quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

(AUMENTO?) DO SALÁRIO MÍNIMO

Mais um ano vem chegando! novas perspectivas, novos sonhos... mesmos problemas!
Se eu te disser que você vai receber, no ano que vem, mais 538,80 reais no seu salário, seria uma boa? Talvez, sim. Depende. Algumas avaliações rápidas você iria fazer. Correto? E se eu te disser que esse valor é o que um trabalhador que recebe salário mínimo vai receber a mais DURANTE O ANO INTEIRO DE 2014? Existe avaliação para essa brincadeira?
O Salário Mínimo - que tem o nome adequado ao que representa - será reajustado em R$ 44,90. Sabe quanto custa a cesta básica, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual – IDEME/PB? R$ 258,98. Assim, por mês, o trabalhador terá maior poder aquisitivo. É... pouco mais de um quinto da CB. Esse é o "empowerment" oferecido a ele.
Alguém já deve estar maquinando: "isso sem falar no aumento da luz, da água, IPTU - diga-se de passagem, em João Pessoa, o excelentíssimo prefeito revogou, à surdina, um desconto garantido por lei. Verdade, nem citei esses aumentos. Se quer sabe, acho uma brincadeira de muito mal gosto com o trabalhador. Mas não é o que acha Miriam Belchior (Ministra do Planejamento). Para ela: “O novo valor do salário mínimo [...] já incorporando a regra de valorização do salário mínimo, que tem sido uma política importante de alavancagem da renda das famílias no Brasil, o que tem nos levado a patamares de qualidade de vida muito superiores”. Qualidade de vida muito superiores? Valorização do salário mínimo? Alavancagem? Isso está mais para gangorra, sobe de um lado tira do outro! Sabem quanto deveria ser o salário mínimo, segundo o DIEESE, para atender às determinações constitucionais? R$ 2.750,83
Enquanto isso, vamos lá... montadoras de carro têm isenção de IPI, linha branca também, os estádios da Copa tem um incremento médio ao custo original de 55%, faculdades privadas têm 12 milhões em dívidas abonados, o Governo Federal gasta, com publicidade, 1,78 Bilhões de reais/ano ou, caso queiram algo mais pomposo, R$ 23,173 Bilhões para bancar políticos em todo o país. Na verdade, esse último saí do bolso da bermuda quadriculado que estou usando agora. Sai do nosso bolso!
Do que aumentará no salário mínimo, no próximo ano inteiro, quase um quinto servirá para cobrir esse "financiamento" que fazemos para os políticos. Afinal, cada cidadão brasileiro, desembolsa cerca de R$ 115,27/ano com essa corja!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

BRUTALIDADE PLURICAUSAL...

"Nenhum acidente é unicausal, muito menos casual". Para quem lida com segurança do trabalho, isso é um mantra! Vários fatores, SEMPRE, contribuem para o acidente. Para o pesquisador James Reason, criador da teoria do queijo suíço, o avento (sinistro) acontece quando os "furos" nas barreiras protetoras se alinham, como pedaços de um queijo.


Ontem assistimos - porque o mundo inteiro viu e noticiou - a queda dos dois times dignos de segunda divisão do futebol carioca: vasco e fluminenese. Não vou nem comentar essa derrocada anunciada.
Quero expressar, mais uma vez, minha indignação com o COMPLETO DESCASO que se vê, todos os dias, em diversos setores, em nosso país. Imaginar que aquela imbecilidade, loucura, selvageria, sejá o que tenha sido, foi uma fatalidade, com apenas um culpado, é fechar os olhos para uma série de "buracos" que se alinharam, como Reason teorizou.
É preciso apurar com muita precisão e constância, mas com muita imparcialidade. Deve-se saber se os organizadores e responsáveis pelo evento (Clube Atlético Paranaense) e CBF solicitaram a presença da Polícia Militar. Segundo o Estatuto do Torcedor: "...a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que deverão:
I – solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes públicos de segurança, devidamente identificados, responsáveis pela segurança dos torcedores dentro e fora dos estádios e demais locais de realização de eventos esportivos"
Se os organizadores não solicitaram, são co-responsáveis por tudo o que aconteceu ontem. Se a Polícia Militar foi solicitado e não atendeu a solicitação, é co-responsável por tudo o que aconteceu ontem.
Sem deixar passar em branco a co-responsabilidade da CBF, como organizadora do evento Campeonato Brasileiro de Futebol. Voltando aos organizadores, o mesmo Estatuto é bastante no Art. 16, quando determina " É dever da entidade responsável pela organização da competição:
III – disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida;
IV – disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida". Onde estava essa estrutura que a primeira ambulância chegou cerca de 10 minutos após o ocorrido???
Vale destacar que o discurso da PM-SC de atender à uma solicitação do Ministério Público é descabida. O MP não tem competência para ordenar nenhum Batalhão a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa. O Comandante Maior da PM em um estado é o Governador!!!
Vi um depoimento de um torcedor que, antes mesmo do início da partida, os torcedores já haviam brigado na entrada do estádio. E onde anda a prevenção, a avaliação de riscos que a Polícia Militar deve fazer? Um indicativo como esse não poderia passar despercebido. Muito menos o fato de haver no estádio duas torcidas que já foram punidas por crimes similares em seus estádios em outros. Novamente, dever-se-iá trabalhar com previsão a partir de eventos passados, ou seja, lidar com lições aprendidas. Não precisamos ressuscitar Nostradamus para trabalhar com previsões anunciadas.
Mas, durante o jogo, uma pessoa deveria ter assumido sua função e não o fez: o Delegado do Jogo. Figura-chave nesse escalabro com torcedores e seres humanos. Aliás, delegados, pois, nessa última rodada, foram escalados dois para cada jogo. Se ele é o responsável pelo perfeito andamento do evento esportivo, deveria, antes do início do jogo, impedir que tivesse início. Se há duas torcidas, separadas por cerca de 20 metros e uma corda (uma corda.. brincadeira, né!?), ele só deveria permitir o início do jogo, quando houvesse um mínimo de segurança ao torcedor, aos jogadores, à arbitragem. Afinal, isso poderia ter acontecido com todos que estavam alí. Assim, é um dos maiores co-responsáveis por tudo o que aconteceu ontem em Joinvile.
E não, não me esqueci da pluricausalidade dos acidentes. Há vários outros pedaços do "queijo suíço" que se alinharam. MP que não fiscaliza as torcidas organizadas. Ou será que elas seguem o Estatuto do Torcedor: "A torcida organizada deverá manter cadastro atualizado de seus associados ou membros, o qual deverá conter, pelo menos, as seguintes informações: nome completo; fotografia; filiação; número do registro civil; número do CPF; data de nascimento; estado civil; profissão; endereço completo; escolaridade."
Todas as entidades que tem como responsabilidade e atribuições garantir a ordem pública, investigar crimes (afinal, tudo ontem, pode ser enquadrado em algum tipo de crime), aplicar as penas, capturar criminosos e prover condições de aprender com situações como aquelas serão, na minha forma de ver, omissos se não assumirem suas obrigações. Temos que utilizar de forma benéfica a possibilidade que a tecnologia nos dá. Todos, mas TODOS mesmo, podem ser identificados. E que ninguém venha me dizer que não existem provas para puní-los severamente e promover uma das funções mais dignas do Judiciário, a Pedagógica. Que eles aprendam que PODEM ser punidos por seus atos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O MAL ESTÁ VENCENDO

Aquele final feliz, típico de filmes americanos, no qual tudo dá errado para o mocinho, durante o filme, mas no final... o bem vence o mal, parece ser apenas ficção na Paraíba. Esse é um dos pontos que tenho a criticar o atual governo. Dentro várias ações positivas e, por que não dizer, bastante corajosas, enfrentar o crime organizado e, até mesmo o desorganizado, não tem sido prioridade para a equipe do Mago.
Equipar a polícia com novas viaturas é louvável e necessário, mas é preciso, literalmente, usar a cabeça, INTELIGÊNCIA. Se até os bandidos, hoje em dia, utilizam tecnologia, por que não a Polícia utilizar? Temos vários exemplos positivos quando ela é utilizada. Que o digam todas as ações que a Polícia Federal tem deflagrado. Pouquíssimos tiros e muitas apreensões, de pessoas, de material, de dinheiro, de drogas...
Assaltar agências já virou uma indústria. Têm-se fornecedores de matéria-prima, atravessadores, receptores exigentes (clientes finais) e até benchmarking - aqueles que observam os concorrentes para se aproveitar de suas qualidades. Não entra na minha cabeça que uma cidadezinha do interior tenha um policial como seu EFETIVO. O cara vai trabalhar 24 horas sem dormir? É máquina? E um só policial para proteger uma cidade, é suficiente? Precisa ser especialista em segurança pública para dar seu parecer? Ou terei de mostrar números? Serve esse: 120 agências atacadas na PB até agora, neste ano?
E a quantidade de estabelecimentos assaltados nas proximidades de delegacias e postos de polícia? Isso é uma afronta à autoridade primária e declarada que deveria ter a Polícia. São farmácias, mais agências bancárias, comércios e restaurantes.
já somos, pasmem, o estado com a terceira maior taxa de homicídios do país. Pra quem era o 16º, a coisa piorou um pouquinho, hein!?
Não sei como vocês encaram esse cenário. Mas eu vejo como extremamente preocupante. Dentro em pouco - e já há rumores sobre isso - seremos paraíso de bandidos. Muitos vindos das cidades e estados que tem investido seriamente em segurança pública e combate pesado ao crime organizado, como o Rio de janeiro. Dos grandes crimes que aterrorizam aos pequenos furtos, tudo tem contribuído para que estejamos mais temerosos de viajar ao interior, de caminhar na praia, de fazer uma festinha em casa e deixar o portão aberto. O nível de atenção está redobrado. A tensão prevalece ao prazer de um passeio. Estamos, enfim, cada vez mais presos em nossas próprias casas.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ICEBERG PARAIBANO

Sabe aquela figura emblemática do iceberg? Aquele que muitos palestrantes de auto-ajuda ou de gestão empresarial gostam de utilizar?


Ela ilustra que o que percebemos e vemos como problema é apenas a ponta do iceberg. Sempre existe muuuuito mais por "baixo" da superfície.

