagem? A mensagem é essa aí abaixo. Se todos, TODOS buscassem viver como prega a mensagem, seríamos não melhor do que a França; seríamos BONS e viveríamos BEM
"Essencial é viver bem e em paz com ou sem dinheiro"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

País do DESmando, do DEScaso

O que você faz quando o prazo para algo lhe ser entregue é de 1 mês e já se passam 2 meses e meio e ainda não foi entregue? Reclama no PROCON? Entra com um processo judicial? Vai na polícia? E se for a polícia que não lhe entregou?
Pois é, minha casa foi arromabada no dia 18 de novembro de 2014. Foi feita perícia no local. O que leva, obrigatoriamente, à abertura de um inquérito na Polícia Civil. E eles têm 30 dias para fechar o inquérito. Estamos em 30 de janeiro de 2015. Segundo a escrivã, não se sabe nem se a polícia científica emitiu o laudo deles.
Durante todo esse tempo, passei por muitos constrangimentos, além dos esperados, como sensação de medo a todo o momento e as mudanças que tive de fazer em minha vida. Fui MALtratado por policiais militares que zombaram da situação, quando chegaram no momento do arrombamento. Diga-se de passagem, 40 minutos depois que liguei para o 190. E depois de tentar inúmeros vezes. Fui extremamente MALtratado na Delegacia do Bairro, Ernesto Geisel. Uma completa indiferença de alguns policiais civis. Em especial do Delegado Titular, Antonio Farias. Fui tratado por ele como se eu fosse o criminoso, com desprezo e grosseria. De quem se espera atitudes de proteção, de defesa, palavras que lhe tranquilizem, só escutei brincadeiras fora de contexto. Tudo o que foi levantado, até hoje, sobre o arrombamento e sobre o marginal, fui eu que levantei e alguns amigos que ajudaram, Polícia Militar e Civil, nada!
Vivemos no Brasil um completo DESmando, uma completa DESordem. As delegacias da Paraíba fecham às 17 horas. Como se não houvesse crimes durante a noite/madrugada. E para justificar o caos que nosso País vive, há um bom tempo, posso relatar vários fatos. Começemos...
Nossos Ministros são políticos, e não, técnicos, especialistas. Não conhecem o mote principal de suas pastas. Aloísio Mercadante foi para a Casa Civil. O que ele entende de supervisão e verificação de atos presidenciais e de órgãos da Administração Pública Federal? Um cara que passou pelas pastas de Ciência e Tecnologia e Educação, como um mero boneco, sem coordenar nada. Até porque não tem competência técnica para isso. Temos um Jornalista como Ministro da Ciência Tecnologia e Inovação - uma das mais importantes pastas. Há um quase engenheiro como Ministro da Defesa. Nem terminou o curso. Aliás, não terminou nenhum. O cara que tem o maior poder em caso de Crises Militares nacionais, como um guerra, é um cara que não tem 3º grau completo. Quer mais? Uma pasta que, também, tem e terá, cada vez mais, importância, é a de Comunicações. Quem é o ministro? Um bancário, Ricardo Berzoini. E, para não me alongar muito, o velho conhecido Cid Gomes para a Educação. Sem comentários, basta rever o que ele falou na greve de professores do Ceará em 2011: "Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado".
Na questão de segurança, não tem nem graça - e não tem mesmo - enumerar os casos de perda total de controle do Estado. Pessoas matam sem nenhum escrúpulo. Não se importam mais com câmeras. Assaltam a qualquer hora do dia ou da noite, em ruas movimentadas, próximo de delegacias. E sabe o que é pior. Não se quer resolver o problema. Os governantes manipulam dados para  mascarar o caos em que vivemos, quanto à segurança.

Todos os dias são descobertos ou divulgados eventos de desvio de verbas que deveriam alimentar crianças em escolas públicas, que deveriam ir para o SUS com compras de remédios, tratamentos e melhorias nas condições físicas de hospitais e Unidades de pronto-atendimento. Os escândalos são mostrados aos montes, diariamente. E pouquíssimo se vê de punição. Chega a ser irritante.
Promessas são feitas, verbas são disponibilizadas para obras e eles são terminam. Quantas obras foram prometidas até a Copa do Mundo e, até hoje, não estão prontas. E fica por isso mesmo. Os que lucraram com isso, rindo à toa. Já preparando novas formas de lucrar ilegal e absurdamente.

Nossa mídia passa o que bem lhe convêm, de forma inconsequente e sem um mínimo de sensura. Chingamentos e palavrões são disferidos em horários inadequados, em programas que crianças têm oportunidade de assistir. O sexo é mostrado sem nenhuma questão ética e sensata. Fazendo, inclusive, parte de título de programas. Ou ninguém lembra de "Sexo e as negas"? A Globo ter um programa que tem "nego" no título não é crime de discrimição. Agora chame um afrodescendente - vou até me resguardar - de nego para ver o que lhe acontece. Tudo se justifica pelo manto "sagrado" da liberdade de expressão.

Enfim, as situações que demonstram a perda de controle total do País se multiplicam em uma taxa exponencial. Poderia relatar mais centenas de exemplos. O que venho colocar como questionamento é algo tido como obscuro e causa até espanto em algumas pessoas. Mas é algo que venho pensando constantemente. E, sempre que vejo esses escalabros acontecendo, surge mais forte. Será que um governo militar não seria melhor para o Brasil, atualmente?
Calma, antes que surja a vontade de dizer "esse cara é louco!", queria apenas apontar alguns pontos nessa discussão. Já vi vários relatos de pessoas que combateram o Regime Militar na época da ditadura e, hoje em dia, se arrependem. Outro ponto, não acredito que há, hoje em dia, com as possibilidades de registro, que se possa esconder eventos indesejáveis, como torturas, sumiço de pessoas e outras atrocidades que dizem ter acontecido naquela época. Os tempos são outros e está cada vez mais difícil se esconder ou esconder o que se queira. Também não vejo nenhuma, repito, nenhum perspectiva de que, da forma que estamos, as coisas venham a mudar em todas as esferas: trabalhista, educacional, política etc. Não vejo governantes honestos, com vontade de, efetivamente, gerenciar uma cidade, estado e o país. Minha esperança no sistema atual acabou há um bom tempo.
Bom, não sou defensor ferrenho do Comando Militar. Mas confesso que tenho visto isso como uma saída para nossa situação. Reflitam, por favor, sem fanatismos, mas sim, por meio de fatos, de possibilidades, de idéias.
Espero não ter perdido amigos com esse texto!