Acho que fizeram essa analogia pensando na política da Paraíba. Explico: semana passada, teríamos a terceira inauguração do Rodoshop, em Caldas Brandão (Cajá), entre João Pessoa e Campina Grande. É.. terceira! Sabe por que não foi inaugurado? Um caminhão com cana-de-açucar tombou. O piso cedeu... ou seja, a ponta do iceberg!
E o submerso? Aí é que entra a política maldita e suja que temos aqui. A obra começou em 2008, no mandato do então governador Cassio Cunha Lima, de onde veio a primeira inauguração. Depois disso, não funcionou. Depois, José Maranhão, sucessor de Cassio, também inaugurou. Mas, novidade, nada de abrir loja. E agora, como que em uma brincadeira de (muito) mal gosto, acontece essa bizarrice. Três mandatários e suas equipes, 5 anos, para fazer um Rodoshop simplório, sem luxo. E ainda fazer bem mal feito. Ele iria ser inaugurado, sem luz em alguns boxes, sem água tratada. Sem falar na falta de planejamento sobre sua localização. Se for inaugurado, está fadado a continuar no esquecimento. A cidade do Cajá continua sendo o centro das atenções e alimentações daquela região.
É muita incompetência, muito descaso com a coisa pública, muita falta de respeito com o povo. Causa revolta, traisteza, descrença, enfim, causa uma série de sensações que ficam imersas. E, assim como o iceberg, a única que emerge é a certeza de que isso nunca mudará.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CINQUENTA VEZES PERIGOSA

Já falei, em outra postagem, sobre o caos que se instalou no trânsito em todos os lugares. Em nossa cidade e estado, a coisa parece mais assombrosa. Além de todo o desrespeito e imprudência que já fazem parte do cotidiano de nossas ruas, há uma questão premente de solução: a regulamentação das motos de 50cc, ou cinquentinhas. Um nome tão carinhoso para uma verdadeira febre.
Não é difícil encontrar motoqueiros cortando os carros em rodovias como a BR a mais de 80, 100 Km/h. Pensem na estrutura que "aquilo" tem e na possibilidade de sobrevivência de uma pessoas, em uma queda a essa velocidade. Em motos maiores já é preocupante, quiçá em uma cinquentinha. Some-se a isso, a não utilização de capacete, ausência de placa, transporte de 3 e até 4 pessoas. Nesses dias, próxima à minha casa, vi um casal, em uma dessas motos, sem capacete e carregando, ou melhor, espremendo uma criança - não tinha mais que 2 anos - entre eles. Levaram o menino e deixaram juízo em casa. Se é que o têm!
E tem algo pior, origem de uma cadeia de problemas. A grande maioria dos "pilotos" é de adolescentes, jovens e, algumas vezes, crianças. Assim, não passam por nenhum curso sobre normas e código de transito. Não conhecem a legislação. Não sabem quem tem preferência em cada situação. Não estão, essa é a verdade, preparados para conduzir, seja lá o que for, em um ambiente real, com situações inesperadas, com infrações as mais diversas.
Continuaremos convivendo com esses despreparados motoqueiros, aceitando que tudo isso é normal? Acho muito pobre o discurso de que "Todos têm direito a possuir essa comodidade. Dar aos mais pobres a possibilidade de ter mais autonomia é um bem ao coletivo, à sociedade". Quem bem é esse, que congestiona nosso trânsito, já caótico, de cinquentinhas pilotadas por quinzezinhos ou desesseizinhos?
Mais um agravante para o caos rodoviário brasileiro...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

DISCURSOS MUUUUITO IMPORTANTES... 

Por vezes, principalmente quando volto do trabalho, escuto a Voz do Brasil. É uma forma de ficar por dentro de algumas informações, enquanto você mofa em congestionamentos.
E sempre me chamou atenção o fato dos Deputados Federais irem à tribuna e falar de coisas banais ou de menor interesse perto de todos os infindáveis assuntos que precisam ser discutidos no que tange à legislação, papel desta casa. São agradecimentos, anuncio de festas e até mesmo, pasmem, adorações ao Senhor Jesus Cristo.
Então, algumas pérolas que pesquei em documentos taquigrafados da Câmara dos Deputados, em Brasília.
"...mais um aniversário do Município de Pacatuba, que tenho a honra de representar nesta Casa..." - Mauro Benevides - CE.
Aí sobe Marcio Junqueira do PROS-RR - mais um ingrediente da sopa de letrinhas partidárias - e diz que quer "registrar o aniversário de 25 anos do nosso querido Estado de Roraima, que foi criado na promulgação da Constituição de 1988". Já morei, quando novinho em Roraima, e não tenho nada contra o Estado, mas não é na Câmara que essas comunicações devem ser feitas.
Palavras do Senhor Osmar Terra - RS: "eu gostaria de comentar, de alguma forma, que hoje, no jornal Zero Hora, saiu um artigo de minha autoria sobre um movimento que está ocorrendo no Uruguai pela liberação da maconha patrocinado pelo Presidente da República do Uruguai". Não sei se critico a falta de modéstia ou a falta de bom senso. O que é que uma Casa Legislativa Brasileira tem que discutir sobre as decisões de outro país? Paciência!!!
Ah, tem espaço também para anúncio de visitas. "queria registrar, com muita alegria, a presença hoje aqui
em Brasília, no meu gabinete, do Prefeito de Pedro Canário". Muita importante para o Brasil a sua colocação, senhor Paulo Foletto - ES.
E eles poderiam deixar de falar na importantíssima ponte Hercílio Luz? Essencial no desenvolvimento do.. da... da ilha de Florianópolis. Coube a Edinho Bez - SC falar desse ícone Nacional "...Parabenizar o colunista Sérgio Costa Ramos, do jornal Diário Catarinense, pela autoria do artigo intitulado Ponte e Identidade, publicado recentemente, que trata sobre a história da Edinho Bez. Ainda babou um pouquinho o autor do artigo.
Um cristão já poderia falar "falta Deus nessa casa". Falta não, meu senhor. A Deputada Lauriete fez uma pregação. Ou seria, um "merchan"?
Bom, as pérolas não são iguais às do ENEM, mas que dá pra dar umas risadas quando se vê coisas desse tipo, ah, se dá!!!
Mas ainda há espaço para aqueles que, vez por outra, apresentam pleitos dignos de reivindicação e de manifestação. Foi o caso de Luiz Couto. É, mesmo falando umas bobagens, ele, às vezes, consegue tirar umas interessantes, como "quero registrar a denúncia do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Administração Penitenciária — SINDSEAP — da Paraíba que, no último sábado, dia 5, divulgou uma nota pública em que afirma que 90% das cadeias no interior da Paraíba estão sem condições de funcionamento"

É por isso que ainda fico impressionado com pai. Como ele consegue passar horas assistindo esse show de horrores.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O QUE SE LEVA DE UMA VIAGEM...

As lembranças que temos e construímos na vida são tesouros que jamais serão confiscados, roubados ou expropriados. No máximo, esquecidos! Durante 8 dias pude enriquecer muito em minha vida.. em cultura, em convivência, em sentimentos, em lembranças naturais.
Estive no Chile, com minha namorada. Um sonho bem antigo que tinha. E agora, realizei, com muito mais do que eu esperava, pois estava com a pessoa que tem me feito muito feliz nos últimos 15 meses.

Comi boa comida, bons vinhos e alguns lugares um pouco mais requintados. Até porque muita coisa no Chile é meio “chic” mesmo.
Mas isso não foi o mais importante. Perceber que a natureza se apresenta de formas tão diferentes das que vejo constantemente aqui no Brasil foi uma das coisas que mais marcaram. Sentir o gelo dos Andes, a paisagem que muda tão rapidamente, outros animais, outra vegetação. Isso me marcou muito. Ver a grandiosidade da natureza perto da pequenez do ser humano, principalmente, na imponência do paredão branco das montanhas de Valle Nevado frente às pessoas que lá esquiam. São, realmente, pontinhos muito pequenos ante os 3200 metros de altitude.
E os animais! Todos com muito pelo. Artifício da própria natureza para garantir a sobrevivência das espécies. Até os cachorros são muito peludos. Por falar nisso, é impressionante a quantidade de cachorros que existe em Santiago. E todos são gordos e, até certo ponto, bem cuidados. As pessoas os dão comida, vestem roupinhas neles. Vi, no meio da rua, husky, hottweiler, pastor alemão e por aí vai...

Outro ponto interessante e que sempre é algo a ser lembrado em qualquer viagem é o contato com pessoas tão diferentes. Conversei com Brasileiros que moram em Israel e sempre passam por Santiago, com muitos chilenos de classes diferentes, como taxistas, garçons, donos de restaurante, policiais (carabineros), vendedores etc. Também tive contato com pedintes – lá também existe miséria – motoristas, crianças chilenas, enfim, uma diversidade de pessoas e culturas que enriquece muito mais a vida do que o dinheiro – la plata, para os chilenos – que é volátil e se acaba com rapidez. Diferente das memórias e experiências vividas.
O desafio de estar longe de casa, em outro país e outra língua sempre causa um certo receio. E se engana quem pensa que falar espanhol é fácil. Acho que os desafios, quando vivenciados e digamos “vencidos” deixam marcas muito boas no rastro de nossas vidas.
Há coisas quem vão ficar na memória por meio de fotografias; há outras que ficarão apenas no HD cerebral. Há sensações que jamais poderão ser explicadas, pois foram vivenciadas e são intransferíveis; há outras a serem esquecidas. Para tudo isso é que servem as viagens. Levarei, do Chile, muita coisa boa. Muito mais das pessoas e da natureza do que daquilo que o dinheiro me ajudou a comprar.



domingo, 15 de setembro de 2013

SALVAÇÃO CULTURAL

Diante de tantos problemas a cometar, tanta notícia ruim, eis que surge um alento promissor. Nem tudo está perdido!
Nossa música aos poucos vai sendo sufocada pelo capitalismo e modismo das bUndas de forró de plástico. Sem falar nos inúmeros funk's e sertaNOJOS sem três frases interessantes Detalhe: até hoje não sei porque chamam o ritmo de sertanejo se onde ele foi criado não existe sertão! Nossa literatura sendo trocada por crônicas de magos adolescentes voando em vassouras encantadas. Mas quando parece que o futuro de nossos filhos (quando vierem os meus), sobrinhos, enfim, daqueles que nasceram nessa época retrógrada em termos de qualidade e valorização regional, vai declinar, vejo que ainda nasce uma flor no cactos desse terreno árido.
Talvez os que não sejam daqui, de nossas bandas, não conheçam o que é um cordel. Uma literatura muito particular e regional que tem o poder de construir em nossa mente a visão do próprio sertanejo falando, com seu linguajar próprio, arrastado e rápido ao mesmo tempo. Versos rimados, mas de fácil assimilação. Semana passada soube que meu sobrinho, hoje com 15 anos, fez um cordel sobre nossa família. Um cordel em Rapaaaaz... o negoço ficou bom!!! Sem mais enrolação/ vou reproduzir o escrito/ pra você ter noção/ da qualidade que digo:

"Minha avó é a mais baixinha
Mas é a de melhor companhia
Nos momentos mais difíceis
Ela me traz harmonia
E nos momentos mais felizes
Aí é só alegria .

Meu tio é o mais brincalhão
Só que mora lá em Natal
Quando vem a João Pessoa
Traz alegria e alto-astral
Contando sempre as histórias
Dos seus amigos locais.

Meu outro tio que mora aqui
Um dia foi alertado
No dia do seu aniversário
Com seus amigos conversava alto
Passou um homem numa bike
E disse que era um assalto.

Ele tem duas cachorras
Que gostam de bagunçar
Quando chegam na minha avó
Só fazem lhe assustar
E ela morrendo de medo
Espanta elas pra lá.

Essa mesma vovó
Adora conversar
Quando fala no telefone
Não para de tagarelar
E conversando com minha mãe
Não tem hora pra acabar.

Dos meus tios ele é o mais velho
Recentemente foi internado
Jogando bola com o seu filho
Que tem o maior agrado
Mas Deus sabe o que faz
Em breve o veremos recuperado.

Meu avô é um homem sábio
E me ensinou um legado
Que é praticar a leitura
E estar sempre bem informado
Ele gosta de viajar
E herdou isso do seu passado.

Marissol, tia Sol
Como ouso lhe chamar
Está sempre a me animar
E o meu caminho a guiar
Conto sempre com seu apoio
Aonde quer que eu vá.

Cheguei onde eu queria
Vou falar do meu pai querido
Que sempre me ajuda
E é o meu melhor amigo
E nas horas mais difíceis
Está sempre comigo.

Vou falar da minha mãe
Que gosta de me apoiar
Sempre que preciso
Vem comigo estudar
É a melhor mãe do mundo
Isso posso lhe afirmar.

Meu único irmão
Adora desenhar
Ele é uma revelação
E gosta de brincar
Com os primos, quando chegam
Eles só fazem aprontar.

Essa família é muito grande
Marcada pela união
Nas tardes de domingo
Tem sempre uma reunião
Na casa de qualquer um
É sempre uma curtição.

Ela é muito solidária
Fruto da fraternidade
Ajudando quem precisa
Diante da necessidade
E mostrando o caminho certo
Pra verdadeira felicidade.

Quando um dia alguém se for
Só tenho a agradecer
A Deus, nosso Pai
Que lhe fez viver
E pode ter certeza
Que dessa pessoa não vou me esquecer.

Tem gente que mora longe
Lá pras banda do Ceará
Quando chegam por aqui
Só fazem animar
Contando sempre as piadas
Dos “viado” que tem por lá.

Ainda tem nossos amigos
Que servem como irmãos
Nos ajudando e nos apoiando
Pra não ficarmos na solidão
Esses sim, podemos contar
Na palma da nossa mão.

O meu tio lá de Natal
É um verdadeiro sofredor
Pois torce por um time
Que não tem muito valor
E leva o mesmo nome
Do nosso colonizador.

Essa família é muito extensa
E não tem como contar
Nos finais de semana
Sempre vamos passear
Procurando um local
Pra poder se atualizar.

A família é meu porto seguro
E me ajuda a enfrentar
Nas batalhas do dia-a-dia
Sem ter que me preocupar
Pensando no futuro
Não vou nunca desanimar.

Meus tios me influenciaram
A ser um flamenguista
Me deram um presente
E quando vi era uma camisa
Do time mais querido
E que tem a maior torcida.

Deus criou a família
Pra viver em harmonia
Pra viver sem se preocupar
E compartilhar as alegrias
Juntando tudo isso
Se forma um belo dia.

Nos momentos de oração
Começo a imaginar
As pessoas que vivem na rua
Sem ninguém pra lhe ajudar
Que vivem sem família
Procurando onde morar.

Agradeço sempre a Deus
Pois tenho onde morar
E ter a família que tenho
Pois igual sei que não há
E viver com o que tenho
Sem ter que me preocupar.

Não posso me esquecer
Da grande família Marista
Uma família bem diferente
Que a cada dia me faz pensar
Que se nós nos unirmos
O mundo podemos mudar.

Viva o Dia da Família
Que em Maio é comemorado
Agradeço a cada familiar
Que tem me ajudado
Lembro-me de cada um
Que no coração é bem guardado. "
Davi Borges Soares


Digo sinceramente, como é bom ver os mais novos tendendo a gostar de coisas boas, de valorizar nossa terra, nossos costumes. Ver um Paraibano de 15 anos escrevendo um cordel dessa qualidade, e ainda mais sendo seu sobrinho, é um orgulho que não cabe em um só pessoa.
Se ele vai mudar, só o tempo vai mostrar. Mas vendo exemplos como esse, dá para acreditar... ainda temos salvação cultural!


































sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O TRÂNSITO ADOECE

Existe um personagem, interpretado pelo humorista Marco Luque, que se chama Jackson Five. É um motoboy estereotipado que "filosofa" em seus comentários.

Em um de seus episódios ele compara o trânsito a um organismo vivo, onde as artérias são as avenidas, as ruas são as veia e os glóbulos vermelhos são os carros.
Comparação engraçada, metafórica, irônica??? Acho adequada à situação de nosso trânsito. Só que esse organismo está doente, à beira de uma convulsão.
É impressionante ver a situação das pessoas no trânsito, o nível de irritação que aquilo nos causa - também me insiro. Mais ainda, é preocupante o tamanho do desrespeito à legislação de trânsito. É triste presenciar a falta de educação para o trânsito e a falta de senso público, ou seja, pessoas fazem o que querem sem se preocupar nos problemas que causam aos demais, que têm os mesmos direitos que eles.
Estacionar, indevidamente, em vagas de idosos e deficientes é comum. Andar a 20Km/h por estar falando ao celular também se vê muito. Sem falar naqueles que param em qualquer lugar para atender ou apenas interagir com o mobile. Tudo bem que não se possa dirigir enquanto se fala ao celular. Mas isso não autoriza a parar como queira e onde se queira.
E quando estamos em engarrafamentos, por menores que sejam. Diversos "apresadinhos" que não podem perder 2 minutos a mais, aguardando chegar sua vez, cruzam na contra-mão. E quando vier algum carro do outro lado? Aí eu espremo que o cara vai abrir pra mim. Sou puto com esse tipo de coisa!
E o que se faz quando um organismo está doente? Medicação para combater o que o adoece, correto? Onde estão aqueles que poderiam "medicar" o enfermo? Onde está o policiamento de trânsito para punir com veemência esses "virus e bactérias humanas"?
E sabe o que é pior? A tendência é que a doença se espalhe e provoque metástase. Cada vez mais as cidades pequenas enfrentam tal problema. E cada vez menos gente é punida por suas infrações. Um organismo como São Paulo, ao meu ver, já teve metástase há muito tempo. Seremos os próximos?

domingo, 1 de setembro de 2013

ENGANA ESPERANÇA

Hoje à noite tivemos mais uma caridosa ação em prol do futuro de nossas crianças. A Rede Globo fez o show e o dia inteiro dedicado ao Criança Esperança. Que maravilha, hein!? Diversos cantores, grupos musicais, atores ligando para pessoas comuns. Tudo isso para quê? Para arrecadar verbas e financiar os projetos sociais. Maravilha, novamente!
Aí eu pergunto: quem financia, ou seja, quem faz as doações? Somos eu, você e todos aqueles que não possuem a fortuna de Renato Aragão, Faustão, Luciano Hulk, Xuxa. Quer dizer, eu não, porque eu não caio nessa.
Pedir dinheiro ao povo Brasileiro – inclusive no exterior – e depois assumir o marketing social é muito cômodo. Sabe o que é pior? É que tem muuuuuita gente – na maioria pobre – que se comove ou é convencido e liga, financiando com 5, 10, 20, 40 reais, mais taxas, a maquiagem que é feita na agiotagem Global. Ou alguém acha que as doações são feitas pelos ricos? Os ricos fazem doações apenas para abater no Imposto de Renda. E as doações ao Criança Esperança não podem ser abatidas, pois ela é uma marca e não tem CNPJ. A não ser que alguém, como a Dona Plim Plim, pegue toda essa grana e doe a uma Instituição com CNPJ, como a UNICEF, entendeu?
Por que a Globo, cheia de intenções benevolentes, não aproveita suas qualidades, capital humano e todo o império cenográfico para oferecer, por exemplo: cursos de atores gratuitos em Comunidades carentes, cursos de cenografia, de fotografia, de operadores de câmera. Por que não faz peças de teatro com a arrecadação toda revertida aos Projetos Sociais? Tanta coisa poderia ser feita pela Globo e não por intermédio da Globo às custas da inocência dos brasileiros.
Quer dar Esperança a uma criança? Ajude na construção de escolas em tempo integral, onde o segundo turno seja de atividades cênicas, cursos rápidos. A Globo pode entrar nessa! Mais Esperança? Dê oportunidade de primeiro emprego a jovens carentes. A Globo pode fazer isso em seu quadro de funcionários! Dê Esperança financiando espetáculos de ONG’s voltadas à cultura, em especial regional, que não têm como montar cenário, figurino, reservar casas de espetáculo etc. E a Globo, sim, ela pode fazer isso!

E estendo minha opinião. Não apenas a Globo, mas todas as grandes Companhias e Empresas Brasileiras deveriam ter, muito antes de uma obrigatoriedade, a ética de ajudar a manter e construir a Esperança em um País cada vez melhor, com mais igualdade em todas as esferas, mais oportunidades para todos e menos mentiras camufladas, como o Criança Esperança.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

GRAÇAS A DEUS... TODOS OS DIAS

Um sábado comum, alguns planos como: ir à praia, dar banho nas cachorras, talvez um sambinha com a namorada ou filminho. E, de repente, um telefonema que muda tudo. Não apenas o sábado, mas minha vida.
Meu irmão havia sofrido 4 paradas cardíacas e estava em estado crítico. Muita coisa passa na cabeça. Das melhores às piores. As últimas em maior quantidade. Liga pra pai, mãe. Arruma umas coisas pra levar pra Campina Grande. Muita coisa esquecida e muita esperança levada! No caminho, tudo começa a se acalmar. As notícias são boas. Saída do estado de parada e a providência divina de permitir que ele tivesse esse problema em um local onde havia 5 médicos, três cardiologistas.
Mas queria falar justamente dessa providência divina, do grande responsável pela vida e pelo novo nascimento do meu irmão: DEUS. Durante o sábado mesmo e até agora, quase todos que ligam, que nos encontram, exclamam: "Graças a Deus!". É interessante ver que, muita gente, só lembra da presença de Deus nos momentos difíceis. O ambiente do hospital é cercado de esperança, com alguns momentos de tristeza mas, acima de tudo, de muita fé. E, às vezes, fico pensando, será que todas essas pessoas vivem Deus em suas vidas, quando a situação não está ruim? E mais, será que agradecemos pelas pequenas coisas que Ele fez em nossas vidas todos os dias?
O simples fato de estarmos vivos já deveria ser motivo de agradecimento, todos os dias. Agradecemos?
Não quero criticar ninguém por pensar em Deus nesses momentos de sofrimento. Ele é ajuda, é conforto, Ele salva - acredito demais nisso - mas precisamos pensar nele quando a situação é das melhores também.
Outra coisa que fiquei observando e pensando nesses dias é na retribuição que damos aos nossos pais, quando estão mais velhos. As coisas se invertem: eles precisam de nós. E o que fazemos? Será que invertemos, também, o senso de cuidado? Será que passamos a dispensar nossa atenção aos velhos que, um dia foram novos, e cuidaram com tanto carinho de nós?
Escutei histórias de uma mãe que está na UTI, junto com meu irmão, e só uma dos três filhos que ele têm está vindo visitá-la. Não consigo entender isso. Acho que nunca conseguirei. Jamais, o trabalho vai ser mais importante que minha família. Aconteça o que acontecer.
São esses momentos que nos levam a pensar em tantas coisas. E, em especial, para mim, relembrar momentos difíceis, muito difíceis, há três anos, quando passei 26 dias em hospital. Estive do outro lado, sendo cuidado, sendo visitado.
Sempre valorizei e acreditei demais em Deus. Mas, sempre há espaço para acreditarmos mais. E Deus, tenho certeza disso, usou algumas pessoas para salvar meu irmão, inclusive o filho dele, que o chamou para ir jogar bola no colégio. Se meu irmão tivesse tido as paradas em casa, não poderia, hoje, estar dando GRAÇAS A DEUS pela sua vida. Não daria teria tempo de receber ajuda médica.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

HOMEM BIÔNICO: DOS ANOS 70 AO SÉCULO XXI

Alguém conhece ou já viu o seriado "O homem de seis milhões de dólares"? É a história de um homem que, após um acidente de avião, perde uma perna, um braço e um olho. Entra, então, como cobaia de uma projeto - daqueles bem Americanos - para construir um homem biônico. Recebe braço, perna e um olho biônicos. Isso foi na década de 70. Já se passaram mais de 40 anos e é uma ficção científica. Será?
Fico cada dia mais impressionado com o que tem surgido de tecnologia com relação ao suprimento de limitações humanas e ampliação de possibilidades. Como exemplo, a inserção de uma câmera em uma prótese ocular. O Google Glass, óculos que a Empresa criou para promover interação entre o ser humano e um ambiente digital, sem a necessidade de um computador, tem apresentado possibilidades inimagináveis até pouco tempo.
A mais nova do Google Glass é o reconhecimento de códigos de barra e comparação com os valores dos produtos em outros estabelecimentos.
App para escanear códigos de barras foi criado para o Glass (Foto: Reprodução/The Verge)

Isso já é feito pelos smartphones, mas há a necessidade de apontar o aparelho para o produto. Com o óculos, basta habilitar o app e pronto: sua pesquisa é feita na mesma hora.
É, literalmente, a Big Data mais perto do olhos. Será que dentro em breve - muito breve - teremos aquela visão de robôs, com diversas informações sobre distância percorrida, pessoas a sua frente, avisos e outras facilidades embutidas em nosso globo ocular? Alguém duvida?

domingo, 18 de agosto de 2013

FALE MAL, MAS FALE DE MIM

Primeiramente, queria dizer que, a partir de agora, tentarei fazer posts menores, mas com mais frequência. Vinha fazendo grande posts, mas demorava a atualizar o blog.

Bom, sábado à noite peguei a Revista VEJA dessa semana. E a capa é a seguinte

Alguma surpresa?
Os mais detalhistas, talvez, percebam rapidamente. Black Bloc, máscara de gás, expressão de protesto. Nada disso tem sido novidade nos últimos tempos. Assim como, nenhuma novidade em ter a nossa amada Paraíba presente nas manchetes negativas ou associada a elas. Se não perceberam, vejam direitinho e com calma: qual a cor do tecido que a manifestante usa para cobrir o rosto? Quais as três letras que nela aprecem? Algum semelhança com esta.?...


Aos que gostam do poder semântico de uma fotografia, deliciem-se com as inúmeras conotações que a capa da VEJA apresenta.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

UFPB: COMO MUDOU!

Passei 9 anos de minha vida dentro da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), entre graduação e mestrado. Voltei em fevereiro de 2011. e, cada dia mais, penso e vejo como a UFPB mudou.
Não pensem que vou falar do REUNI, das obras, da injeção de alunos, dos investimentos. Se fosse falar disso, teria inúmeros motivos para criticar. Mas tenho mais inúmeros motivos para reclamar.
Às vezes fico indignado com certas coisas que vejo, às vezes, chateado e impotente por não poder interferir em determinadas situações, como a falta de segurança completa com que os trabalhadores das obras do REUNI - olha ele aí - realizam seus trabalhos. Por vezes, fico triste mesmo. E isso aconteceu hoje. Fui pegar um livro na biblioteca - que, por sinal, não melhorou quase nada da minha época de estudante - e deparei-me com uma situação que já me revolta há muito tempo. As pessoas que precisam fazer empréstimos ou devolver livros, chegam e precisam se AUTOrganizar. "quem é o último?" pergunta um. "acho que é ele" responde outro. Na verdade, você só sabe quem está imediatamente na sua frente na "fila". É um completo desrespeito com todos os envolvidos, alunos, professores, funcionários. Sabe o pior? Tem um daqueles painéis eletrônicos. Dou um doce pra quem acertar a pergunta: e funciona? E ficamos, umas 30 pessoas, sendo atendidas por apenas um funcionário. Até tinha uma outra senhora no balcão, mas ela não tinha computador. COMPUTADOR, gente! Falta um computador para atender as pessoas dentro de uma Biblioteca Universitária. E a Reitora vem dizer que a UFPB caminha para retomar seu status de melhor Universidade do Nordeste, que tivera outrora.
Sem falar no tão badalado sistema de gerenciamento da UFPB, o SIGAA, que viria para organizar todas as atividades da Universidade. BA-LE-LA, das bem grandes! Quase nada foi implantado nesse sistema. O biblioteca, sim! Então, fiz o cadastro em outra oportunidade e hoje fui retirar um livro. Esperei a desorganizada fila por 20 minutos. Quando cheguei no balcão, foi-me solicitado "documento com foto". Eu havia deixado a carteira no carro. Então, o funcionário me disse "sem documento não pode fazer empréstimo. Tem que fazer um cadastro no SIGAA". "Mas eu já fiz, pode rastrear aí". E ele retrucou, meio irônico "Mas não trouxe documento". Dá vontade de voltar lá e mandar cancelar o cadastro no SIGAA da biblioteca.
E pra fechar a triste manhã, uma visão que incomoda qualquer um que espera ver a Universidade se preocupando com seus funcionários e clientes (alunos). A fila do Restaurante Universitário parecia uma centopéia, uma linha gigante de pessoas que pareciam formar uma só coisa, e vários pés apoiando a espera e trabalhando para sustentar corpos que precisam de alimento para sustentar o pensamento e o raciocínio. Até quando vai se tratar o estudante como um, ou mais um, dentro de um aglomerado de outros tantos, que juntos, não representam nada? Aliás, só representam quando pesquisam, quando tiram boas notas. A UFPB deixou de ser uma das melhores do Nordeste e do Brasil, quando começou a ver alunos como números. Quanto mais, melhor - idéia registrada do PT e formalizada no REUNI. Mas o melhor não está apenas nos números, está na formação do pensamento, na construções de conhecimentos. Os alunos são, efetivamente, um dos patrimônios dessa Universidade. E estão sendo muito mal cuidados!
Outra coisa que mudou de minha época pra cá foi a capacidade de mobilização dos alunos. Isso não se via em meu tempo acadêmico. Então, vamos cobrar mais respeito na bibliioteca, melhor local para se realizar uma refeição. Se aumentaram o número de cursos e estudantes - como o REUNI pregou - vamos cobrar dos pais do REUNI que cuide dos filhos que colocou no mundo. Vamos exigir divisórias nos banheiros. Vamos mostrar pra sociedade que as construções mais recentes da UFPB não passam, em sua maioria, de cascas. Não há recheio. Não há equipamentos, funcionários, material básico etc.
Utilizando-se de uma das novas modinhas do facebook... SINTO-ME TRISTE #HOJE em #UFPB

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

FAÇAM O "MAIS POLICIAIS", "MAIS PROFESSORES"!

É verdade, temos que continuar cobrando mais atenção à saúde por parte dos governantes. Temos que exigir bons hospitais públicos, pronto-socorros dignos dos impostos pagos. Há urgência por remédios a preços mais acessíveis e por atendimento humanizado. Concordo com tudo isso e com muitos outros pleitos que se apresentam todos os dias em nosso país. Mas, não posso concordar com essa "birra" da classe médica com o programa Mais Médico do Governo Federal.
Os saudosos médicos da família já não existem mais. Aqueles que conheciam todo o histórico médico das pessoas, desde os mais abastados aos menos privilegiados. Todos eram tratados igualmente. O contato era próximo, a anmnese não tinha tempo máximo. Os problemas eram vistos de forma holística. O que impera, na grande maioria dos nossos "doutores" é a veia capitalista - ou seria artéria? - na qual o lucro vem em primeiro lugar e o juramento médico fica em segundo plano. "Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade" e "A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação" são trechos do juramento que, tornaram-se meros recitais de colação de grau. Não são vivenciados; não são postos em prática.
Ser contra o Mais Médico e não aceitar ir trabalhar nas cidades do interior é ir contra o juramento. É ser capitalista. Volto a dizer, concordo com as cobranças por melhores condições nessas cidades, mas não é por isso que aquelas pessoas podem ficar sem atendimento. aí recebo um documento que mostra a concorrência em um concurso para residência médica em Pernambuco. Ou seja, são aqueles que serão nossos médicos dentro em pouco. Olha aí...

Espantado? Também fiquei. Mas não surpreso. Cirurgia plástica e Dermatologia, acima de 10 candidatos por vaga. Medicina da família e da Comunidade, menos de um por vaga. São 171 inscritos para as duas especialidades e apenas 5 (CIN-CO) para a última. Quem vai atender no interior? Preciso responder?
Tem mais... sabem como é a remuneração de quem entra no Programa? Salário de R$ 10.000,00, mais ajuda de custo para instalação. E mais, o município tem que arcar com moradia e alimentação dos médicos. Quer mais? Tem! Ainda terão uma especialização paga pelo Ministério da Saúde. E mesmo assim, eles acham pouco. É! Somente 938 médicos se inscreveram. Isso irá atender apenas 6% da demanda dos municípios. E querem que não sejam permitidos médicos estrangeiros? Por que não? Não encontro justificativa plausível. O REVALIDA serve para que, senão atestar que o candidato possui um mínimo de conhecimentos técnicos, tal qual um médico formado aqui? Se os nossos só querem Cirurgia Plástica e Dermatologia, que venham os de fora que querem trabalhar a saúde pública, a saúde da família, a saúde preventiva.
As condições no interior não são ideias. Concordo! Então, meus amigos, por analogia, pergunto: e as condições de um policial, que trabalha, muitas vezes, sozinho em uma cidade, sem nem mesmo uma arma? Quanto ele deveria ganhar para ir trabalhar lá? E os milhares de professores que não tÊm nem mesmo uma sala de aula adequada e tem de se virar em ginásios, salas improvisadas e, até mesmo, em suas casas, quanto mereciam ganhar por isso?

Então, senhores "doutores" médicos, cumpram seu juramento e sirvam à humanidade e não ao dinheiro! Lembrando que ricos e pobres são humanidade do mesmo jeito.


terça-feira, 30 de julho de 2013

O BOM DE ESTAR RUIM...

É ter muito a melhorar! E só isso. Nada mais é bom em estar ruim.
Ontem foi divulgado o resultado do Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDHM) pelas Nações Unidas. O que se poderia esperar de João Pessoa? E se compararmos com 2000, ano da última pesquisa do IDHM?
A minha esperança tem a péssima mania de ser realista! Não me iludo com promessas, com números de construção civil, com obras que não refletem na qualidade de vida da população. João Pessoa vive, há um certo tempo um pseudo crescimento, para não dizer uma estagnação, mesmo que na iminência de movimento. Queremos, podemos e devemos andar, mas preferimos amarrar o burro na sombra. Aliás, nossos governantes, afinal, cada um no seu quadrado. Eles são pagas (e muito bem, obrigado!) para legislar e executar. Mas não o fazem adequadamente. Resultado: tricentésimo vigésimo. Isso mesmo, estamos na posição 320 no ranking dos municípios brasileiros. São 319 melhores que nossa cidade em três indicadores: renda, longevidade e educação. É muuuuita gente melhor que a gente. Em 10 anos, quanta coisa mudou para melhor em sua vida? acredito que a grande maioria responderia: muita coisa. Sabe quanto evoluímos, como cidade? Míseros 0.119 pontos. Deeeeez anos para crescer isso. É como se a única coisa que você fizesse em sua casa fosse pintá-la em uma década. Talvez até menos.
Sabe em qual indicador evoluímos mais? E-DU-CA-ÇÃO. Pasmem!!! Se a educação foi o que tivemos de melhor, imaginem o restante, ou o resto mesmo. E um crescimento astronômico de 0.170 pontos. Mas tem-se uma explicação. O IDHM Educação é construído apenas com o número de pessoas que frequentam a escola, de acordo com dados censitários e com a taxa de alfabetizados maiores que 15 anos. Nada de qualidade de ensino é avaliado. Se colocarmos no bolo a exigência de frequentar a escola para ter direito aos programas assistencialistas do Governo Federal, a coisa fica melhor explicada.
Outro dado que salta aos olhos. Na verdade o que saltou foram meus olhos. Os 20% mais ricos detêm 66,55% da renda do município. Isso é absurdo, triste, é uma desumanidade sem proporção. Acho que o Papa ainda vai ter que falar muito em igualdade social até que ela aconteça. É melhor não gastar saliva.
E fazendo a ponte... ou melhor, o viaduto, já que o prefeito anunciou a construção de um viaduto paralelo à Epitácio Pessoa. Alguém sabe me dizer onde será isso? Já que o IDHM traz esses números para demonstrar a quilométrica distância entre os poucos muito ricos e muitos muito pobres, vejo a notícia sobre os investimentos da Prefeitura em nossa cidade. Novamente, de novo, idem, como sempre, os gestores investem no que é visível, no que podem mostrar na campanha. Pois qualidade é invisível, respeito é imaterial e qualidade de vida é.. muito bonito, mas não dá voto. O Prefeito Luciano Cartaxo anunciou investimentos de quase 600 milhões de reais. Em homenagem aos 20% mais ricos desta vila, serão investidos 1,5 milhões de reais em construção das calçadas da orla do Cabo Branco. É, alí do lado daquelas casinhas simples, daqueles prédios baratinhos, onde um apartamento de 1 quarto custo 450 mil. Pobre gente. Acho que vou ajudar o prefeito, doando um mês de salário. Talvez deva depositar na conta da mãe dele que mora onde? Na orla do Cabo Branco. Quanto coincidência! O Universo conspira em seu favor, Dona Cartaxo.
Ao todo são 32 pontos anunciados. E sabe quantos vão ajudar diretamente no aumento de nosso IDHM Educação? Um. Lançamento de edital para contratação de 1.300 professores. É muito pouco para quem evoluiu tão pouco em tanto tempo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O PAPA (não) É POP!

Já começo me eximindo dos comentários e até constatações do montante gasto com a vinda do Papa Francisco ao Brasil. Que foi bem alto, é verdade! Nem me estenderei nas comparações sobre a quantidade de seguranças e agentes de trânsito. Estes, mais de 450. Tudo isso por causa de uma só pessoa.
Mas é o Papa. E por isso, há de se compreender. E sabe qual é o mais interessante? Tenho certeza que, se ele pudesse escolher, preferiria não ter tanta segurança e preocupação assim. Esse é o Papa. Um exemplo, como há muito não víamos na Igreja Católica. Com um nome que nada mais é do que o próprio codinome de Simplicidade. Ser franciscano, ser humilde, pobre de espírito. Quem é católico sabe o que Francisco tem representado: uma nova chama de esperança. Esperança de que sejamos mais iguais - como Deus sempre quis - mais humanos - como o somos, mas às veses, esquecemos - enfim, mais simples.
O Papa tem quebrado uma casca de aversões à Igreja, que por muito existiu, até mesmo entre os católicos. Tem mostrado que podemos e até devemos ser católicos. Voltar a amar o próximo, seja lá quem for, voltar a praticar atos, mesmo sem dominar ceús e Terra. Pois somos filhos de Deus. O Deus que ele representa na Terra. Então, por que não ser sua imagem e semelhança? Ele tem sido! Acho que isso é o que motiva, o que alegra, o que faz, até mesmo essa maga estrutura - de forma geral - que foi criada para sua vinda, ser aceitável. Ora, quando alguma equipe de esporte Brasileira ganha alguma competição, o que acontece? Fechamento de ruas, desfile em carro do Corpo de Bombeiros, badalação, seguranças, o escambau. E nós temos em Terras Tupiniquins, simplesmente, o alicerce, a pedra da Igreja católica, o Pedro. Até entendo que sejamos laicos. Mas também não posso esquecer que a grande maioria dos Brasileiros é católica. E o país é o que mais possui católicos no Mundo. São 123 milhões, o que corresponde a 64,6% de nossa população.
Falando como um desse milhões, sinto-me, realmente, muito feliz com o Papa e com essa recepção tão carinhosa que todos têm dado a ele. É merecedor, pelo simples fato de ser tão simples. Podendo ostentar suítes, banquetes, peças (castiçais, medalhas etc.) pela posição que se encontra na Igreja (que é muito rica), prefere dormir em quarto simples, cama de solteiro, não pede nada de especial nas refeições, não utiliza nada de ouro e outros tantos exemplos de desapego material.
Que tudo continue muito bem, não apenas na vinda ao Brasil, mas em sua vida de Papa. Que ele continue sendo, para nós, exemplo do que Deus sempre nos transmitiu!

sábado, 20 de julho de 2013

O GIGANTE ACORDOU E A SEMOB DORMIU...

Temos 7 meses de nova cara na prefeitura de João Pessoa... e os velhos problemas.
Para o órgão responsável pelo trânsito de nossa cidade, antiga STTRANS e agora SEMOB, parece que ainda não entrou em 2013. A cada dia que transito nas ruas, vejo o descaso do Governo municipal com nós, pedestres, com nós, motoristas, enfim, com a própria cidade.
Por onde anda o Projeto salvador de "mobilidade urbana"? Já comentei em outro post que isso é balela, conversa pra boi dormir (dormiu junto com a SEMOB?). Alargar rua é solução paliativa, provisória, não é permanente. Mobilidade é tirar carro da rua. Mas nenhum governante quer mexer nessa seara. Demora muito tempo e mexe com os monopólios das empresas de transporte urbano.
Mas, mesmo achando pífia essa solução, nada tem sido feito. Ah, vi hoje que a SEMOB vai fazer uma modificação no trânsito de uma rua do bancários. Quem conhece o bairro e viu a modificação deve estar indignado. Fazer uma modificação que já estava prevista há mais de 2 anos, quando asfaltaram duas ruas paralelas dentro do bairro e se gabar que está trabalhando... para com isso!!!
E o binário do geisel? Já está tudo asfaltado. Basta sinalizar. Esse, sim, desafolgaria muito o trânsito para quem segue em direção ao valentina. Mas está tudo parado.
Pior, o projeto de alargamento de duas das principais avenidas da cidade, Epitácio Pessoa e Beira-rio, contemplam derrubar diversas árvores dos canteiros centrais. Alguém tem dúvida de que, daqui a uns dois anos, tudo estará engarrafado novamente? A taxa de aumento de carros e motos na cidade nos últimos 3 anos foi de 181% e de motos chegou a quase 500%. Alargar não resolve!!!
Sei que o clima frio convida a um soninho bom, mas, Dona SEMOB, não dá pra dormir assim, por tanto tempo. A cidade precisa de ordenamento, precisa de reformas nas vias, no trânsito, no sistema de transporte coletivo. ACOOOOORDA SEMOB! Do contrário, continuaremos como uma cidade SEMOBilidade.

domingo, 14 de julho de 2013

O VALOR DO TRABALHO...

Há muito tempo que não posto nada aqui. Acho que penso em sempre escrever algo que seja importante para alguém, que seja útil, que convide as pessoas a ler, que as interesse, enfim, que tenha algum sentido para alguém. E acabo me esquecendo que eu preciso escrever para mim, também. Então, resolvi começar a pensar em textos menores, nos quais eu continue descrevendo minhas opiniões sobre diversos assuntos.

E hoje à noite, li um texto que me remeteu a um assunto que sempre fico muito a pensar: o valor do trabalho. Sempre gostei muito de ler, estudar e procurar entender essa palavra tão plural, TRABALHO.
O texto é de Lia Luft. Ela escreve a cada 15 dias na VEJA. Na coluna dessa semana ela fala em flores e expõe várias formas de encontrar "flores". E descreve: "Falar de flores é falar daqueles que, em qualquer profissão, estudo, ramo, buscam a excelência. Não para ser admirados, não para virar celebridade, mas pelo amor ao que fazem..." e complementa "conheci pessoas que por suas idéias sacrificavam uma forma de vida que estava à sua disposição - porém eles preferiam a coerência: não o carrão do ano, não as festas mais chiques, não as gentes famosas, o dinheiro, o poder, mas o humano". Assim que li, lembrei-me de um senhor chamado Edijânio (se entendi bem, esse era seu nome). Ele apareceu aqui em casa no sábado, umas 8 horas da manhã, perguntando se eu queria podar a árvore da frente. No início disse que não. Tolice minha. Estaria perdendo de ouvir um grande exemplo do que é o VALOR DO TRABALHO. Ele insistiu e eu acabei aceitando.
Enquanto ele cortava a árvore, puxei uma prosa. Acabei descobrindo que ele morava em Bayeux, que fica a uns 15 kilometros da minha casa. Segundo ele, vem todos os dias para "procurar" quem queira pagar pelo serviço dele. Sabe como ele vem? De bike, amigo! Isso mesmo, o cara pedala uns 30 kilômetros por dia, todos os dias (porque ele disse que vem no domingo também) sem saber, na grande maioria das vezes, se vai receber algo. Uma bicicleta velha, aquelas Barra Forte, com dois pneus lisos e só um freio que nem aciona bem. E anda no acostamento da Rodovia BR.
Em um determinado momento, ele perguntou se eu não teria um café e uma bolachas pra comer. Sabe o que eu pensei? "Que cara folgado". Novamente, eu perderia outra oportunidade de aprender. Aceitei a "intimação" e fui fazer um café e esquentar um leite. Quase que eu não consigo fazer ele entrar pra tomar o café na mesa. Ele só queria tomar lá fora. Quem é de interior, reconhece esse "acanhamento" muito típico das pessoas que se sentem inferiores, por diversos motivos. Enquanto tomávamos o café, ele perguntou se eu queria podar também o pé de acerola. Aceitei e ele me deu o valor: R$ 50,00. E, quando eu disse que ele poderia cortar, ele agradeceu e disse que a manhã já tinha sido boa, pois já tinha 50 pra voltar e ia correr atrás de mais alguma coisa no bancários (bairro).
Esse cara, podou duas árvores, limpou o chão, juntou em uns sacos. Eu ajudei um pouco, mas o trabalho maior foi dele. Passou 3 horas aqui. O que daria pouco mais de 16 reais por hora. Esse é o VALOR DO TRABALHO para aquele senhor. Sei que várias coisas precisam ser ponderadas: nível de formação, esforço intelectual, sorte etc. Mas, mesmo pesando tudo isso e muito mais, é muito pouco. E, ampliando a comparação para uma mulher que me ajudou na semana passada fazendo uma faxina aqui em casa, a relação fica ainda mais surpreendente. Ela trabalhou 6 horas e recebeu 65 reais. Não chega a dar 11 reais/hora. Não quero nem começar a comparar o Valor do Trabalho (R$/hora) de algumas categorias. Mas pensem na diferença para políticos (alguns trabalham apenas 3 dias na semana), médicos, que chegam a cobrar por uma consulta particular o absurdo de R$ 300,00 por alguns minutos. Nada mais do que 30 minutos.
Se formos ampliar a discussão, teríamos de chegar a algumas fábricas no continente asiático que pagam algo em torno de U$ 1.00 por hora (Caso lhe interesse, assista o filme CHINA BLUE). Ou mesmo ir aos lugares onde pessoas vendem seu corpo para poder pagar os custos iniciais com o transporte que as levou até alí ou com a alimentação que lhes foi dada. É o caso do tráfico de seres humanos para prostituição e trabalho escravo. Que, atualmente, já pode ser encontrado em diversos países do mundo.
O tema TRABALHO sempre me instigará muito. Mesmo que isso não me dê pontos no Curriculo Lattes, mesmo que não me enriqueça, mesmo tudo conspire contra. Pois, como disse Lia Luft, eu prefiro a coerência de idéias, eu prefiro o lado humano.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

OS CENTAVOS MAIS CAROS PARA OS GOVERNANTES

Desde que comecei a ver os chamados para os eventos de protesto dessa semana, tenho escutado vários slogans, frases de efeito, ditaodos, trocadilhos, enfim, uma miscelânea de figuras linguísticas vindas das "vozes da rua". Opa, já foi a primeira. Os mais aficionados pela Língua Portuguesa, de bate-pronto já diriam: pro-so-po-péia. Ou seja, atribuir características humanas a coisas inanimadas.
A primeira frase que vi e uma das mais interessantes, vi ainda no final de semana. A que me fez procurar entender mais o que estava se construíndo naquele momento, foi "A população brasileira não está mais 'deitada em berço esplêndido'; ela vai mostrar que 'um filho teu não foge à luta".
E parafraseando Lula (que alguns teimam em chamar de Presidente! Já basta o salário ser vitalício. Agora o título?) penso que "jamais na história desse país" vi uma movimentação tão sólida e de tamanha proporção. E o que é mais bonito, sem vieses políticos - em sua grande maioria - e sem líderes declarados. Vi o movimento dos Caras-pintadas. Mas nada comparado a isso.
Estava na hora de acordar. Como ditaram alguns "o gigante acordou". Não vejo assim. Antes, havia algumas movimentações, alguns indignados organizados. Indignados haviam aos montes, mas organizados, somente alguns. Digamos que o gigante estava naquele "só mais cinco minutinhos". Acordou, caminhou, incomodou muita gente e fez muita gente mudar o discurso ou, digamos, deixá-lo mais bonitinho. O que dizer de Dilma, nossa PresidentE? "Esta mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público. As vozes das ruas querem mais cidadania, melhores escolas, melhores hospitais, postos de saúde, direito à participação". Então agilize, minha cumadre! Não só a senhora, mas todos aqueles que legislam e executam. Gerenciem bem seus "lotes" confiados a vocês, por nós. O Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quem diria, cobrou maior participação dos empresários do setor de transportes urbanos. Como a visão muda, quando se faz uma "pressãozinha"! Nosso excelentíssimo Prefeito parece estar "com o rabinho entre as pernas". Tá com MEDA??? Já baixou a passagem. De imediato, surge a velha "se podia, por que não fez antes?". Mas "antes tarde do que nunca". E que bom que venha assim. Respaldando um movimento epistemologicamente democrático. E mostrando para todos que Geraldo Vandré já tinha razão desde aqueles áureos tempos "esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"
"Até a gente vai ficar tomando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada?" É Gabriel Pensador, o povo começa a pensar como povo, com força, entendendo que não é justo ficar sendo roubado descaradamente. Pedir melhores hospitais e receber um gasto de 2,5 bilhões com um Maracanã. Pedir melhores salários e receber um aumento de até 40% para senadores. Pedir melhores Universidades e receber perdão de dívidas das Faculdades partuculares em torno de 12 milhões de reais. Parece que estamos começando a cansar de ser "mulher de malandro" que só apanha.
Há muita gente que vai sem entender muito bem os motivos do protesto ou sem saber qual caminho será seguido. Seguem a filosofia de João Grilo (Auto da Compadecida) "Não sei. Só sei que foi assim". E vão. Mas isso é importante. É massa, é gente que vai construir uma consciência crítica. Coisa que é difícil nos dias de hoje. Em especial para quem só vê Globo, só escuta uma opinião, só vê novela. Pois como diz Leci Brandão "E na hora que a Televisão Brasileira distrái toda gente com sua novela". Distrái; não educa! Mas existem coisas que só a vivência e uma busca por uma ideologia podem formar. Uma delas é reconhecer que a opinião não precisa ser dada apenas por políticos. Ela pode ser apolítica, como vi em uma faixa na Avenida Paulista "O povo unido, não precisa de partido".
Seguindo com comparações, e deixando apenas um pedacinho muito pequeno para isso, os aproveitadores, baderneiros, ladrões vão ser expulsos do movimento como os anticorpos fazem quando algo estranho invade nosso corpo. São eliminados naturalmente. São combatidos para que um corpo são não seja contaminado por micropartículas inexpressivas perto do tamanho do corpo humano.
Sigamos, aqui em João Pessoa, os esmagadores bons exemplos dos protestos pelo Brasil. Façamos de nossa cidade mais uma a demonstrar a força bruta que a calma e a organização têm. Gandhi me permita convocar todos a ajudar, a "engrossar o caldo" da insatisfação, da indignação, utilizando uma de suas frases:
"DEVEMOS SER A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO"
Comecemos aqui: Brasil, Paraíba, João Pessoa, meu bairro, minha casa... eu.

E pensar que boa parte disso tudo que está acontecendo nesses dois últimos dias foi resultado de uma solicitação não atendida de redução de 20 centavos nas passagens de ônibus. Os 20 centavos mais caros, em todo a história, para os governantes!


terça-feira, 11 de junho de 2013

DICIONÁRIO INFANTIL

O que é água? Transparência que se pode tomar.
E inveja? Atirar pedras nos inimigos.
"Violência é parte ruim da paz"

Como tenho escrito já há algum tempo sobre assuntos meio "pesados", resolvi aliviar um pouco. E, por acaso, nessa semana, encontrei durante uma vasculhada na Internet, quase que sem querer, um texto de um site que chama catracalivre.com.br. O texto fazia referência a um dicionário, no mínimo, curioso. Os verbetes eram escritos por crianças. E registrava, como poucos, o tamanho da ingenuidade delas. Uma ausência total de maldade que chega a beirar o cômico. Como perguntar a um o que seria sexo e ouvir de uma criança de 8 anos "é uma pessoa que se beija em cima da outra".
Como não rir, como não gostar disso, como não achar que o mundo acaba por estragar as crianças que são, no início de suas vidas, criaturas tão puras. E esse apodrecimento, por assim dizer, tem acontecido cada vez mais cedo. Às vezes fico imaginando como vai ser o mundo quando eu tiver filhos. Com quantos anos vão deixar de achar que sexo é ficar em cima do outro e procurar sites adultos? Nesse ponto, prefiro trocar evolução da espécie por degradação da espécie.
Todas essas frases do início do post são desse dicionário. Frases que demonstram o pensamento lógico das crianças, como "céu é de onde sai o dia". Claro, o sol aparece no céu e o sol é que "alumeia" - como diria o matuto - o dia, então, por silogismo, o Duván de 8 anos estaria certíssimo. Às vezes, julgam-se poderosos até demais e respondem ao que seria igreja com uma dessas: "Onde a pessoa vai perdoar Deus". Só isso!!!
Enfim, sempre é gratificante "bater papo" com crianças e quanto maior for a capacidade de "viajar" delas, melhor ainda. Isso ajuda a aliviar as canceiras da vida, a sensação de que o mundo só piora a cada dia, a cada ano, a vontade de sumir, a impotência em mudar o ruma das coisas. Mas, falando em frases, que tal pensar que "quando uma criança nasce, é um sinal que Deus ainda acredita nos homens".

domingo, 19 de maio de 2013

COMO DEFENDER?

Estava pensando em voltar a escrever algo no blog ainda nessa semana. Até mesmo pela cobrança de algumas pessoas pela reativação do blog. Os poucos que o visitam! Mas, diante da situação que vivi neste domingo, resolvi adiantar o retorno.
Sou funcionário público e, muitas vezes, fico incomodado com o discurso de falta de trabalho dos funcionários públicos. Apesar de saber que isso realmente existe, inclusive na instituição na qual trabalho, a UFPB. Mas, não há como defender as instituições públicas quando elas não permitem, não dão motivos para que sejam defendidas. Cheguem em minha casa hoje, por volta das 18:30h. Achei estranho porque não escutei o grunido das minhas cachorras (sempre que chego elas ficam uivando baixinho). Na verdade, elas estavam lá e uivando. O problema é que eu não escutava. Por quê? O maldito som AAAAALTO que meus vizinhos colocam, vez por outra. Quem tem vizinhos como esses meus, sabe a chateação que é querer descansar, ler alguma coisa, jantar assistindo televisão, enfim, curtir seu final de semana e não poder pois um grupo de 5, 6 pessoas pensa exclusivamente neles e na sua curtição. Como sei que conversar não resolve muito. Aliás, não resolve nada. Só te deixa mais puto da vida, pois eles não baixam o som e ainda ficam rindo da sua cara, resolvi fazer o que me cabe como cidadão, suscitar meus direitos. Aí vem a surpresa... não conseguir falar com a instituição pública que pode lhe ajudar!
Primeiro a recorrer: SUDEMA, órgão estadual. Existem 2 telefones para contato. Um fixo e um celular. Liguei várias vezes, para os dois. Alguém imagina o que aconteceu? Difícil, né? Isso mesmo, ninguém atendeu.
Resolvi ligar para a SEMAM, municipal. Opa, as possibilidades aumentam... no site fala em plantão 24 horas nos finais de semana. Vamos lá, um fixo e um 0800. uma vez, duas, três, quatro, cin... 15 minutos tentando ser ouvido por alguém. É... ninguém atendeu!!!
Enquanto isso, o som ia de aviões a beto barbosa, passando por todos os funks possíveis e imagináveis, com todas as putarias que os "verdadeiros" pais não querem que seus filhos escutem. E eu, cá, não podia jantar assistindo um bom documentário ou algum programa com notícias.
Bom, última tentativa. Vi no site da SEMAM que poderia ser feita uma denúncia direto à polícia. Pois isso se enquadra no artigo 42 da Lei de Contravenções Penais. Muito extremo, né? Também acho! Mas o nível de stress já estava lá em cima. Pessoal, esse tipo de coisa me incomoda muito. Esse desrespeito comunitário é uma das piores coisas que existem. É o que penso!
190..."você ligou para CIOP, dentro de alguns instantes sua ligação será atendida". Quem me dera que todos "alguns instantes" da minha vida tivessem esse tempo. Liguei várias vezes, esperei outras tantas e nada. Ligação caiu, atenderam e desligaram, aconteceu de tudo, menos alguém me escutar. E, parem para pensar... é o 190. É o telefone que qualquer pessoa liga para falar com a Polícia. Então, infelizmente, se você estiver em uma situação e precisar da ajuda da Polícia, vai ficar escutando "você ligou para CIOP, dentro de alguns instantes sua ligação será atendida"... absurdo? Não encontro outra palavra melhor pra definir isso.

Em suma, estou eu aqui, em minha casa, sem poder assistir televisão, às 19:40 horas, mais de uma hora depois que cheguei. E sem saber a partir de que horas meus NOBRES vizinhos vão desligar o som para eu poder dormir, descansar e estar no trabalho às 8 horas. E, lembrando, trabalho em uma instituição pública que também tem diversos problemas e não os resolve. Problemas que são recorrentes há mais de 20 anos, como vazamentos em salas de aula, salas de professores e laboratórios.
Se não posso contar com SUDEMA, SEMAM, Polícia e, nem mesmo, a UFPB, meu trabalho, o que posso dizer para aqueles que criticam o funcionalismo público. Apenas uma coisa: Nem todos os funcionários e instituições públicas são iguais.

quarta-feira, 27 de março de 2013

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EMOCIONAIS

Existe uma frase muito comentada em Curitiba quando se fala em mudanças climáticas: "Aqui, em um mesmo dia, se passa pelas quatro estações". O que denota variações muito rápidas no clima. Posso afirmar que também passei por isso. Só que no campo emocional.
Acho que todos já ouviram falar de Miguel Nicolelis. Inclusive ele tem aparecido com bem mais frequência na mídia devido à sua afirmação de que a abertura oficial da Copa de 2014 será feita por um tetraplégico vestindo um "exoesqueleto". Ele esteve aqui na UFPB ontem, dia 25/03, reabrindo o Fórum Universitário. Um evento que há seis anos estava desativado e agora, na gestão da Reitora Margareth é retomado.
Mas vamos aos fatos... A abertura estava marcada para 19:30h. Eu cheguei às 19 horas, já para não correr o risco de não achar lugar. Afinal, meia hora de antecedência em uma país no qual atrasos fazem parte da programação oficial de qualquer evento, seria uma margem bem adequada. Aí começa minha alegria. Gente, às 19 horas o auditório estava lotaaaaaaado. Além das poltronas fixas, havia diversas cadeiras de plástico espalhadas pelo auditório da Reitoria. Como é bom ver que a Comunidade Universitária começa a se fazer presente nos eventos da UFPB. Isso motiva bastante! A sensação que tive, quando cheguei e vi aquele cenário foi de contentamento. Poxa, faço parte de uma entidade que forma pessoas, molda personalidades, uma entidade de pessoas interessadas em partilhar conhecimentos e aprender um pouco mais, sempre. Claro que isso passa muito rapidamente pela sua cabeça. E comecei a ver que havia vários grupos de alunos, pessoas ainda com mochila nas costas, provavelmente, saindo de suas aulas. Alguns professores conhecidos. Enfim, nada melhor do que a participação de todos os atores que constroem e participam da Universidade no FÓRUM Universitário. E é FÓRUM mesmo, em caixa alta, pois isso é o que me fez sair de um estado de completa satisfação, para uma sensação de que algumas coisas continuam do jeito que sempre foram, um "mais do mesmo" que pra mim foi um "demais do mesmo".
Passada a euforia, opa, ora de tentar achar um lugar para sentar e aguardar a Abertura do Evento e as palavras de Nicolelis. Por sinal, já havia assistido outra palestra dele e gostado muito. Pela forma como se expressa e como fala sobre o aspecto social que nós, como Universidade, temos de ter.
Naquela busca por um única poltrona desocupada, em meio a tanta gente em movimento. É gente se acomodando, gente se levantando, abraça um, abraça outro, barulho. Achar uma vaguinha era quase como estacionar o carro no centro da cidade. Desafio de paciência. Mas, mesmo assim, pensava comigo "se eles chegaram antes, têm mais direto do que eu". E tome procurar!!!
Achei! Olha, vários lugares. Gente, havia várias poltronas vazias. Vazias na frente, porque atrás "RESERVADO". Isso já elevou minha temperatura interna, circulação sanguínea, enfim, já comecei a imaginar o que não queria ouvir. Fui até uma das meninas que faziam parte do cerimonia e questionei "Essa reserva é para quem?", ao que uma menina muito sorridente, respondeu "Para a reitora e os pró-reitores". Puxei na memória e lhe perguntei "todas essas vagas? Mas só temos 7 pró-reitorias". E ela respondeu, ainda sorrindo, mas já meio sem graça "é, mas está reservado". Já está reservado? Aí eu cheguei ao outro extremo que havia lhes falado. Foi como sair, em Curitiba, do Verão para o Inverno, em cerca de 10 minutos.
Por alto, devia haver 1/6 das poltronas reservadas. A capacidade do auditório é de 340 pessoas. Então, cerca de 50 poltronas reservadas. Agora eu retorno ao termo FÓRUM. Buscando em um dicionários encontra-se:
1. Local destinado à discussão pública;

2. Um  tema mestre é abordado numa reunião menos  formal, onde há livre manifestação de idéias e
interação entre palestrantes e público
3. Reunião ou local de reunião sobre tema específico ou para debate público

Dentre todas as formas de aglomeração para discussão, como seminário, congresso, workshop, encontro, painél, plenária etc., fórum é, sem sombra de dúvidas, a mais democrática, a que deve ser mais igualitária, na qual todos se equiparam, os que sabem muito sobre o tema, os que sabem pouco ou nada. Aí eu pergunto "ser igualitário é reservar 50 poltronas para o alto escalão administrativo da UFPB, quando diversos alunos, professores, funcionários e demais participantes ficam em pé? E pra piorar, tendo estes chegado antes dos pró-reitores.
Os fantasmas da aristocracia parecem emergir nesses momentos e consumir tudo o que de bom grado e melhor intenção tenha sido construído. Com isso, vai-se criando a cultura da segregação e dos privilégios. Algo que nós, como Universidade Pública deveríamos combater ferrenhamente.
Após isso, "peguei a viola, juntei na sacola" e fui pra casa.. já estava em um inverno de - 15°.

domingo, 10 de março de 2013


PIADA DE MAL GOSTO EM NÚMEROS

A força que os dados demonstram sempre é um álibi irrefutável. Quando se quer exprimir discrepâncias, diferenças absurdas e até mesmo absurdos, recorre-se aos argumentos quantitativos. O que quero demonstrar não é novidade para ninguém, infelizmente. Somos afluentes dos rios de dinheiro que nossos parlamentares tomam banho ou, na linguagem mais agro, dos rios que eles irrigam suas fortunas.
Vamos às cenas de horror...
 A cada legislatura, um senador pode fazer reformas em seu gabinete ou apartamento – diga-se de passagem, que pertence a União – no valor de quase R$ 61 mil. Com esse valor daria para construir 16 casa populares e ainda sobrava um trocado pro refrigerante. E casa que seriam ocupadas por uma família. Muitos desses senadores não se mudam para Brasília. Continuam, com sua casa em sua cidade de origem.
Entre contatos de telefonia móvel (isso mesmo, pagamos para eles ligarem!), interligações telefônicas dos blocos de apartamentos que os senhores senadores moram – aqueles mesmos que já têm 61 mil para reforma – e telefonia fixa dos gabinetes, foram gastos irrisórios 11 milhões e 54 mil reais
E gastar 2 milhões 876 mil reais com suprimentos para impressora. Só impressoras, hein!? E pensar que uma recarga de cartucho de tinta preta é feito por R$ 25.
Pergunto: qual empresa privada funcionaria com 85% de seu orçamento dedicado ao pagamento de funcionários e suas despesas??? Pois essa é a parcela do nosso senado. Eles ainda fizeram uma verdadeira “Mobilização midiática” para divulgar que haviam cancelado os 14º e 15º salários. E o salário que ganham para fazer a mudança para Brasília? Esse ninguém quer cancelar. Aproveitando o nome do blog, vamos a um “mais do mesmo” (Legião Urbana) ou “variações do mesmo tema sem sair do tom” (Paralamas do Sucesso)... com horas-extra gasta-se 7 milhões 677 mil reais. Quantos trabalhadores no Brasil trabalham além da carga estabelecida em contrato, ou seja, fazem hora-extra, e não recebem por isso?
E a saúde, senador, vai bem? Se não vai, não tem problema, cada senador tem direito a ser reembolsado de todas as despesas com tratamento médico, conforme relatou o Jornal Primeira edição. E são TODOS, senadores e ex-senadores. Os atuais não possuem limite de gastos. Já os ex-senadores SÓ podem ser reembolsados até R$ 33 mil. Como vai gastar isso tudo em um ano? Calma, o senado já achou a solução para isso. Além do “beneficiário”, seu companheiro (a), filhos, enteados e pais podem “mamar” nessa teta gorda. Assim fica mais fácil gastar 33 mil. E tem mais... eles podem escolher qualquer médico. Você aí, leitor, no seu plano de saúde, pode escolher qualquer um ou ele deve estar, no mínimo, credenciado junto ao plano?
Totalizando a “poiva” – como nós nordestinos chamamos alguém que come e bebe sem pagar nada, somente com o dinheiro dos outros – o senado federal custou aos cofres públicos, segundo a Revista VEJA de 26/02, cerca de 3.300.000.000,00 de reais. Se perdeu nos zeros? Então, meu amigo, são 3,3 BILHÕES, solamente! Sabe a Paraíba, o Estado? O orçamento do senado é um terço do orçamento da Paraíba inteira.
Brincadeirinha de mal gosto, não é? Sabe o que é pior? Não é brincadeira! Agora sim, pode começar a rir!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

E VAMOS MUDANDO

A evolução etária é visível e muitas vezes sofrível. Não lidamos muito bem com o envelhecimento, mas é inevitável. No entanto, mudamos diversas coisas ao longo de nossas vidas que são opções nossas. Crescemos em compreensão da realidade, passamos a perceber "pormenores" e "entrelinhas" nos discursos das pessoas, encaramos nossas ações como partes de um todo. Enfim, a evolução natural que qualquer pessoa sofre, direciona, também, nossa forma de pensar.
Duas coisas mudaram radicalmente em minha ideologia. Costumeiramente, deparamo-nos com pessoas em sinais de trânsito entregando panfletos. na época de eleição então... hun! Por muito tempo achei que deveria pegar todos os panfletos que me ofertassem. Não sabia do que se tratava. Não conhecia a pessoa que entregava. Muitas vezes, sabia que iria simplesmente amassar e jogar no lixo. Mas, pegava. Até então, pensava que aquelas pessoas estavam "trabalhando" e, quanto mais pessoas pegassem os panfletos, mais cedo sairiam dali e receberiam seu "salário". Mesmo tendo plena certeza de que era pouco o que receberiam, pensava comigo "Pelo menos estão recebendo algo". Só que, como comentei no início, nossa percepção muda ao longo do tempo. E a minha mudou! Duas coisas contribuiram para isso. Primeiro, observar que várias, diversas pessoas que pegavam os tais panfletos, olhavam, amassavam e... vum... jogavam pela janela. Não preciso fazer nenhuma defesa explícita do meio ambiente nem entrar em discursos formados de sustentabilidade (que é muito, mas muito mais do que limpeza de ruas e avenidas!) para que todos entendam que essa é uma atitude "porca" e de completa falta de educação. Por outro lado, mas ainda no mesmo entorno, literalmente, aqueles que entregam os malditos panfletos (já começo a me revoltar com eles!) não possuem emprego, nem sequer trabalho. Afinal, como diz Charlie Chaplin "Quem faz o que gosta jamais trabalhará na vida". A opção que essas pessoas têm não pode ser considerada como a saída. Ela é a entrada  ou o aprofundamento de uma situação de risco social, de manutenção da pobreza. Receber 50, 60 ou 70 reais, que seja, para passar uma manhã entregando papéis, submetendo-se às condições insalubres (alta temperatura, chuva, fuligem dos veículos) além de risco de atropelamentos e aquelas cantadas baratas jamais pode ser considerado trabalho, muito menos, emprego. Assim... mudei! Hoje em dia, não pego mais os panfletos com o objetivo de que os publicitários, "marketeiros" e empresários entendam que esse tipo de propaganda não é bom nem para eles, nem para a limpeza de nossa cidade. Com a penetração que os canais de internet têm, eles deveriam ser mais utilizados.
A segunda coisa, é a minha relação com prestadores de serviço. Desde que me mudei, há um ano para minha casa. Trouxe, além dos móveis e da imensa alegria e desafio, uma preocupação que não imaginei fosse me afetar tanto. SERVIÇO EM JOÃO PESSOA É UMA M... uma mediocridade!!! De minha formação, muito voltada às relações harmoniosas entre todos, sempre procurei tratar aqueles que prestam serviços para mim como se fossem amigos, conversando muito, recebendo e tratando bem. Mas, meus amigos, tenho "tomado na cara" várias vezes com esses prestadores de serviço. Calote, aborrecimento, falta de compromisso com horários, fora os preços exorbitantes e a baixa qualidade dos serviços. Se tem uma coisa, hoje em dia, que me chateia, em minha casa, é pensar que terei de procurar alguém para fazer um serviço. E, por melhor que você os trate, a recíproca quase nunca é verdadeira. No último episódio, a colocação de uma grade na minha varanda, tive problemas com o serralheiro, que fez a grade igual ao nariz dele (como dizem os mineiros), além de dizer que minha casa era torta, não pintar a grade como deveria e ainda "vir com bocão", alegando que o problema da grade não ter dado certo, não era problema dele? e é de quem? da Casa? Pronto, agora, até casa vai ser acionada na justiça! Tive problema com o pedreiro, que quis cobrar mais do que havia acertado. Enfim, uma BOM-BA. Então... mudei! A partir de agora, serviço aqui em casa só com contrato, no qual tudo fique especificado, inclusive multa por atraso na entrega. E mais, o tratamento será formal, nada de muito papo, de muita amizade!
Mudei, não sei se para melhor, mas espero que seja melhor para mim. Não quero mais ter preocupação excessiva com esses serviços

E você, o que tem mudado em sua vida?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

NÃO ASSINE O ABAIXO-ASSINADO

Nos últimos dias tem-se falado muito sobre o abaixo-assinado criado pela Frente Parlamentar da Seca da Assembléia Legislativa da Paraíba. É um documento que, conforme consta em uma petição pública (http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=SosSeca) "cobra soluções urgentes e duradouras para amenizar a situação de calamidade enfrentada pela população em decorrência da estiagem". Uma bela atitude de nossos vereados. Correto? Não! Uma balela, uma brincadeirinha de mal, mas muito mal gosto!
Pergunto a você que é Brasileiro - não precisa nem ser nordestino ou ter nascido no sertão dessa região - há quanto tempo existe seca aqui? Há quanto tempo animais morrem de fome e de sede? Incluindo, nós, seres humanos, que são tratados tal qual animais mesmo. Em especial aqueles que moram nas regiões mais atingidas pela estiagem. Pessoal, não é novidade isso tudo. Por volta de 1880 houve uma grande seca, que matou cerca de 220 mil pessoas e animais. E, pela incerteza da coleta de dados naquele tempo, imagina-se que o número real seja bem maior. No livro "O Quinze", Raquel de Queiroz relata o cenário existente em 1915, época em que viveu no Ceará, passando por outra seca devastadora. Meu pai sempre fala de uma outra grande seca no ano de 1950, quando morava no interior do Rio Grande do Norte - numa cidade chamada Jardim de Piranhas, na qual nasceu - e andava quilômetros para conseguir água e tomar banho. 2001 tivemos uma seca que afetou criticamente os reservatórios das Usinas hidrelétricas, como as de Paulo Afonso, responsáveis pela geração de energia de boa parte do Nordeste. E onde está a novidade nessa seca que o nordeste enfrenta agora? Nenhuma!
A cobrança por medidas que sejam, efetivamente, perpétuas, que combatam constantemente os efeitos maléficos da falta de chuvas deveria partir da população, mas não apenas para a União. Esses mesmos senhores e senhoras da ALPB deveriam ser cobrados. O artifício de legislação é papel deles. Vários leis poderiam ser criadas em prol dessa intenção, por demais, honrosa, de ajudar aqueles que sofrem - e muito - com tal situação. E o que eles preferem fazer... cobrar o Governo Federal. Que também tem, sim, sua responsabilidade, mas não é o carrasco daquelas pessoas. É muito simples criar um papel que recebe o nome de abaixo-assinado mas poderia muito bem começar com as palavras "transfiro minha responsabilidade de legislar em prol do bem estar de todos ao Governo Federal..."
Essas coisas, essas ações de impacto na midia, essas comissões criadas para reinventar a roda ou ver o que todos já viram, não me comove. Comove ver a situação daqueles interioranos e saber que tanta verba é desviada por essas "sabichões" que estão propondo essa ação "inovadora" do abaixo-assinado.
Que intenção tem um Governo de criar ações permanentes contra a seca, se o maior projeto com esse intuito está, atualmente, atrasado em 1 ano. A meta inicial, era entregar a primeira parte da Transposição do Rio São Francisco até dezembro de 2011. Um Governo que é incapaz de cumprir prazos e teve, em 2012, apenas 18% da verba destinada para esta obra, no ano, aplicada. E o restante da verba? Volta para o caixa da União? Se fosse em uma empresa privada, além de retornar ao caixa, muita gente seria cobrada pela não utilização de recurso liberado. O que esperar de uma Presidente que diz "O Brasil mudou. A gente olha e vê pessoas bonitas, quando as coisas melhoram e mudam as pessoas ficam mais alegres”, durante uma inauguração de adutoras no Piauí. Presidente... vai se catar! Dizer que as pessoas estão mais bonitas porque o Brasil mudou??? Continuamos a viver em um país que se favorece do cenário mundial de crise, mas que não evolui como poderia, como deveria. A discrepância entre muitíssimos pobres e pouquíssimos ricos só aumenta. E nesse grupo paupérrimos, lá estão os nordestinos, que não assinaram o abaixo-assinado, pois ninguém vai levar o papel até lá, nem verão a condição melhorar, pois não há interesse verdadeiro. Há uma ação sensacionalista por parte desses políticos. Afinal, boa parte da população vê a midia como a verdade absoluta.

Se vierem me cobrar assinar esse papel enganador... afirmo: "minha caneta está sem tinta!"

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O "LUGAR COMUM" DE SUA VIDA

Tenho pensado muito e muitas vezes, nos últimos meses, na seguinte frase: "a vida é uma só". E acrescento: "passa muito rápido". Sei que ouvimos essa frase inúmeras vezes durante a dita VIDA. Mas tenho refletido bastante em seu significado, seu sentido, na moral da frase. O que ela representa é algo tão profundo que acaba se tornando comum ou, como os professores de redação falam, lugar comum. Todo mundo fala e, por isso, torna-se banal, uma frase a mais.
Acho que essa frase se assemelha à de Renato Russo: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".
Talvez estivesse pensando muito naquela frase por estar "comovido", envolvido pelo espírito final do ano, Natal e Ano Novo. Mas não! Tenho pensado pois vejo pessoas fazendo e pensando coisas como se pudessem deixar o tempo passar e errar tanto, pois teriam uma segunda oportunidade, uma outra vida.
Não ser lembrado no aniversário porque você não tem facebook e isso ser normal para aqueles que esqueceram é algo que, para mim, expõe a deterioração nas relações carnais, presenciais que as relações virtuais têm imputado a nós, seres humanos, de carne e osso que, agora, são mais conhecidos por seres de perfil e fotos (do instagram, é claro!). Sim, eu não tenho facebook! E vivo mesmo assim. Não estou dizendo que nunca farei. Mas garanto que ele nunca ditará minha rotina diária, nem será o motivo principal das fotos que tiro. Como trago a nostalgia como companheira inseparável, tenho, inevitalvemente, que lembrar-me do tempo em que íamos na casa do aniversariante, como presentes ou sem eles (isso era o de menos!), apenas para desejar-lhe Parabéns. Quando não havia condições de ir in loco, o mais cibernético que fazíamos era ligar, de um telefone fixo, hein!? Sinto, sinceramente, saudades disso! A título de curiosidade e estatística, afora os amigos que foram na minha casa, no meu aniversário, aqueles que eu chamei, sabe quantos me ligaram? 50? 20? 10? ledo engano... 2 pessoas!!! A vida é uma só e os amigos podem ir embora a qualquer momento, pois a vida deles também é uma só.
Pergunto... por que irmos em eventos ou fazermos coisas apenas se elas forem grandiosas? Por que não saímos para tomar um café e papear? Tudo bem, sou "cafeinado", vulgo viciado em café, mas hall de coisas simples a serem feitas é homérico. Visitar os lugares bonitos de sua cidade, mesmo que sejam simples, pequenos e esquecidos pela maioria da população (por estar ocupada muito tempo com redes socio-virtuais), jogar um joguinho de tabuleiro ou mesmo de cartas, dominó e tantos outros que foram se perdendo no tempo. Assistir um bom filme, comendo pipoca e guaraná (alguém lembra da propaganda "pipoca e guaraná que programa legal..."?), em especial, uma boa comédia, dar boas risadas. Como faz bem! A vida é uma só e você pode, por qualquer motivo, não conseguir mais fazer essas, ditas, pequenas coisas.
Deixar de fazer uma viagem por não ter dinheiro é uma coisa. Deixar de fazer uma viagem por ter dinheiro "empatado" em um financiamento de apartamento que você não planeja morar, é outra. E para mim, é desperdiçar tempo precioso (outro lugar comum) de sua única vida. Trabalhamos e recebemos algo em troca de nossa força de trabalho para podermos usufruir do que recebemos, mesmo que não seja dinheiro. Se prefiro guardar dinheiro por dois, três, dez anos, para poder comprar uma casa ou um carro melhor, e deixo de viajar, de criar boas lembranças em minha mente, estou, em meu modo de ver, deixando a vida passar para construir minhas boas memórias só na velhice ou quanto estivermos mais velhos. E, talvez, nem possamos aproveitar daquilo que economizamos. Se é que chegaremos lá, sendo trágico, mas realístico, pois... a vida é uma só e não somos não que estabelecemos a idade de partir. Algumas vezes, uma pessoa decide quando deve ser nossa partida.. e não é Deus!
Tenho convivido, nos últimos 5 dias com pessoas que podem ou não fazer parte da minha vida pelo resto dela. A família da minha namorada. Claro que quero estar e ficar com ela, mas todos hão de convir que nós podemos nos separar. Exemplos de separações inimagináveis todos têm aos montes. Mas se eu viver pensando nisso, não aproveito meus momentos, não aproveito minha namorado, não aproveito essas horas com a família dela, não aproveito a cidade e os amigos dela. E vou esperar ter certeza de que ela é a mulher que terminará a vida comigo quando? Quando minha vida tiver passado quase por completo? Se não der certo, não tenho que achar culpados e pensar que perdi tempo da minha vida. Tenho que fazer minha parte para que dê certo. Continuar aumento meu sentimento por ela, passando por brigas e dificuldades e superando cada uma delas. Fazendo isso, estarei vivendo minha vida, que é a único que tenho e que passa muito rápido.
Talvez todo esse texto não sirva de nada nem mude sua vida. Mas ela continuará sendo uma só. Disso tenho certeza! Então, você aproveita sua vida como achar melhor. A minha, viverei a cada momento, sem pensar muito no futuro. Claro, planejamento mínimo é necessário. Mas o planejamento também passa pelo momento atual. Não se planeja nada, sem saber o que se tem atualmente.
A vida é uma só, passa muito rápido, CARPE OMNIUM (Viva o momento!) e, transforme o lugar comum "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã" em lugar incomum, no qual se reflete toda vez que se pensa.